domingo, 14 de fevereiro de 2010

STF recebe denúncia contra deputado do DEM por desviar R$ 1 mi

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu denúncia do Ministério Público Federal contra o deputado Francisco de Assis Rodrigues (DEM-RR) pelo crime de peculato. O parlamentar é acusado de se apropriar, junto a familiares, de recursos federais de cerca de R$ 1 milhão obtidos por meio de aprovação de emenda de sua autoria ao Orçamento Geral da União. A verba seria destinada à implantação da cultura do café no município de São Luiz do Anauá (RR). Entretanto, com a emenda aprovada, teria sido realizado contrato, em 2000, sem licitação com uma empresa especializada em terraplanagem e construção civil, que pertencia ao irmão do deputado, Emanuel Andrade, e à cunhada, Andréa Cristina Batista da Silva.

POR QUE A MÍDIA ESCONDE OS FATOS

1] Por que a exemplo do que fez tantas vezes com o PT, a mídia não parte do fato policial para resgatar o passado e o presente das relações políticas do demo José Roberto Arruda? 2] Por que esquece --ou esconde?-- entre outras coisas, que Arruda foi nada menos que líder de FHC na Câmara Federal? 3] Por que a mesma amnésia subtrai ao leitor que Arruda era a grande --e única-- 'revelação administrativa' dos demos [sobretudo depois do fiasco Kassab], e nome natural' para ocupar a vice-presidência na coalizão demotucana liderada por Serra? 4] Por que, súbito, abriu-se um precipício de silencio midiático sobre as relações entre Serra e Arruda, omitindo-se, inclusive, 'o simpático' simbolismo da sintonia capilar entre ambos --mencionada por ninguém menos que o próprio governador tucano em evento conjunto em 2009? 5] Por que a obsequiosa Eliane Catanhede, da Folha, e os petizes da Veja, que tantas e tantas linhas destinaram a enaltecer a determinação de Arruda em 'cortar o gasto público' --e ainda o fazem na ressalva ao 'bom administrador que tropeçou na ética', segundo Catanhede-- sonegam aos seus leitores a auto-crítica pelo peixe podre que venderam como caviar? 6] Por que, enfim, o esfarelamento da direta nativa abrigada nos Demos não merece copiosas páginas de retrospectiva histórica, que situe para os leitores a evolução daqueles que, como Arena e PFL, foram esteio da ditadura e da tortura e hoje são os aliados carnais de José Serra?
(Carta Maior e a Quarta-feira de Cinzas da mídia demotucana

DEPOIS DE PRESO O DEM APARECE

Dirigentes do DEM defendem intervenção no Distrito Federal

Dirigentes do DEM, partido do qual se desfiliou o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), apoiam a intervenção no DF proposta pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. As informações são do jornal Estado de S. Paulo deste domingo.

Arruda foi preso na quinta-feira, acusado de tentar subornar uma testemunha do inquérito que investiga o suposto esquema de corrupção no DF, o mensalão do DEM. O senador Demóstenes Torres, o deputado federal Ronaldo Caiado, ambos democratas de Goiás, defendem a intervenção por temer que o vice em exercício, Paulo Otávio, possa ser tirado do cargo, em virtude se seu envolvimento nas denúncias. A possibilidade de renúncia não foi descartada por Otávio.

Redação Terra on line

POEMA DE LUIS FERNANDO VERÍSSIMO



DAR NÃO É FAZER AMOR

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar

Experimente ser amado...

Luís Fernando Veríssimo
Em SP, Serra chama manifestante de... ‘energúmeno’


A coisa aconteceu na cidade de Guararapes, no interior de São Paulo. Consta de notícia veiculada na Folha.

O governador tucano José Serra discursava numa cerimônia de entrega de 57 ônibus escolares.

A certa altura, Serra pediu apoio aos prefeitos da região, para instalar hospitais preparados para atender portadores de deficiência física.

Um grupo de manifestantes do sindicato dos professores fazia barulho. Munidos de apitos, tentavam sufocar o discurso.

A certa altura, um dos integrantes da turma do apito pôs-se a dirigir impropérios a Serra. O presidenciável tucano abespinhou-se:

"Esse energúmeno é contra o atendimento dos cegos, é contra os deficientes físicos, é contra os ônibus escolares [...]. É contra tudo e todos".

A maior parte da platéia aplaudiu. Os manifestantes trocaram o silvo dos apitos pela vaia. Policiais trataram de retirar o “energúmeno” do local. Alegou-se que ele desacatara o governador.

Serra disse que estava na cidade a trabalho, não em “campanha”, como os manifestantes.

Antes do sururu de Guararapes, Serra estivera em São Luiz do Paraitinga, uma das cidades mais afetadas pelas chuvas que infelicitam o Estado.

Entregara a moradores cheques de R$ 900. Dinheiro do programa Novo Começo. Um auxílio emergencial às famílias desabrigadas.

"Se depender de mim, ele será presidente", disse a dona de casa Alessandra Fernandes, uma das beneficiárias.

Campanha fora de época? Ex-ministro do TSE, o advogado Fernando Neves acha que não. Só haveria afronta à lei eleitoral, diz ele, Se houvesse pedido explícito de voto.

Como Serra não chegou a tanto, a coisa passa, no dizer do especialista, por "atividade de governo".

Então, tá! Mas não custa lembrar que os cheques poderiam chegar às mãos necessitadas por outras vias. Uma remessa bancária, por exemplo.

Aliás, não parece razoável supor que Serra vá entregar, um a um, os cheques destinados aos flagelados. Ele não teria tempo para mais nada.

Fonte: Blog do Josias

GOVERNAR UM PAIS E TRATAR TODOS COM IGUALDADE

Presidente Lula em Goiás

Lula em Goiás: Governar um país é tratar todos com igualdade

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Disposto a não deixar sem resposta insinuações de políticos que fazem oposição ao seu governo, o presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (12), durante inauguração das obras da Barragem do Ribeirão João Leite, em Goiânia (GO), que nunca discriminou governadores de São Paulo, Minas Gerais, Alagoas e Rio Grande do Sul, estados comandados pelo PSDB. Ele lembrou, como exemplos, a compra do Nossa Caixa, em São Paulo.

Lula pediu para que os prefeitos fossem indagados sobre como eram tratados no passado e no momento atual. Lula explicou que no passado só recebiam recursos do governo aqueles políticos ligados aos partidos aliados.

Lula citou como exemplo o governador de Goiás, Alcides Rodrigues, para explicar que na campanha em 2006 apoiou o ex-governador Maguito Vilela. Porém, ao ser eleito, o presidente manteve o canal de entendimento com Rodrigues, não lhe recusando recusos para obras em Goiás. E a inauguração da barragem, segundo o presidente, é outra confirmação de que “governar um país é tratar todos com igualdade”.

"Perguntem ao companheiro Alcides se faltou para ele um centavo que Goiás tivesse direito e que tivesse projeto? Aliás, deveriam perguntar para o outro [Maguito] se ele quando governador de um partido de oposição, se faltou dinheiro? Perguntem aos governadores de São Paulo, Minas Gerais, Alagoas e Rio Grande do Sul. Não é assim que se governa um país. Governar um país não é criar um grupo de amigos mas tratá-los todos em igualdades de condições", enfatizou.

Lula afirmou que uma das vertentes de sua administração é o investimento em saneamento básico. Alguns obstáculos enfrentados devem-se ao fato de o Brasil ter ficado mais de 25 anos sem investimentos em infraestrutura.

Lula lamentou o excesso causado pela legislação para liberar obras no país e afirmou que vai se mobilizar para tornar a legislação mais funcional – pediu para isso ajuda aos parlamentares. Lembrou ainda os entraves que existem para as obras do Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, mas garantiu que tão logo os problemas estejam sanados, irá pedir pressa na construção.

O presidente Lula visitou as obras concluídas e, ao término da cerimônia, deslocou-se para almoço com o governador Alcides Rodrigues e políticos da região. À tarde ele inaugura, com o prefeito de Goiânia, Íris Rezende, a Escola Municipal Jornalista Jayme Câmara, e visita unidades habitacionais do Pró-Moradia no Jardins do Cerrado, distante 40 quilômetros do centro de Goiânia.

PT TRINTÃO UMA HISTÓRIA

PT, trintão, por Selvino Heck
em 10/02/2010



Fui quase tudo no PT: militante de base mesmo antes de sua fundação, dirigente (presidente do PT/RS, membro da Executiva estadual por 15 anos, membro do Diretório estadual durante 28 anos, membro do Diretório Nacional em dois períodos), deputado estadual constituinte, candidato em seis eleições, coordenador de campanhas. Sem falar na presença em governos municipais e agora no governo Lula desde 2003.

Ou seja, fui quase tudo no PT nestes 30 anos. TRINTA ANOS, quase uma vida. Olho para trás e lembro das primeiras reuniões de fundação do partido na Igreja da Pompéia em Porto Alegre, em meio às greves dos bancários com Olívio Dutra, da ressonância das greves do ABC com Lula. Lembro de uma reunião de lideranças comunitárias na vila Santa Helena, onde eu morava, na Lomba do Pinheiro, conjunto de vilas populares na periferia de Porto Alegre, quando apareceram militantes do MR-8 ‘disputando’ as mesmas lideranças e todos os presentes disseram que iriam entrar no PT. Lembro do difícil primeiro ano, quando eu Presidente da primeira Comissão Provisória do PT de Viamão, Região Metropolitana de Porto Alegre, (município governado há quatro mandatos pelo PT) e era preciso organizar o partido, juntar algum recurso para as atividades e a burocracia, e todos eram pedreiros, serventes, funcionários públicos, donas de casa, muitos deles militantes até hoje, sem dinheiro e experiência política.

Eram tempos de muita alegria e entusiasmo. Fazíamos tudo ao mesmo tempo: organizar as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e a Pastoral Operária, lutar por água, saneamento, qualidade do transporte público nas Associações de Bairro, apoiar a Oposição Sindical da Construção Civil, fazer sair todos os meses o jornal O Lomba, militar no Núcleo do PT da Lomba do Pinheiro fundado em 1980. E discutir política, fazer cursos de formação, andar a pé por todas as vilas para convidar as pessoas a participar.

O PT surgiu assim, no esforço militante de base, na luta pela Anistia e pelas Diretas-Já. Ninguém tinha experiência política ou partidária. Todos eram igual noviços: primeiro partido, primeiras eleições, aprendendo no dia a dia. A luta interna não existia porque ninguém sabia ou conhecia tendências. Seguido aparecia alguém de diferentes grupos organizados tentando ‘ganhar’ algum militante. A nós interessava, do mesmo jeito que melhorar o transporte público ou ter um sindicato combativo, ter um partido que todos e todas construíssem junto, para não ter de votar a cada eleição em candidatos que não eram conhecidos ou não tinham compromisso com os problemas das vilas populares ou dos trabalhadores.

1980 não é 2010 nem poderia ser. O PT cresceu em número de parlamentares, em número de governos – governa até o Brasil -, em estrutura. Como tudo na vida, institucionalizou-se. Os tempos também mudaram. Pela primeira vez na história do Brasil, partidos completam 30 anos na legalidade. A democracia brasileira e latino-americana está se consolidando, embora ainda sua precariedade e limites. O Brasil passaram por diferentes governos e pelo neoliberalismo, o mundo atravessou crises profundas como a atual. As utopias de então, 1980, não necessariamente são as mesmas de 2010, até porque o Muro caiu.

Que dizer então hoje do PT trintão? Está a caminho da maturidade ou envelheceu? É capaz de superar suas próprias crises e eventuais desvios, rejuvenescer-se, continuar ligando o sonho da transformação à realidade e à vida do povo, mesmo sendo instituição e governo?

Permaneço no PT como muitos ou a maioria que o começou. Há os que abandonaram o barco, alguns com justas ou aceitáveis razões, por não o verem mais revolucionário como há 30 anos, outros tantos o largaram porque abandonaram idéias de mudança e resolveram cuidar da vida.

Permaneço no PT porque ainda acredito em partidos como necessários para promover a mudança, embora milite e tenha sempre um pé nos movimentos sociais e na educação popular, até mesmo no governo Lula, com a construção da Rede TALHER de Educação Cidadã e do Programa Escolas-Irmãs.

Permaneço no PT porque, olhando o cenário brasileiro, não vejo nenhum partido capaz, como o PT, de apontar o futuro, capaz de mexer com milhares de filiados, fazê-los sair de casa, capaz de promover debates e reflexões, fazer ainda chorar de entusiasmo e paixão algumas vezes, como no último Encontro Estadual do Rio Grande do Sul, quando Tarso Genro foi escolhido candidato a governador.
Permaneço no PT, porque ainda tem a condição, mesmo nas imperfeições, não poucas, de lutar pelo novo e diferente, ainda permite a divergência e a troca de idéias, ainda consegue de algum modo enfrentar seus erros e mazelas, como quando institui um Código de Ética à luz da crise vivida em 2005.

É o partido dos meus sonhos e da perfeição? Talvez não seja mais. Talvez nunca tenha sido. Errou e acertou. Cabe perguntar: mais erros ou mais acertos? A complexidade econômica, social, cultural de um país como o Brasil ou mesmo a natureza humana exigem manter os pés no chão. Nada e ninguém é perfeito, embora algumas coisas possam ser melhores que as outras.

Inegavelmente, hoje ninguém o nega, o PT tem prestado enormes serviços ao Brasil e ao seu povo. Lutou contra a ditadura. Trouxe ao Parlamento vozes lá nunca ouvidas antes. Levou aos governos práticas como o Orçamento Participativo, que revolucionam a coisa pública. Levou para o cenário político, como ninguém tinha feito antes, os pobres e trabalhadores que ao longo de séculos sempre foram condenados ao fundo do palco ou no máximo a serem os depositantes do voto nos coronéis de plantão.

É certo que todos e todas que ajudamos o Partido dos Trabalhadores a ser trintão fizemos e fazemos história. Por isso, longa vida ao PT e aos seus militantes corajosos, dedicados, sonhadores, generosos, revolucionários.

*Selvino Heck é assessor Especial do Gabinete do Presidente da República

PT 30 ANOS

Uma história, um partido, por Dr. Rosinha
em 10/02/2010



Os fatos podem ser mais ou menos relevantes. Podem entrar ou não para a história de um país. Mas, de alguma forma, entram sempre na história de vida das pessoas que deles participaram.

Muitos participam dos fatos e, depois, sequer são citados quando a história é contada. São anônimos perante a história, mas o fato não é anônimo para as suas vidas. Todos têm uma história para contar, uma parte da história, às vezes mínima, sobre sua participação.

Contam, assim, "uma história". E aqui vai uma breve história de um fato que entrou para a história do Brasil.

Até 1980, eu não militava em nenhum partido político. Militava no movimento em defesa da saúde pública e pelos direitos dos médicos residentes. Militava junto aos movimentos sociais de Curitiba. Fazia palestras sobre saúde e direitos de cidadania.

Final da década de 1970. Surge o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes) e o Reme (Movimento de Renovação Médica). Participo de ambos e, como resultado, sou escolhido presidente do Cebes, núcleo de Curitiba, e eleito como suplente para a diretoria do Sindicato dos Médicos do Paraná.

Na mesma época, há grande agitação política e social no Brasil, contra a ditadura militar. No seio dessa mesma agitação, começa o debate sobre a criação de um partido político de esquerda. Participo desse debate entre os militantes do movimento da saúde pública, que já na época discutia a implantação de um sistema único de saúde.

Cria-se em Curitiba e no país um movimento "pró-PT". Tomo ciência da reunião que estava sendo preparada para São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1980. Um dos critérios para participar era ser dirigente de alguma entidade de caráter social, e eu presidia o Cebes. Após algum debate e reflexão, candidatei-me a ir para a reunião.

De Curitiba saiu um ônibus, com pouco mais de 30 pessoas, além de alguns automóveis. Fui de carro, com o advogado Luiz Salvador. Se não me falha a memória, era uma Brasília azul. Para não cometer injustiça e omissões, não citarei o nome dos paranaenses que conhecia ou que conheci depois e que lá também estavam.

No dia 10 de fevereiro de 1980, há 30 anos, o PT ganhava vida e começava a entrar e a criar a história do nosso país. E eu comecei a vida política partidária e a ter uma história para contar.

Não há espaço aqui para relatar tudo o que carrego daquele dia. Mas posso registrar que havia, no olhar de todos os presentes no Colégio Sion, líderes ou não, o brilho da esperança de construir um novo país. Com a participação efetiva dos trabalhadores, sob o marco do socialismo, palavra que, naquele momento, de ditadura, não poderia estar escrita. Construir uma força política organizada e autônoma, com a participação de trabalhadores e trabalhadoras. Enfim, um partido de massas.

Participei de todas as fases de construção do PT, que, aliás, não foram fáceis: filiar pessoas para legalizar o partido; eleição de 1982, com o voto vinculado, cujo resultado gerou uma crise no partido; perseguição a militantes com demissões ou não contratação para trabalhar. Superamos os obstáculos com muita solidariedade.

Ao comemorar 30 anos de PT, posso dizer que me orgulho por ter participado dessa história, e de ter uma história para contar. Posso afirmar que, em parte, o Brasil é o que é hoje graças ao Partido dos Trabalhadores. Não nego a história dos outros, mas foi o PT o principal partido a sair às ruas para exigir a democratização do país, e o primeiro a levantar a bandeira da eleição direta para presidente.

O PT conseguiu dar voz e vez aos explorados e oprimidos. E é do PT o presidente que faz hoje o melhor governo da nossa história. E este é apenas um fragmento de uma grande história, ainda em curso.

*Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR).

ESTADO PROBLEMA E SOLUÇÕES

Estado: problema e soluções, por Emir Sader
em 11/02/2010




A crise econômica internacional terminou de projetar o Estado no centro dos debates não apenas econômicos, mas políticos e ideológicos. Ser “estatista” tinha se tornado um dos piores palavrões, ao lado de “populista”. Um remetia à regulação da economia, e à indução do crescimento pelo Estado, enquanto o outro, às políticas sociais redistributivas.

Há quase um século – mais precisamente, há 9 décadas – o Estado tinha passado a assumir um sinal positivo, diante das conseqüências da crise de 1929. Unanimemente atribuída ao liberalismo econômico, as tres correntes que surgiram ou se fortaleceram a partir dali – o keynesianismo, o socialismo soviético e o fascismo – atribuíram papel estratégico e permanente ao Estado. Foi no esgotamento do ciclo longo expansivo do capitalismo que as teses anti-estatistas – hibernadas durante muito tempo – voltaram à baila.

Elas estavam sintetizadas na tese reaganiana de que “O Estado não é a solução, é o problema.” A perda do ritmo de expansão das economias e o surgimento da chamada “estagflação” (estagnação com inflação) foi atribuído centralmente ao Estado, para o qual foram dirigidas as baterias do grande capital e dos seus porta-vozes na academia, no foros econômicos e na imprensa. De forma resumida, as regulações que limitariam a livre circulação do capital seriam os fatores da recessão e os freios para uma retomada do desenvolvimento econômico.

Vitoriosos, os (neo)liberais promoveram uma gigantesca operação de desqualificação do Estado e, sintonizado com ele, da política, das relações de poder, dos partidos, das alternativas coletivas. E, automaticamente, a exaltação das virtudes do mercado, que passaram a monopolizar a idéia de “dinamismo”, de “alocação virtuosa de recursos”, de “sociedade de oportunidades”, de “liberdade econômica”, de “modernização econômica”, de “desenvolvimento tecnológico”.

“Estatista” passou a ser palavrão, desqualificador, ao lado de “populista”. O retiro do Estado representou expropriação de direitos, devastação do nível de emprego, das empresas nacionais, se expandiu como nunca a precarização das relações de trabalho, o desemprego, a concentração de renda, a exclusão social, a pobreza e a miséria. As distâncias e as contradições entre o centro do mundo e a periferia aumentaram exponencialmente, os continentes do Sul regrediram nas condições de vida da massa da população, que vive nessa região do mundo.

Menos Estado, não significou mais cidadania, mais dinamismo econômico, nada disso. Representou mais mercado, um mercado controlado por grandes monopólios, pelo grande capital financeiro. Representou menos cidadania, porque menos direitos.

O combate da direita contra o Estado se dá contra os elementos de regulação da livre circulação do capital – entrada e saída de capitais dos países, menos impostos, flexibilização para contratar força de trabalho nas condições que os empresários entendam, privatização de patrimônio publico, entre outros. O Estado que eles gostam e que se manteve, é o que lhes fornece subsídios, isenções, créditos, perdões de dívidas. Em suma, Estado mínimo para a grande maioria dos explorados, oprimidos, discriminados. E Estado máximo para o grande capital e o grande empresariado.

A crise econômica internacional demandou fortemente a ação do Estado, ao lado da falência do mercado como alocador de recursos, ao mesmo tempo em que sua capacidade para reimpulsar o desenvolvimento se revelou falsa. No Brasil, a grande virada na política governamental - a partir da segunda metade do primeiro mandato de Lula, mas claramente definida no segundo – mudou o papel do Estado, na concepção e na ação concreta. Foi o grande agente que permitiu o novo ciclo expansivo da economia, a consolidação das políticas sociais e o enfrentamento dos efeitos da crise econômica internacional.

Os discursos de Lula e da Dilma refletem esse resgate do Estado brasileiro, que estão fortemente presentes no documento básico apresentado ao Congresso do PT. Bastou, para que a mídia empresarial levantasse os seus alertas sobre os riscos de um Estado excessivamente forte, do “estatismo”, de que o programa da Dilma a colocaria à esquerda do governo Lula e os riscos que isso representaria.

O consenso em relação ao Estado mudou com o governo Lula. Como Dilma conta no livro que organizamos com o Marco Aurélio Garcia (“Brasil, entre o passado e o futuro”, coedição da Boitempo com a Perseu Abramo, com artigos, pela ordem do índice, de Emir Sader, Jorge Mattoso, Nelson Barbosa, Marcio Pochmann, Luiz Dulci, Marco Aurélio Garcia e Dilma Rousseff), no momento do lançamento do PAC, ela foi chamada ao Congresso para explicar a participação do Estado, mas quando foi lançado o "Minha casa, minha vida", isso não voltou a ocorrer. Foi se avançando na consciência do papel indispensável do Estado.

The Economist lamenta a fraqueza do liberalismo econômico no Brasil, considerando que os dois candidatos mais importantes teriam concepções similares, distantes do liberalismo. Alegam que a principal razão seria o voto obrigatório que, segundo eles, teria como conseqüência um eleitorado favorável à participação do Estado, porque os pobres – a grande maioria – tenderiam a pedir mais Estado, que é a fonte dos seus direitos, das políticas sociais redistributivas, a quem eles podem apelar quando sentem injustiças, etc. etc. (Razão, por si só, para que fôssemos a favor do voto obrigatório.)

Bastou os alarmes disparados pela imprensa e as reações se fizeram sentir, na direita e na própria esquerda. Naquela, tentar transformar esse tema em um eventual risco, em um fator de instabilidade, de mais tributação, em limitações ao “mercado”, em mais gastos públicos, etc. Em suma, tentar fortalecer a pauta da direita: menos Estado, menos impostos, mais mercado.

Se o Brasil hoje é uma sociedade menos injusta é, em grande medida, pela ação do Estado brasileiro. Se o Brasil é hoje um país com grande e prestigiada presença internacional, é pela ação do Estado brasileiro. Se resistimos à crise de forma muito positiva, é graças ao Estado brasileiro.

A maior discussão hoje é aquela sobre o tipo de Estado e, extremamente vinculada a ela, sobre o tipo de sociedade que precisamos e queremos. Voltar a fortalecer o papel do Estado, como foi feito até aqui, revelou-se indispensável para retomar o desenvolvimento, fortalecer as políticas sociais e enfrentar em melhores condições os efeitos da crise.

Mas o Estado forte que precisamos é o Estado que cada vez mais se centra na esfera pública, deslocando seu eixo da financeirização a que estava condenado com a hegemonia inquestionada do capital especulativo no seu interior. Trata-se de reformar o Estado, debilitando a esfera mercantil e fortalecendo a esfera pública, isto é, transferindo para a esfera dos direitos o que havia sido privatizado, sobretudo direitos essenciais, como os de educação, saúde, comunicação, cultura, habitação e outros serviços essenciais.

Estado forte é o que estende o reconhecimento da cidadania a setores cada vez mais amplos da sociedade, até que todos os brasileiros se sintam e sejam realmente cidadãos – sujeitos de direitos. Governava-se o Brasil para um quarto ou um terço da população, o restante sendo considerados “excedentes” pelo mercado. Esse era um Estado fraco, não apenas porque abriu mão de patrimônio público mediante privatizações a preço de banana, mas também porque era um Estado excludente, para uma minoria, com instituições estatais enfraquecidas, com serviços públicos sem recursos, que arrecadavam recursos prioritariamente para pagar a divida publica, transferindo recursos do setor produtivo para o especulativo.

Um Brasil democrático requer um Estado centrado na esfera pública, que centralmente universalize direitos, consolide a soberania nacional, fortalece as alianças regionais e do Sul do mundo, que potencialize nossas energias e fortaleça os que até aqui foram maiores vitimas da globalização neoliberal.

As pressões da direita – e, em especial do seu segmento midiático – são para que a esquerda se assuste com as acusações de “estatismo”. Não temos que nos assustar, como não nos assustamos com as de “populismo” e seguimos estendendo as políticas sociais, que são o maior bastião de apoio e legitimidade do governo. Quer a direita que não disponhamos dos instrumentos para acelerar o desenvolvimento do país, para canalizar os investimentos cada vez mais para a esfera produtiva, para seguir estendendo as políticas sociais, agora plenamente para o campo da habitação, do saneamento básico, da universalização da banda larga na internet.

Como disse Dilma na entrevista do livro mencionado, não são os empresários os que defendem a retração do Estado, mas os ideólogos que pretendem falar no seu nome. Pelo sim ou pelo não, estamos seguros – como disse, com plena consciência The Economist – o povo quer mais Estado, porque sabe, por experiência própria, que é quem garante seus direitos, na contramão do mercado que, ao contrário, só acentua a concentração de renda e a exclusão social.

Publicado no Blog do Emir, em 7/2/2010

AS MULHERES E DILMA

Ataques a Dilma negam humanidade de ministra e protagonismo das mulheres, por Luiz Carlos Azenha
em 11/02/2010




Eu acho que vocês, mulheres, poderiam montar um blog para colecionar os ataques com tons machistas e sexistas que os tucanos e o PSDB estão disparando contra a ministra Dilma Rousseff.

Não se trata apenas de uma crítica política a que Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati estão fazendo à ministra. É uma tentativa mal disfarçada de desqualificar a pessoa, como se ela fosse apenas "reflexo" de um líder (nas palavras do ex-presidente) ou uma "candidata de silicone", nas palavras de Jereissati. As duas críticas negam humanidade à ministra. E negam também protagonismo. As duas críticas tentam pintar Dilma como um pedaço de geléia, inerte, sem vontade própria -- características que muitos homens brasileiros gostam de ver em "suas" mulheres, mas que não são boas em um líder.

Temos, então, um paradoxo: para alguns, Dilma a "terrorista"; para outros, Dilma a "boneca inflavel". Duas formas de sugerir ao eleitorado que se trata de uma mulher "que não vale nada".

Presumo que isso seja coisa de marqueteiro, que pretende explorar o preconceito contra as mulheres que existe no eleitorado, inclusive no eleitorado feminino. A ideia da "duplicidade" feminina serve muito bem a essa estratégia, embora no final das contas acabe alvejando as pretensões femininas, de todas as brasileiras, nos campos político, pessoal e profissional.

Não deixa de ser cômico, no entanto, ver o senador Jereissati dizendo que Dilma não tem o "physique du rôle" adequado à presidência. Parece um coronel político ditando como a mulher deve ou não ser, pode ou não ser. E essa fixação por "desmascarar" a mulher que não sabe o seu lugar... Sei não, mas acho que o Tasso está tentando dizer que, se ele fosse mulher, seria uma mulher muito mais atraente e interessante que a Dilma.

Publicado no site Vi o mundo, de Luiz Carlos Azenha, em 10/02/2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

solidariedade - UM ANO DE EXISTËNCIA

Nas últimas eleições municipais de 2008, finquei pé no acompanhamento eleitoral de Santa Luzia do Pará. Preocupado com a polarização com os adversários do Prefeito Louro e do PT, acertei na opção e na prioridade, vencemos as eleições de forma muito apertada, mas vencemos. No decorrer daquele acontecimento, no calor da disputa e da polarização vi meu nome ser lembrado por diversas lideranças locais, lembrando de que eu poderia ser novamente deputado estadual, confesso que me animei inicialmente com aquela idéia.
Passado a eleição percorri uma dezena de municípios consultando algumas lideranças políticas que caminharam comigo nos últimos 20 anos próximos de minha ação militante no PT. Ouvi muito incentivo, mas também ouvi muito não, alguns até desanimadores e confesso fiquei triste como militante. Já em dezembro de 2008 era forte a possibilidade de organizarmos um movimento chamado Solidariedade.
Continuei até em Janeiro a peregrinação em busca de incentivo e apoio a minha possível candidatura a deputado. Os apoios que foram surgindo eram bem maiores do que àqueles que não se dispunham a nos acompanhar. No dia 12 de fevereiro de 2009 na Cidade de Irituia, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, fizemos uma Assembléia Regional com a participação de 60 lideranças políticas, na oportunidade foi fundado o MOVIMENTO SOLIDARIEDADE.
Nascemos da resistência e do questionamento a diversas práticas eleitoreiras e até mesmo o mandonismo e personalismo dos mandatos parlamentares e outros cargos eletivos. Muitos companheiros insatisfeitos por serem isolados após eleições, outros por questionarem o estrelismo das lideranças políticas, outros ainda por questionarem o distanciamento destas lideranças das bases políticas e outras que sonhavam e sonham com ferramentas de lutas que oportunizem formação política e lutas que ajudem a melhorar a qualidade de vida de nossa gente.
Este debate nos fez compreender que muito mais importante do que lançar em nosso nascedouro uma candidatura a deputado estadual, era organizar o nosso Movimento Solidariedade. Recuamos com este pensamento e este raciocínio estratégico, de organizar nos municípios e nas bases o nosso Movimento. Defrontamos-nos de imediato com as eleições diretas do PT, o PED. Neste meio tempo fomos nos articular com o CNB – campo do PT Construindo o Novo Brasil, entretanto não obtivemos êxito e nem fomos incentivados com o calor dos parceiros, na verdade não fomos bem vindos, afinal a maioria de nós vinha de uma ruptura com a Tendência Articulação Socialista.
Foi lá pelos meados de maio que conversamos com o Secretário Cláudio Puty e alguns companheiros da Tendência Democracia Socialista DS. Fomos convidados a conhecer o campo MENSAGEM AO PARTIDO, fomos a Brasília, eu e Marcelo Bastos, reunimos com Soriano e Hamilton Pereira, na oportunidade o Prefeito Louro estava presente num almoço, onde foi consagrado nossa nova relação política nacional e estadual, passamos a fazer parte da tendência Mensagem ao Partido.
Vivemos momentos difíceis, pressões, perseguições, fruto de nossa própria história e do tamanho que é o PT Brasil. Somos grandes, temos a maior liderança política do País e uma das expressões mais respeitadas do mundo, o Presidente Lula. Práticas combatidas por nós, fisiológicas e até mesmo resultado de nosso aprendizado marxista, maoísta, leninista, comunista ou socialista, às vezes as práticas autoritárias de Stalin, ou qualquer outro ditador se fazem presente em nossas decisões. Vivemos a resposta a nossa audácia, a nossa coragem, de romper com estruturas consolidadas e poderosas, e ter a coragem de construir um novo projeto uma nova perspectiva.
O resultado do PED desnudou as contradições e marcou a posição de que nas disputas internas do PT, existe o Movimento Solidariedade, que em apenas um ano de existência já atua numa dezena de municípios e acompanha alguns coletivos locais que vão se construindo, somos mais de 1.000 filiados e muito mais de 2.000 simpatizantes espalhados pelo Estado do Pará e com contatos noutros estados do Brasil.
Um ano de vida, nossos PARFABÉNS a cada um de nós que acreditou e teve a coragem de construir o que é hoje o MOVIMENTO SOLIDARIEDADE. Nosso calendário e agenda de fevereiro é reunir com nossos coletivos municipais e no próximo dia 06 DE MARÇO vamos fazer nossos segundo encontro estadual e fundar o INSTITUTO SOLIDARIEDADE.
Nonato Guimarães – Coordenador Estadual do Movimento Solidariedade.


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BLOG DO CIDADA - O PARTIDO E O MANDATO

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Partido e o Mandato!

Num sistema político coerente as lideranças partidárias são compostas pela representação de sua hegemonia, ou seja, não existe as chamadas “figuras públicas” desconexas da majoritariedade dos segmentos que dominam o partido. Assim sendo, o partido passa a exercer poder sobre os seus mandatos políticos naturalmente, sem que seja necessário disputas internas que exponham suas lideranças.

Contudo, no Brasil, o personalismo do seu sistema político partidário cria situações em que as pessoas são mais importantes que os partidos. Temos lideranças fortes em partidos fracos. Com o suprapartidarismo isso acaba tomando ares inconcebíveis onde os partidos deixam ser o fim para serem meio.

Nos partidos ditos de Centro Direita, essa característica se traduz no aparecimento dos chamados “caciques” das oligarquias regionais, geralmente controladas por famílias e com linhas sucessórias bem definidas, onde as disputas internas, quando existem, são normalmente resolvidas por reuniões de cúpula. Já nos partidos de Centro Esquerda, a relação de hegemonia interna é normalmente construída pelos seus mandatos populares, que organizam e coordenam o partido, reforçando portanto a liderança detentora do mandato popular, criando pois, uma relação natural entre o partido e o mandato.

No PT, esses mandatos se articulam por meio das Tendências Internas, refletindo assim a lógica própria e plural de sua organização partidária. Ocorre contudo, que a disputa partidária se reflete no processo eleitoral e vice versa. Com isso, o surgimento de uma nova liderança detentora de mandato popular é sempre vista como uma ameaça ao estado de arte das forças hegemônicas do momento.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ESSA CALOU OS AMERICANOS

ESSA CALOU OS AMERICANOS.!!!
> SHOW DO MINISTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO NOS ESTADOS
> UNIDOS
>
>
>
>
>
> Essa merece ser lida, afinal não é todo dia que um
> brasileiro dá um
> esculacho educadíssimo nos americanos!
>
> Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o
> ex-governador do
> DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM
> BUARQUE, foi
>
> questionado
> sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.
>
> O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que
> esperava a resposta
> de um Humanista e não de um brasileiro.
>
> Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:
>
>
> "De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria
> contra a
> internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos
> governos não
> tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é
> nosso.
>
> "Como humanista, sentindo o risco da degradação
> ambiental que sofre a
>
> Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como
> também de tudo
> o mais que tem importância para a humanidade.
>
> "Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser
> internacionalizada,
> internacionalizemos também as reservas de petróleo do
> mundo inteiro.O
>
> petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade
> quanto a
> Amazônia
> para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas
> sentem-se no
> direito de aumentar ou
> diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu
> preço."
>
>
> "Da mesma forma, o capital financeiro dos países
> ricos deveria ser
> internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para
> todos os seres
> humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um
> dono, ou de um
>
> país.
> Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego
> provocado pelas
> decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não
> podemos deixar que
> as reservas financeiras sirvam para queimar países
> inteiros na volúpia da
>
> especulação.
>
> "Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a
> internacionalização de
> todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve
> pertencer apenas à
> França.
> Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças
> produzidas pelo
>
> gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio
> cultural, como o
> patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e
> instruído pelo gosto de
> um proprietário
> ou de um país. Não faz muito, um milionário
> japonês,decidiu enterrar
>
> com ele, um quadro de
> um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter
> sido
> internacionalizado.
>
> "Durante este encontro, as Nações Unidas estão
> realizando o Fórum do
> Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram
> dificuldades em
>
> comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por
> isso, eu acho que
> Nova York,
> como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada.
> Pelo menos
> Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como
> Paris, Veneza,
>
> Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada
> cidade, com sua
> beleza específica, sua historia do mundo, deveria
> pertencer ao mundo
> inteiro.
>
> "Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo
> risco de deixá-la
>
> nas
> mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais
> nucleares dos
> EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de
> usar essas
> armas, provocando uma destruição milhares de vezes
> maiores do que as
>
> lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
>
> "Defendo a idéia de internacionalizar as reservas
> florestais do mundo em
> troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para
> garantir que cada
> criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à
> escola.
>
> Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas,
> não importando o
> país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados
> do mundo inteiro.
>
> "Como humanista, aceito defender a
> internacionalização do mundo.
>
> Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei
> para que a
> Amazônia
> seja nossa. Só nossa!
>
>
> DIZEM QUE ESTA MATÉRIA NÃO FOI PUBLICADA, POR RAZÕES
> ÓBVIAS. AJUDE A
> DIVULGÁ-LA, SE POSSÍVEL FAÇA TRADUÇÃO PARA OUTRAS
> LÍNGUAS QUE DOMINAR.
>

LULA O FILHO DO BRASIL - FILME

A didática de "Lula, o filho do Brasil"

Posted: 05 Jan 2010 10:32 AM PST


[Juazeiro, 1970-1979.
Alcir Lacerda.
Pirelli/MASP]

José Szwako*

"Você sabe quem é esse homem, mas não conhece a sua história". A julgar pelo seu slogan, "Lula, o filho do Brasil" cumpre de forma bastante satisfatória sua função. O filme retrata a biografia de um nordestino cujo destino é bem conhecido entre nós. A especificidade da sua história de vida, no entanto, é infinitamente mais interessante que o retrato cinematográfico. À exceção do argumento em torno de Lula, o filme se vale de alguns clichês do último cinema brasileiro. À abertura, um belo e estilizado nordeste, com a gota de suor coreografada na testa do retirante, com os tons pastel em degrade que desfilam na paisagem acre, e com direito, ainda, a um carismático cachorro, fofo. Não chega a ser um defeito, mesmo porque rende esteticamente, mas, desde a safra pós-"Central do Brasil", essa fórmula se repete à exaustão na grande tela nacional.

Ok, retratar a biografia de um presidente nao é pouca coisa e nada ajuda muito para esse empreendimento. Lula, como dizem, é "o cara". Nao é qualquer presidente, é uma figura verdadeiramente carismática com sabido nível de aprovação em pleno fim do segundo mandato. De frente para esse monstro ideológico, do qual esse filme parece ser mais produto e menos reprodutor, é quase impossível não se deixar levar pela teo-teleologia: não importa se se trata de uma criança inconformada ou de um torneiro quase despolitizado, o futuro (ou seja, a ideologia de hoje) fornece de saída os limites da interpretação: "ah, ele já era assim, ...ele foi sempre assim, ...isso tudo estava nele!". "Teima", dizia Dona Lindu. "Ele teimou", nos diz o filme. A ordem cronológica da exposição fílmica quer apontar para este futuro - o nascimento, a viagem pro sul, a escolarização primária e técnica, o primeiro emprego e os dramas no sindicato, tudo vai (nos) levando magicamente ao seu Destino.

O que mais impressiona na exposição dessa linha de vida é o seu carater didático. Tudo muito claro, tudo no seu lugar, sem metáforas nem brechas, tudo limpidamente ocupado. Assentado numa estetica kitsch do tipo "A grande família", o filme é um retrato hiperreal da história de Lula. Está tudo lá, exposto na tela: personagens são claramente apresentados, psicologias sem ambiguidade, diálogos cotidianos e inverossímeis, os jovens Lula e Marisa feitos um-para-o-outro, e um figurino que se denuncia no padrão globo de qualidadede. A música na hora certa, na imagem certa, para a lágrima certa. Enfim, um filme didático demais. Na verdade, é um filme adequado ao Brasil pós-autoritário (FHC + Lula), adequado àqueles milhões de cidadãos que, antes enclausurados na indústria cultural lado B, passaram a compor uma nova multidão de consumidores... de frango, de iogurte, de celular, de carro e também de filmes. Ora, isso nao é pouca coisa e a necessidade de objetos culturais adequados à educação sentimental dessa nova massa de consumidores não precisa ser entendida como meramente ideológica ou eleitoral; a necessidade de tais objetos e a natureza didática deles respondem, antes, às mudanças na capacidade de consumo desse e de outros bens por parte de frações significativas da população brasileira. Agora, se essas frações vão votar no candidato de Lula ou se chamam o consumo de celulares de "cidadania", isso já são outros quinhentos...




"Lula, o filho do Brasil"
Brasil, 2009. Cor. 128 min
Direção: Fábio Barreto

*José Szwako é doutorando em Ciências Sociais na Unicamp.

LULA UM LÍDER MUNDIAL

Segunda-feira, Janeiro 04, 2010

Para o que vai nascer

Um texto de Castagna Maia, saudando um novo tempo que virá:


Arrematando

E Copenhagen acabou sendo um fracasso. A culpa foi dos Estados Unidos da América, e o papel de vilão ficou reservado a Obama. Em um primeiro momento, China e EUA dividiriam a culpa pelo fracasso da conferência mundial sobre o clima. No momento seguinte, sobrou exclusivamente para os EUA. A culpa do fracasso é dos Estados Unidos da América.


II
E o Brasil? O Brasil foi extraordinário na conferência. Claro, há o pitoresco de sempre, os papagaios de pirata que foram para lá tão somente para aparecer, um turismo de luxo. Houve a presença até mesmo da Senadora Kátia Abreu, do PFL de Tocantins, sempre associada ao desmatamento e ao trabalho escravo. Houve de tudo, um festival de busca de fotografias. Mas o que interessa é a posição do Brasil, do Estado brasileiro.


III
E o Brasil foi muito bem. Lula nos representou de forma extraordinária. E Lula apaixonou, sim, o mundo. Quando as negociações estavam apontando para a frustração, foi Lula quem fez um discurso tocante, apaixonado, que calou o plenário, que envergonhou os que apequenavam a discussão.


IV
Lula é, sim, um líder mundial. Há pouco, foi escolhido pelo jornal Le Monde, da França, como a grande personalidade do ano. Dias antes foi capa do espanhol El Pais, com direito a um texto de Zapatero sobre Lula. Repito: Lula é, hoje, sim, um líder mundial. Vou adiante. Lula é, hoje, um grande líder mundial.


V
Em um mundo cinza, de poucos líderes e muitas vaidades, a autenticidade de Lula o destaca. Não é um almofadinha vassalo, como FHC, sempre pronto a usar seus dons de poliglota para falar mal do Brasil e de suas origens, sempre envergonhado de seu País, como se fosse melhor do que ele. Um típico provinciano que, saindo de sua cidadezinha, deita a falar mal do lugar de onde veio. Com Lula não é assim. Lula é admirado. E a miséria no Brasil efetivamente diminuiu.


VI
É preciso dizer isso, aqui. A miséria diminuiu, a Bolsa Família consegue, sim, tirar da miséria absoluta alguns milhões de brasileiros. Que seja assistencialista, mas não há como deixar de ser assistencialista quando se enfrenta uma massa jogada à animalidade a partir da absoluta carência em que foi mantida. O Bolsa Família é um sucesso, e vem transformando a face do Brasil. A economia se movimentou particularmente nos setores que vendem para as camadas mais pobres. O dinheiro da Bolsa Família se transforma em arroz, feijão, farinha, em tecido, em roupas, até mesmo em algum eletrodoméstico. Isso tudo movimenta a economia de uma forma diferente: é a economia que gira a partir das camadas mais pobres.


VII
Há erros enormes no governo Lula. Cito, aqui, mais uma vez, as taxas de juros, ainda mantidas em um patamar que sacrifica nosso comércio e nossa indústria. Cito a visão tacanha na previdência complementar, onde o projeto neoliberal de FHC simplesmente foi aprofundado. Cito a falta de uma visão sistêmica do sistema financeiro, embora a melhora ocorrida a partir da crise mundial. Cito a falta de uma política industrial efetiva, dentre outras coisas.


VIII
O Brasil quebrou três vezes no governo FHC. Na última, pediu 40 bilhões de dólares emprestados ao FMI. E em contrapartida alterou o monopólio estatal do petróleo para entregar boa parte de nossas riquezas às multinacionais. O País inteiro pagou o preço da incompetência e do entreguismo daquele governo. Ou seja, é preciso reconhecer, sim, que comparado ao governo FHC, o Brasil saiu do inferno no governo Lula.


IX
Não estou sendo generoso. Falo até mesmo em relação aos aposentados. No governo FHC, o tal “rolo compressor” implantou a reforma da previdência, aí incluído o Fator Previdenciário e adoção da terrível média para o cálculo das aposentadorias, envolvendo as 80% maiores contribuições. A discussão, hoje, tem outro patamar: é a de recuperação de perdas, é de inflação mais alguns pontos percentuais visando recuperar. Ou seja, há, sim, diferença.


X
Claro, poderia ser melhor. É preciso acabar com aquela média absurda e adotar outra fórmula. É preciso, ainda, acabar com o fator previdenciário. É preciso dar um norte para a previdência pública e para a previdência complementar. O que estou dizendo é que, em 1997, lutava-se contra a implantação de mecanismos que trariam, e trouxeram, perdas. Hoje, luta-se para recompor os valores. Há um ganho de qualidade na discussão. Houve, sim, melhora, não a que queríamos, mas houve.


XI
A crítica ao governo não pode ser insana. Não foi o atual governo que implantou o fator previdenciário, nem a média absurda; não foi o atual governo que fez a reforma da previdência de 1998 e que atingiu pesadamente a previdência complementar; não foi o atual governo que alterou a Constituição Federal para entregar bacias petrolíferas às multinacionais, embora tenha feito vários leilões; não foi o atual governo quem autorizou o financiamento de apropriação indébita de patrocinadoras de fundos de pensão. Em síntese, é preciso criticar, sim, o governo, mas criticar no que está errado para que não se faça coro exatamente com aqueles que querem privatizar o Estado, que querem privatizar a previdência, que querem rebaixar os valores das aposentadorias.


XII
Qual a crítica da imprensa? A de que os gastos públicos aumentaram. Sabe o que significa isso? Que, na opinião da imprensa, não deveria ter havido contratação de funcionários públicos – aí incluídos médicos, professores, fiscais do trabalho e da saúde; não deveria ter havido qualquer recomposição de aposentadoria, ainda que mínima. Não deveria ter ocorrido investimento estatal para minimizar os efeitos da crise internacional.


XIII
Ou seja, a crítica da imprensa é voltada contra os interesses do povo e na tentativa de restabelecer toda a lógica do governo FHC. Se dependesse deles, o Estado seria mínimo, a aposentadoria seria privatizada, o teto da previdência seria de 3 salários mínimos.


XIV
Pois bem: é essa mesma imprensa que buscou debochar da posição brasileira em Copenhagen, que escondeu as elogiosas referências mundiais ao Presidente do Brasil. Foi uma vergonha completa, uma manipulação brutal de informações, um apanhado de críticas improvisadas, onde a imprensa não tem o papel de informar: seu papel é fazer oposição, o de levantar bandeiras que sequer a oposição verdadeira – a que foi eleita para isso, já que a imprensa não recebeu um voto sequer – se atreveu a levantar. Ou seja, a oposição brasileira está sem bandeira porque o modelo de FHC ficou desnudo: era aquilo mesmo, uma catástrofe entreguista, antinacional e antipovo. E não conseguiu superar aquela herança perversa de um governo que naufragou atolado na corrupção das privatizações — origem de Daniel Dantas.


XV
Ou seja, a oposição ainda busca um caminho, e foi eleita para isso. A imprensa, no entanto, assume o papel de oposição e, como não são profissionais da área, saem a fazer qualquer besteira, a repercutir qualquer idiotice. Foi assim com a febre amarela, foi assim com a tal denúncia da moça da Receita Federal. E foi assim, agora, em Copenhagen. Confundiram fazer oposição a Lula com fazer oposição ao Brasil. E fizeram oposição ao Brasil.


XVI
O Brasil foi festejado no exterior. Lula levou ao mundo nosso jeito afetivo, e levou de forma autêntica. O Brasil ficou mais próximo do seu verdadeiro tamanho internacional. E chegou mais perto disso pelas mãos de quem tem pouco estudo formal, para desespero dos provincianos maledicentes que se aproveitam de qualquer oportunidade para falar mal do próprio País. O Brasil sai de Copenhagen muito mais próximo do seu verdadeiro tamanho de gigante.


XVII
Pena que Lula seja muito melhor do que o PT, pena que Lula seja muito melhor do que o seu próprio governo. Não raro as conversas com ministros são decepcionantes. Não trazem inspiração, grandeza, altivez, autenticidade. Freqüentemente fala-se apenas com um poço de vaidades em formato de gente.


XVIII
No fundo, não nos interessa Lula, que já está indo embora. Interessa é que o Brasil vai se aproximando do seu papel mundial, interessa é que houve, sim, diminuição da miséria. E interessa separar as coisas, criticar o que está errado sem fazer coro com os interesses daqueles que querem o retorno das velhas políticas entreguistas do governo FHC.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Identidade Luziense












A ocupação do território que hoje compõe a cidade de Santa Luzia do Pará se deu com o início da construção da Rodovia Federal BR 316 em 1958 no programa do Governo Militar e seu Projeto de Integração Nacional (PIN), badalando o mesmo como uma oportunidade de oferecer "TERRAS SEM HOMENS PARA HOMENS SEM TERRA", donde no km 202 distante de Belém foi construido um acampamento de obras a cem metros do principal rio dessa area, batizado pelo primeiro morador local, senhor Manoel Gaia, como rio Curí, e incentivando a migração de cearenses, maranheses e paraenses (deslocandos principalemente das cidades de Bragança e Ourém atraves dos rios Caeté e Guamá a partir das comunidades mais antigas da região, Tentugal e Jacarequara), para constituir o povoado com o nome Tabosa, em homenagem ao engenheiro responsavel pelo acampamento, Dr Tabosa. A partir da constituição do povoado Tabosa e da ligação rodoviaria com a cidade mais próxima, Capanema, esses passaram a apelidar o povoado Tabosa de vila 47, por se manter a 47 km distante da cidade de Capanema. Em 1979, a Diocese de Bragança criou na vila 47 a paroquia de Santa Luzia, em homenagem a uma santa martire italiana, com isso o povoado passou a ser conhecido tanto como vila km 47 como vila Santa Luzia dentro do municipio de Ourém.
O desenvolvimento do povoado é acelerado com a abertura da rodovia Montenegro em 1973 de interligação da cidade de Bragança a BR 316, incentivando a chegada de mais nordestinos para esse área. Na década de 1980 a discussão da região no entorno da BR 316, da cidade de Capanema até o rio Gurupí (divisa do Pará com o Maranhão) foi focada na grilagem de terras por empresarios e os conflitos armados pelo luta dos povoados no direito a permanecerem na terra, destacando a participação de Quintino da Silva Lira como líder de defesa desses povoados, o que levou a migração intensa de familias desses confritos para a vila 47, fazendo-a crescer desordenamente, principalmente após a morte de Quintino em 1982, após a expulsão de familias das suas terras. Segundo dados do IBGE em 1985 a vila Santa Luzia tinha 3.246 habitantes, em 1990 tinha 5.633 habitantes, tornando a vila de Santa Luzia com uma população urbana maior que a cidade de Ourém. Diante disso, em 28 de abril de 1991, foi realizado o plebecisto para emacipação da vila, se tornando o municipio de Santa Luzia do Pará, que continou crescendo atingindo 8.624 habitantes em 2000 e 10.987 habitantes em 2007.
Atualmente o que é comum na cidade de Santa Luzia do Pará são invasões e o crescimento desordenado da população e ainda a migração de Nordestinos na busca de construir uma vida mais digna, principalmente com a idéia que a Amazônia é uma alternativa para solucionar as exclusões e marginalizações de pessoas pobres do Nordeste do Brasil. A vulnerabilidade da cidade de Santa Luzia do Pará se situa principalmente nos bairros pobres, conduzidos também pelo fato sócio-econômico que a cidade é um entreporto de caminhoneiros de ligação do Pará com o Nordeste, como resultado a proliferação de doenças sexualmente transmissiveis.

O que mais intriga hoje na cidade de Santa Luzia é a constituição da personalidade da Amazônia no município, quando conversamos com crianças e adolescentes, esses pensam em diferenças geográficas da situação do município para a região amazônica, é visto que o bioma amazônico no município foi “rasgado” dando ênfase a agropecuaria em grandes latifundios concentrados nas mãos de poucos empresários, e assim, sem nenhuma intervesão pedagógica os futuros cidadões luzienses estão sendo criandos “fora da Amazônia”, onde as gerações futuras não se sentem situados na região Norte do Brasil. E ainda, fortalecido pelas influencias culturais nordestinas, da música, à dança e as comidas, Santa Luzia vai ser personalizando um município muito mais Nordestino do que Amazônico.