quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A vocação do PMDB

A recente convenção do PMDB confirmando Michel Temer como vice de Dilma Rousseff, confirma a linha seguida pelo PMDB, depois de Ulysses. O Partido perdeu a ambição de chegar ao governo e prefere participar, oferecendo sua forte estrutura partidária. E em troca ocupar um bom número de cargos de primeira linha. A última participação com candidato foi em 1994 com Orestes Quércia, mas os sinais já estavam presentes.


Antes, após uma decisiva participação na fase de redemocratização, o PMDB perdeu com a morte de Tancredo Neves a melhor oportunidade de governar o país. A liderança de Ulysses foi muito importante na Constituinte e nas Diretas Já, mas depois deles a situação mudou.

Ainda existem alguns nomes identificados com aquela linha de ação. Aí estão Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos entre outros, mas são minoria. Quem se beneficiou desta fase de transição do PMDB foi José Sarney que, não só assumiu a Presidência em 1985 nas condições conhecidas e, aos poucos, fez valer sua influência e poder, ingressando de vez no PMDB. O Partido de hoje, às vezes, chega a lembrar algumas fases do antigo PSD, um partido que acabou deixando como uma das lembranças a sua capacidade de negociação política.

E, sobretudo a vocação para o poder, usando suas máquinas partidárias nos estados.

o debate da economia em 2010

Não é o debate sobre a crise econômica de 2009 que deve se fazer presente na campanha eleitoral deste ano. Mas que ela, a economia vai entrar em pauta não há dúvida. Na realidade ela está presente desde há algum tempo, antes mesmo do Cruzado, Moratória, Plano Real etc. Agora o governo admite usar suas ações, diante da última crise internacional, durante os debates.
Não é por acaso que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, quase saiu vice pelo PMDB. E estará de alguma forma presente nos debates. Ao PSDB restará alguns trunfos como o Plano Real, Proer e as ações desenvolvidas durante a transição com o empréstimo-ponte com FMI para o novo governo e os conselhos do seu presidente do Banco Central, Armínio Fraga ao novo governo. Isso passou,
Agora o atual governo pretende usar o seu momento, independente dos antecedentes. E que lhe permitem alguns planos de repercussão popular. Mais uma vez, como quase sempre ocorreu, com variações de intensidade, a economia vai estar presente no debate e com ela as realizações que ela propiciou. Até agora enigmático, o tucano José Serra, sabe o que governo Fernando Henrique fez, por isso a expectativa gira em torno de Dilma Rousseff, que mesmo não tendo exercido cargo na área econômica, está atualizada.
A assessoria de Meirelles, agora um político definido e ativo politicamente, ao ponto de quase sair candidato a vice de Dilma, ao contrário de Pedro Malan, pode ser útil ao PT nesse debate. No qual o ex-presidente Fernando Henrique já deu mostras de que não estará alheio.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

a prisão do demo Arruda

Crise política aumenta com a decisão do STJ mandando prender governador Arruda

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda se entregou à Polícia Federal, após ter a prisão preventiva decretada pelo Superior Tribunal de Justiça, ontem à tarde. Os ministros da Corte Especial do STJ decidiram pelo pedido de prisão feito pela subprocuradora geral da República, Raquel Dodge e procurador geral, Roberto Gurgel. E o governador José Roberto Arruda, apesar de pedir licença do cargo após a decretação de sua prisão preventiva pelo STJ acabou cumprindo a prisão determinada na PF. Assumiu seu cargo o vice-governador Paulo Octávio. A prisão alcança mais cinco envolvidos no escândalo.


Acusado de suposta tentativa de suborno, o governador José Roberto Arruda (DF) teve sua prisão decretada pelo STJ/Foto: Wilson Dias/ABr

O governador chegou à sede da PF em Brasília por volta das 17h40. Acatou a decisão com serenidade, e espera voltar no dia em que houver decisão sobre um habeas corpus. Segundo um assessor. A defesa do governador, porém, já entrou com recurso no STF. O pedido será julgado pelo ministro Marco Aurélio de Mello.

O presidente Lula também foi logo informado pelo ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, sobre a prisão do governador do Distrito Federal. Lula conversou com o diretor da Polícia Federal. Luiz Fernando Corrêa, e, segundo Carvalho, pediu que a prisão seja feita com "muito cuidado".

Na Polícia

Ao chegar à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, por volta das 17h40m, Arruda admitiu que fora surpreendido, afirmou um de seus defensores, José Eduardo Alckmin. Para ele "a Câmara Legislativa precisaria ser consultada antes mesmo do curso do inquérito. A decisão se deu sem que a defesa do governador examinasse tudo", afirmou seu advogado, após deixar o prédio do Superior Tribunal de Justiça. E diante disso, tão logo soube da decisão do STJ, Arruda preferiu dirigir-se diretamente à Superintendência da PF. Os advogados do governador já entraram com habeas corpus no STF para tentar reverter o decreto de prisão preventiva. A prisão também envolve mais cinco envolvidos no escândalo. O pedido será julgado pelo ministro Marco Aurélio de Mello.

A decisão

Foram doze dos 15 ministros da Corte Especial do STJ que decidiram decretar a prisão preventiva do governador. O ministro Fernando Gonçalves, relator do inquérito da Operação Caixa de Pandora no STJ, acatou o pedido feito pela subprocuradora-geral da República Raquel Dodge, do Ministério Público Federal. Mas decidiu submeter sua decisão aos demais ministros, que tiveram que apresentar voto. A decisão foi tomada por maioria, vencido o ministro Nilson Naves. "A presença do governador está ligada aos recentes eventos e tem gerado instabilidade na ordem pública”, argumentou o ministro Fernando Gonçalves no relatório.

A preventiva se estende ao deputado Geraldo Naves, a Wellington Morais, ex-secretário de Comunicação do DF, Haroldo Brasil de Carvalho, ex-diretor da Companhia Energética de Brasília, e Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário particular de Arruda. Na semana passada, o conselheiro do Metrô, Antonio Bento da Silva, foi preso pela Polícia Federal ao entregar R$ 200 mil a Sombra. O pedido de prisão também é relativo à tentativa de suborno do jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, testemunha do escândalo do panetone, que teria sido montado para obstruir as investigações do esquema de arrecadação e pagamento de propina.

DEM se posiciona

Após a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda ser decretada pela Corte Especial do STJ, o DEM divulgou uma nota determinando aos seus filiados a imediata saída dos cargos que ocupam no governo de Arruda. “Seguindo a deliberação da sua Executiva Nacional e dos Líderes das Bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, o Democratas determina aos seus filiados a imediata saída dos cargos que ocupam no Governo José Roberto Arruda. A eventual inobservância da determinação acima sujeitará o filiado às sanções disciplinares previstas no Estatuto do partido”, diz a íntegra da nota

OAB

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, também divulgou nota em que diz que a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, decretada pelos ministros Superior Tribunal de Justiça repõe a ordem, a lei e o bom senso à política brasileira.

A íntegra da nota:

"A prisão do governador José Roberto Arruda pode ser o marco histórico da quebra da impunidade na política brasileira. A Justiça agiu, como é de seu dever. Não bastassem as cenas indecorosas de vídeos que falam por si, mas que não geraram efeito prático, a paralisia que se seguiu estimulou os infratores a obstruir as investigações. A prisão, requerida pelo Ministério Público Federal, decretada pelo ministro Fernando Gonçalves e confirmada pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, repõe a ordem, a lei, o bom senso e confere esperança à sociedade de que é possível derrotar a corrupção.

Não se pede vingança ou linchamento. Apenas Justiça, o estrito cumprimento da lei, dentro do devido processo legal. A sociedade brasileira pode, enfim, acreditar que há luz no fim do túnel.
Ophir Cavalcante
Presidente do Conselho Federal da OAB."

Enquanto isso, o ministro Marco Aurélio de Mello, que deve decidir sobre o habeas corpus do governador José Roberto Arruda no STF pediu informações com urgência ontem sobre o pedido.

Intervenção

Além do mais, a Procuradoria-Geral da República entrou na tarde de ontem no Supremo Tribunal Federal com um pedido de intervenção federal no governo do DF. O pedido deve ser analisado pelo plenário do Supremo e, se for aceito, o governo federal pode nomear um interventor.

De acordo com a assessoria do STF, o pedido de intervenção vai ser distribuído a um ministro relator. A decisão deve ser julgada em uma sessão plenária, convocada pelo ministro Gilmar Mendes, em data ainda não definida. Se o Supremo Tribunal Federal determinar a intervenção, o responsável por definir o novo governador e a forma com que essa intervenção será feita será o presidente da República, Lula por meio de decreto presidencial.

Depois que o presidente editar o decreto, o Congresso Nacional terá 24h para referendar ou não. A situação é inédita no Brasil e envolve os três poderes.

Acusação

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel foi incisivo na declaração sobre o fato, considerando os elementos colhidos na investigação realizada na Operação Caixa de Pandora graves e demonstrando que "o governador do Distrito Federal lidera grupo que, por ser constituído pelas mais altas autoridades do Distrito Federal, instalou-se no próprio governo e utiliza as funções públicas para desviar e apropriar-se do dinheiro público, que deixa de atender às finalidades legalmente previstas, em intolerável afronta aos que contribuíram com seus impostos para o orçamento do Distrito Federal e à própria República, especialmente porque os recursos desviados foram arrecadados não apenas dos contribuintes do Distrito Federal mas dos contribuintes de todo o país".

FHC atira em Dilma, e abate 2 tucanos com um tiro só: Serra e Aécio

A declaração do ex-presidente demo-tucano Fernando Henrique Cardoso (FHC) dizendo que topa concorrer contra Dilma Rousseff, se José Serra desistir, foi um verdadeiro tiro nas candidaturas de Serra, e no plano "B" dos tucanos: Aécio.

FHC acabou confirmando o que nenhum outro tucano de alta plumagem confirma. Pelo contrário, faz tudo para esconder e desmentir: que José Serra (PSDB/SP) cogita desistir da candidatura presidencial.

A confirmação da possibilidade de desistência, enfraquece a tentativa demo-tucana de atrair lideranças estaduais para os palanques de Serra. Afinal que candidato a governador ou senador vai amarrar seu futuro eleitoral a um candidato de futuro incerto, que não sabe ainda o que quer?

E FHC foi além: também detonou Aécio. O demo-tucano de Minas, faz tudo para desviar o foco do passado, e concentrar seu discurso num "pós-Lula". Mas o falastrão FHC estraga toda a estratégia e descontrói esse discurso, quando prega seu péssimo governo como se fosse uma "boa credencial" para a volta dos tucanos ao poder.

Por mais que se esforçassem, o PT inteiro não conseguiria fazer tanto estrago em tão pouco tempo nas candidaturas de Serra e Aécio, como fez FHC.

Para ter uma idéia do estrago, olha só o teor das notícias que começam a correr o Brasil:

domingo, 14 de fevereiro de 2010

José Serra na Bahia ouve o trio elétrico: “Dilma Rousseff, também seja bem-vinda”

O governador paulista José Serra (PSDB), esteve no camarote da Contigo, no carnaval de Salvador (BA), por volta das 20h30 deste sábado (13).

Como o tumulto estava grande, o demo-tucano paulista foi para uma sala "VIP", longe dos outros convidados e da imprensa.

Depois, com o ambiente mais calmo, ele retornou ao camarote e conferiu a apresentação da banda de axé Voa Dois.

O vocalista do grupo saudou o governador demo-tucano paulista, mas disparou um “Dilma Rousseff, também seja bem-vinda”, mesmo com a ministra não estando presente ao local naquele momento.

Na Bahia, e não come acarajé ...

O demo-tucano causou alvoroço com sua comitiva e todos os seguranças. O ciceroneavam o deputado federal ACM Neto (DEMos) e por Paulo Souto (DEMos).

Serra passou pela praça de alimentação do camarote onde comeu um risoto com carne. A organização ofereceu um acarajé, mas o governador recusou... Esperto! Serra não é muito simpático na Bahia, e vai que uma baiana que não simpatize muito com ele, carregue na pimenta! Melhor fazer a desfeita de não aceitar, do que fazer a desfeita de aceitar e não comer.

O camarote da Contigo, que é uma parceria com a cantora Daniela Mercury, é um dos mais luxuosos do Carnaval baiano. É possível dizer que há mais paulistas do que soteropolitanos circulando por no local, segundo reportagem do portal R7.

STF recebe denúncia contra deputado do DEM por desviar R$ 1 mi

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu denúncia do Ministério Público Federal contra o deputado Francisco de Assis Rodrigues (DEM-RR) pelo crime de peculato. O parlamentar é acusado de se apropriar, junto a familiares, de recursos federais de cerca de R$ 1 milhão obtidos por meio de aprovação de emenda de sua autoria ao Orçamento Geral da União. A verba seria destinada à implantação da cultura do café no município de São Luiz do Anauá (RR). Entretanto, com a emenda aprovada, teria sido realizado contrato, em 2000, sem licitação com uma empresa especializada em terraplanagem e construção civil, que pertencia ao irmão do deputado, Emanuel Andrade, e à cunhada, Andréa Cristina Batista da Silva.

POR QUE A MÍDIA ESCONDE OS FATOS

1] Por que a exemplo do que fez tantas vezes com o PT, a mídia não parte do fato policial para resgatar o passado e o presente das relações políticas do demo José Roberto Arruda? 2] Por que esquece --ou esconde?-- entre outras coisas, que Arruda foi nada menos que líder de FHC na Câmara Federal? 3] Por que a mesma amnésia subtrai ao leitor que Arruda era a grande --e única-- 'revelação administrativa' dos demos [sobretudo depois do fiasco Kassab], e nome natural' para ocupar a vice-presidência na coalizão demotucana liderada por Serra? 4] Por que, súbito, abriu-se um precipício de silencio midiático sobre as relações entre Serra e Arruda, omitindo-se, inclusive, 'o simpático' simbolismo da sintonia capilar entre ambos --mencionada por ninguém menos que o próprio governador tucano em evento conjunto em 2009? 5] Por que a obsequiosa Eliane Catanhede, da Folha, e os petizes da Veja, que tantas e tantas linhas destinaram a enaltecer a determinação de Arruda em 'cortar o gasto público' --e ainda o fazem na ressalva ao 'bom administrador que tropeçou na ética', segundo Catanhede-- sonegam aos seus leitores a auto-crítica pelo peixe podre que venderam como caviar? 6] Por que, enfim, o esfarelamento da direta nativa abrigada nos Demos não merece copiosas páginas de retrospectiva histórica, que situe para os leitores a evolução daqueles que, como Arena e PFL, foram esteio da ditadura e da tortura e hoje são os aliados carnais de José Serra?
(Carta Maior e a Quarta-feira de Cinzas da mídia demotucana

DEPOIS DE PRESO O DEM APARECE

Dirigentes do DEM defendem intervenção no Distrito Federal

Dirigentes do DEM, partido do qual se desfiliou o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), apoiam a intervenção no DF proposta pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. As informações são do jornal Estado de S. Paulo deste domingo.

Arruda foi preso na quinta-feira, acusado de tentar subornar uma testemunha do inquérito que investiga o suposto esquema de corrupção no DF, o mensalão do DEM. O senador Demóstenes Torres, o deputado federal Ronaldo Caiado, ambos democratas de Goiás, defendem a intervenção por temer que o vice em exercício, Paulo Otávio, possa ser tirado do cargo, em virtude se seu envolvimento nas denúncias. A possibilidade de renúncia não foi descartada por Otávio.

Redação Terra on line

POEMA DE LUIS FERNANDO VERÍSSIMO



DAR NÃO É FAZER AMOR

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar

Experimente ser amado...

Luís Fernando Veríssimo
Em SP, Serra chama manifestante de... ‘energúmeno’


A coisa aconteceu na cidade de Guararapes, no interior de São Paulo. Consta de notícia veiculada na Folha.

O governador tucano José Serra discursava numa cerimônia de entrega de 57 ônibus escolares.

A certa altura, Serra pediu apoio aos prefeitos da região, para instalar hospitais preparados para atender portadores de deficiência física.

Um grupo de manifestantes do sindicato dos professores fazia barulho. Munidos de apitos, tentavam sufocar o discurso.

A certa altura, um dos integrantes da turma do apito pôs-se a dirigir impropérios a Serra. O presidenciável tucano abespinhou-se:

"Esse energúmeno é contra o atendimento dos cegos, é contra os deficientes físicos, é contra os ônibus escolares [...]. É contra tudo e todos".

A maior parte da platéia aplaudiu. Os manifestantes trocaram o silvo dos apitos pela vaia. Policiais trataram de retirar o “energúmeno” do local. Alegou-se que ele desacatara o governador.

Serra disse que estava na cidade a trabalho, não em “campanha”, como os manifestantes.

Antes do sururu de Guararapes, Serra estivera em São Luiz do Paraitinga, uma das cidades mais afetadas pelas chuvas que infelicitam o Estado.

Entregara a moradores cheques de R$ 900. Dinheiro do programa Novo Começo. Um auxílio emergencial às famílias desabrigadas.

"Se depender de mim, ele será presidente", disse a dona de casa Alessandra Fernandes, uma das beneficiárias.

Campanha fora de época? Ex-ministro do TSE, o advogado Fernando Neves acha que não. Só haveria afronta à lei eleitoral, diz ele, Se houvesse pedido explícito de voto.

Como Serra não chegou a tanto, a coisa passa, no dizer do especialista, por "atividade de governo".

Então, tá! Mas não custa lembrar que os cheques poderiam chegar às mãos necessitadas por outras vias. Uma remessa bancária, por exemplo.

Aliás, não parece razoável supor que Serra vá entregar, um a um, os cheques destinados aos flagelados. Ele não teria tempo para mais nada.

Fonte: Blog do Josias

GOVERNAR UM PAIS E TRATAR TODOS COM IGUALDADE

Presidente Lula em Goiás

Lula em Goiás: Governar um país é tratar todos com igualdade

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Disposto a não deixar sem resposta insinuações de políticos que fazem oposição ao seu governo, o presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (12), durante inauguração das obras da Barragem do Ribeirão João Leite, em Goiânia (GO), que nunca discriminou governadores de São Paulo, Minas Gerais, Alagoas e Rio Grande do Sul, estados comandados pelo PSDB. Ele lembrou, como exemplos, a compra do Nossa Caixa, em São Paulo.

Lula pediu para que os prefeitos fossem indagados sobre como eram tratados no passado e no momento atual. Lula explicou que no passado só recebiam recursos do governo aqueles políticos ligados aos partidos aliados.

Lula citou como exemplo o governador de Goiás, Alcides Rodrigues, para explicar que na campanha em 2006 apoiou o ex-governador Maguito Vilela. Porém, ao ser eleito, o presidente manteve o canal de entendimento com Rodrigues, não lhe recusando recusos para obras em Goiás. E a inauguração da barragem, segundo o presidente, é outra confirmação de que “governar um país é tratar todos com igualdade”.

"Perguntem ao companheiro Alcides se faltou para ele um centavo que Goiás tivesse direito e que tivesse projeto? Aliás, deveriam perguntar para o outro [Maguito] se ele quando governador de um partido de oposição, se faltou dinheiro? Perguntem aos governadores de São Paulo, Minas Gerais, Alagoas e Rio Grande do Sul. Não é assim que se governa um país. Governar um país não é criar um grupo de amigos mas tratá-los todos em igualdades de condições", enfatizou.

Lula afirmou que uma das vertentes de sua administração é o investimento em saneamento básico. Alguns obstáculos enfrentados devem-se ao fato de o Brasil ter ficado mais de 25 anos sem investimentos em infraestrutura.

Lula lamentou o excesso causado pela legislação para liberar obras no país e afirmou que vai se mobilizar para tornar a legislação mais funcional – pediu para isso ajuda aos parlamentares. Lembrou ainda os entraves que existem para as obras do Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, mas garantiu que tão logo os problemas estejam sanados, irá pedir pressa na construção.

O presidente Lula visitou as obras concluídas e, ao término da cerimônia, deslocou-se para almoço com o governador Alcides Rodrigues e políticos da região. À tarde ele inaugura, com o prefeito de Goiânia, Íris Rezende, a Escola Municipal Jornalista Jayme Câmara, e visita unidades habitacionais do Pró-Moradia no Jardins do Cerrado, distante 40 quilômetros do centro de Goiânia.

PT TRINTÃO UMA HISTÓRIA

PT, trintão, por Selvino Heck
em 10/02/2010



Fui quase tudo no PT: militante de base mesmo antes de sua fundação, dirigente (presidente do PT/RS, membro da Executiva estadual por 15 anos, membro do Diretório estadual durante 28 anos, membro do Diretório Nacional em dois períodos), deputado estadual constituinte, candidato em seis eleições, coordenador de campanhas. Sem falar na presença em governos municipais e agora no governo Lula desde 2003.

Ou seja, fui quase tudo no PT nestes 30 anos. TRINTA ANOS, quase uma vida. Olho para trás e lembro das primeiras reuniões de fundação do partido na Igreja da Pompéia em Porto Alegre, em meio às greves dos bancários com Olívio Dutra, da ressonância das greves do ABC com Lula. Lembro de uma reunião de lideranças comunitárias na vila Santa Helena, onde eu morava, na Lomba do Pinheiro, conjunto de vilas populares na periferia de Porto Alegre, quando apareceram militantes do MR-8 ‘disputando’ as mesmas lideranças e todos os presentes disseram que iriam entrar no PT. Lembro do difícil primeiro ano, quando eu Presidente da primeira Comissão Provisória do PT de Viamão, Região Metropolitana de Porto Alegre, (município governado há quatro mandatos pelo PT) e era preciso organizar o partido, juntar algum recurso para as atividades e a burocracia, e todos eram pedreiros, serventes, funcionários públicos, donas de casa, muitos deles militantes até hoje, sem dinheiro e experiência política.

Eram tempos de muita alegria e entusiasmo. Fazíamos tudo ao mesmo tempo: organizar as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e a Pastoral Operária, lutar por água, saneamento, qualidade do transporte público nas Associações de Bairro, apoiar a Oposição Sindical da Construção Civil, fazer sair todos os meses o jornal O Lomba, militar no Núcleo do PT da Lomba do Pinheiro fundado em 1980. E discutir política, fazer cursos de formação, andar a pé por todas as vilas para convidar as pessoas a participar.

O PT surgiu assim, no esforço militante de base, na luta pela Anistia e pelas Diretas-Já. Ninguém tinha experiência política ou partidária. Todos eram igual noviços: primeiro partido, primeiras eleições, aprendendo no dia a dia. A luta interna não existia porque ninguém sabia ou conhecia tendências. Seguido aparecia alguém de diferentes grupos organizados tentando ‘ganhar’ algum militante. A nós interessava, do mesmo jeito que melhorar o transporte público ou ter um sindicato combativo, ter um partido que todos e todas construíssem junto, para não ter de votar a cada eleição em candidatos que não eram conhecidos ou não tinham compromisso com os problemas das vilas populares ou dos trabalhadores.

1980 não é 2010 nem poderia ser. O PT cresceu em número de parlamentares, em número de governos – governa até o Brasil -, em estrutura. Como tudo na vida, institucionalizou-se. Os tempos também mudaram. Pela primeira vez na história do Brasil, partidos completam 30 anos na legalidade. A democracia brasileira e latino-americana está se consolidando, embora ainda sua precariedade e limites. O Brasil passaram por diferentes governos e pelo neoliberalismo, o mundo atravessou crises profundas como a atual. As utopias de então, 1980, não necessariamente são as mesmas de 2010, até porque o Muro caiu.

Que dizer então hoje do PT trintão? Está a caminho da maturidade ou envelheceu? É capaz de superar suas próprias crises e eventuais desvios, rejuvenescer-se, continuar ligando o sonho da transformação à realidade e à vida do povo, mesmo sendo instituição e governo?

Permaneço no PT como muitos ou a maioria que o começou. Há os que abandonaram o barco, alguns com justas ou aceitáveis razões, por não o verem mais revolucionário como há 30 anos, outros tantos o largaram porque abandonaram idéias de mudança e resolveram cuidar da vida.

Permaneço no PT porque ainda acredito em partidos como necessários para promover a mudança, embora milite e tenha sempre um pé nos movimentos sociais e na educação popular, até mesmo no governo Lula, com a construção da Rede TALHER de Educação Cidadã e do Programa Escolas-Irmãs.

Permaneço no PT porque, olhando o cenário brasileiro, não vejo nenhum partido capaz, como o PT, de apontar o futuro, capaz de mexer com milhares de filiados, fazê-los sair de casa, capaz de promover debates e reflexões, fazer ainda chorar de entusiasmo e paixão algumas vezes, como no último Encontro Estadual do Rio Grande do Sul, quando Tarso Genro foi escolhido candidato a governador.
Permaneço no PT, porque ainda tem a condição, mesmo nas imperfeições, não poucas, de lutar pelo novo e diferente, ainda permite a divergência e a troca de idéias, ainda consegue de algum modo enfrentar seus erros e mazelas, como quando institui um Código de Ética à luz da crise vivida em 2005.

É o partido dos meus sonhos e da perfeição? Talvez não seja mais. Talvez nunca tenha sido. Errou e acertou. Cabe perguntar: mais erros ou mais acertos? A complexidade econômica, social, cultural de um país como o Brasil ou mesmo a natureza humana exigem manter os pés no chão. Nada e ninguém é perfeito, embora algumas coisas possam ser melhores que as outras.

Inegavelmente, hoje ninguém o nega, o PT tem prestado enormes serviços ao Brasil e ao seu povo. Lutou contra a ditadura. Trouxe ao Parlamento vozes lá nunca ouvidas antes. Levou aos governos práticas como o Orçamento Participativo, que revolucionam a coisa pública. Levou para o cenário político, como ninguém tinha feito antes, os pobres e trabalhadores que ao longo de séculos sempre foram condenados ao fundo do palco ou no máximo a serem os depositantes do voto nos coronéis de plantão.

É certo que todos e todas que ajudamos o Partido dos Trabalhadores a ser trintão fizemos e fazemos história. Por isso, longa vida ao PT e aos seus militantes corajosos, dedicados, sonhadores, generosos, revolucionários.

*Selvino Heck é assessor Especial do Gabinete do Presidente da República

PT 30 ANOS

Uma história, um partido, por Dr. Rosinha
em 10/02/2010



Os fatos podem ser mais ou menos relevantes. Podem entrar ou não para a história de um país. Mas, de alguma forma, entram sempre na história de vida das pessoas que deles participaram.

Muitos participam dos fatos e, depois, sequer são citados quando a história é contada. São anônimos perante a história, mas o fato não é anônimo para as suas vidas. Todos têm uma história para contar, uma parte da história, às vezes mínima, sobre sua participação.

Contam, assim, "uma história". E aqui vai uma breve história de um fato que entrou para a história do Brasil.

Até 1980, eu não militava em nenhum partido político. Militava no movimento em defesa da saúde pública e pelos direitos dos médicos residentes. Militava junto aos movimentos sociais de Curitiba. Fazia palestras sobre saúde e direitos de cidadania.

Final da década de 1970. Surge o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes) e o Reme (Movimento de Renovação Médica). Participo de ambos e, como resultado, sou escolhido presidente do Cebes, núcleo de Curitiba, e eleito como suplente para a diretoria do Sindicato dos Médicos do Paraná.

Na mesma época, há grande agitação política e social no Brasil, contra a ditadura militar. No seio dessa mesma agitação, começa o debate sobre a criação de um partido político de esquerda. Participo desse debate entre os militantes do movimento da saúde pública, que já na época discutia a implantação de um sistema único de saúde.

Cria-se em Curitiba e no país um movimento "pró-PT". Tomo ciência da reunião que estava sendo preparada para São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1980. Um dos critérios para participar era ser dirigente de alguma entidade de caráter social, e eu presidia o Cebes. Após algum debate e reflexão, candidatei-me a ir para a reunião.

De Curitiba saiu um ônibus, com pouco mais de 30 pessoas, além de alguns automóveis. Fui de carro, com o advogado Luiz Salvador. Se não me falha a memória, era uma Brasília azul. Para não cometer injustiça e omissões, não citarei o nome dos paranaenses que conhecia ou que conheci depois e que lá também estavam.

No dia 10 de fevereiro de 1980, há 30 anos, o PT ganhava vida e começava a entrar e a criar a história do nosso país. E eu comecei a vida política partidária e a ter uma história para contar.

Não há espaço aqui para relatar tudo o que carrego daquele dia. Mas posso registrar que havia, no olhar de todos os presentes no Colégio Sion, líderes ou não, o brilho da esperança de construir um novo país. Com a participação efetiva dos trabalhadores, sob o marco do socialismo, palavra que, naquele momento, de ditadura, não poderia estar escrita. Construir uma força política organizada e autônoma, com a participação de trabalhadores e trabalhadoras. Enfim, um partido de massas.

Participei de todas as fases de construção do PT, que, aliás, não foram fáceis: filiar pessoas para legalizar o partido; eleição de 1982, com o voto vinculado, cujo resultado gerou uma crise no partido; perseguição a militantes com demissões ou não contratação para trabalhar. Superamos os obstáculos com muita solidariedade.

Ao comemorar 30 anos de PT, posso dizer que me orgulho por ter participado dessa história, e de ter uma história para contar. Posso afirmar que, em parte, o Brasil é o que é hoje graças ao Partido dos Trabalhadores. Não nego a história dos outros, mas foi o PT o principal partido a sair às ruas para exigir a democratização do país, e o primeiro a levantar a bandeira da eleição direta para presidente.

O PT conseguiu dar voz e vez aos explorados e oprimidos. E é do PT o presidente que faz hoje o melhor governo da nossa história. E este é apenas um fragmento de uma grande história, ainda em curso.

*Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR).

ESTADO PROBLEMA E SOLUÇÕES

Estado: problema e soluções, por Emir Sader
em 11/02/2010




A crise econômica internacional terminou de projetar o Estado no centro dos debates não apenas econômicos, mas políticos e ideológicos. Ser “estatista” tinha se tornado um dos piores palavrões, ao lado de “populista”. Um remetia à regulação da economia, e à indução do crescimento pelo Estado, enquanto o outro, às políticas sociais redistributivas.

Há quase um século – mais precisamente, há 9 décadas – o Estado tinha passado a assumir um sinal positivo, diante das conseqüências da crise de 1929. Unanimemente atribuída ao liberalismo econômico, as tres correntes que surgiram ou se fortaleceram a partir dali – o keynesianismo, o socialismo soviético e o fascismo – atribuíram papel estratégico e permanente ao Estado. Foi no esgotamento do ciclo longo expansivo do capitalismo que as teses anti-estatistas – hibernadas durante muito tempo – voltaram à baila.

Elas estavam sintetizadas na tese reaganiana de que “O Estado não é a solução, é o problema.” A perda do ritmo de expansão das economias e o surgimento da chamada “estagflação” (estagnação com inflação) foi atribuído centralmente ao Estado, para o qual foram dirigidas as baterias do grande capital e dos seus porta-vozes na academia, no foros econômicos e na imprensa. De forma resumida, as regulações que limitariam a livre circulação do capital seriam os fatores da recessão e os freios para uma retomada do desenvolvimento econômico.

Vitoriosos, os (neo)liberais promoveram uma gigantesca operação de desqualificação do Estado e, sintonizado com ele, da política, das relações de poder, dos partidos, das alternativas coletivas. E, automaticamente, a exaltação das virtudes do mercado, que passaram a monopolizar a idéia de “dinamismo”, de “alocação virtuosa de recursos”, de “sociedade de oportunidades”, de “liberdade econômica”, de “modernização econômica”, de “desenvolvimento tecnológico”.

“Estatista” passou a ser palavrão, desqualificador, ao lado de “populista”. O retiro do Estado representou expropriação de direitos, devastação do nível de emprego, das empresas nacionais, se expandiu como nunca a precarização das relações de trabalho, o desemprego, a concentração de renda, a exclusão social, a pobreza e a miséria. As distâncias e as contradições entre o centro do mundo e a periferia aumentaram exponencialmente, os continentes do Sul regrediram nas condições de vida da massa da população, que vive nessa região do mundo.

Menos Estado, não significou mais cidadania, mais dinamismo econômico, nada disso. Representou mais mercado, um mercado controlado por grandes monopólios, pelo grande capital financeiro. Representou menos cidadania, porque menos direitos.

O combate da direita contra o Estado se dá contra os elementos de regulação da livre circulação do capital – entrada e saída de capitais dos países, menos impostos, flexibilização para contratar força de trabalho nas condições que os empresários entendam, privatização de patrimônio publico, entre outros. O Estado que eles gostam e que se manteve, é o que lhes fornece subsídios, isenções, créditos, perdões de dívidas. Em suma, Estado mínimo para a grande maioria dos explorados, oprimidos, discriminados. E Estado máximo para o grande capital e o grande empresariado.

A crise econômica internacional demandou fortemente a ação do Estado, ao lado da falência do mercado como alocador de recursos, ao mesmo tempo em que sua capacidade para reimpulsar o desenvolvimento se revelou falsa. No Brasil, a grande virada na política governamental - a partir da segunda metade do primeiro mandato de Lula, mas claramente definida no segundo – mudou o papel do Estado, na concepção e na ação concreta. Foi o grande agente que permitiu o novo ciclo expansivo da economia, a consolidação das políticas sociais e o enfrentamento dos efeitos da crise econômica internacional.

Os discursos de Lula e da Dilma refletem esse resgate do Estado brasileiro, que estão fortemente presentes no documento básico apresentado ao Congresso do PT. Bastou, para que a mídia empresarial levantasse os seus alertas sobre os riscos de um Estado excessivamente forte, do “estatismo”, de que o programa da Dilma a colocaria à esquerda do governo Lula e os riscos que isso representaria.

O consenso em relação ao Estado mudou com o governo Lula. Como Dilma conta no livro que organizamos com o Marco Aurélio Garcia (“Brasil, entre o passado e o futuro”, coedição da Boitempo com a Perseu Abramo, com artigos, pela ordem do índice, de Emir Sader, Jorge Mattoso, Nelson Barbosa, Marcio Pochmann, Luiz Dulci, Marco Aurélio Garcia e Dilma Rousseff), no momento do lançamento do PAC, ela foi chamada ao Congresso para explicar a participação do Estado, mas quando foi lançado o "Minha casa, minha vida", isso não voltou a ocorrer. Foi se avançando na consciência do papel indispensável do Estado.

The Economist lamenta a fraqueza do liberalismo econômico no Brasil, considerando que os dois candidatos mais importantes teriam concepções similares, distantes do liberalismo. Alegam que a principal razão seria o voto obrigatório que, segundo eles, teria como conseqüência um eleitorado favorável à participação do Estado, porque os pobres – a grande maioria – tenderiam a pedir mais Estado, que é a fonte dos seus direitos, das políticas sociais redistributivas, a quem eles podem apelar quando sentem injustiças, etc. etc. (Razão, por si só, para que fôssemos a favor do voto obrigatório.)

Bastou os alarmes disparados pela imprensa e as reações se fizeram sentir, na direita e na própria esquerda. Naquela, tentar transformar esse tema em um eventual risco, em um fator de instabilidade, de mais tributação, em limitações ao “mercado”, em mais gastos públicos, etc. Em suma, tentar fortalecer a pauta da direita: menos Estado, menos impostos, mais mercado.

Se o Brasil hoje é uma sociedade menos injusta é, em grande medida, pela ação do Estado brasileiro. Se o Brasil é hoje um país com grande e prestigiada presença internacional, é pela ação do Estado brasileiro. Se resistimos à crise de forma muito positiva, é graças ao Estado brasileiro.

A maior discussão hoje é aquela sobre o tipo de Estado e, extremamente vinculada a ela, sobre o tipo de sociedade que precisamos e queremos. Voltar a fortalecer o papel do Estado, como foi feito até aqui, revelou-se indispensável para retomar o desenvolvimento, fortalecer as políticas sociais e enfrentar em melhores condições os efeitos da crise.

Mas o Estado forte que precisamos é o Estado que cada vez mais se centra na esfera pública, deslocando seu eixo da financeirização a que estava condenado com a hegemonia inquestionada do capital especulativo no seu interior. Trata-se de reformar o Estado, debilitando a esfera mercantil e fortalecendo a esfera pública, isto é, transferindo para a esfera dos direitos o que havia sido privatizado, sobretudo direitos essenciais, como os de educação, saúde, comunicação, cultura, habitação e outros serviços essenciais.

Estado forte é o que estende o reconhecimento da cidadania a setores cada vez mais amplos da sociedade, até que todos os brasileiros se sintam e sejam realmente cidadãos – sujeitos de direitos. Governava-se o Brasil para um quarto ou um terço da população, o restante sendo considerados “excedentes” pelo mercado. Esse era um Estado fraco, não apenas porque abriu mão de patrimônio público mediante privatizações a preço de banana, mas também porque era um Estado excludente, para uma minoria, com instituições estatais enfraquecidas, com serviços públicos sem recursos, que arrecadavam recursos prioritariamente para pagar a divida publica, transferindo recursos do setor produtivo para o especulativo.

Um Brasil democrático requer um Estado centrado na esfera pública, que centralmente universalize direitos, consolide a soberania nacional, fortalece as alianças regionais e do Sul do mundo, que potencialize nossas energias e fortaleça os que até aqui foram maiores vitimas da globalização neoliberal.

As pressões da direita – e, em especial do seu segmento midiático – são para que a esquerda se assuste com as acusações de “estatismo”. Não temos que nos assustar, como não nos assustamos com as de “populismo” e seguimos estendendo as políticas sociais, que são o maior bastião de apoio e legitimidade do governo. Quer a direita que não disponhamos dos instrumentos para acelerar o desenvolvimento do país, para canalizar os investimentos cada vez mais para a esfera produtiva, para seguir estendendo as políticas sociais, agora plenamente para o campo da habitação, do saneamento básico, da universalização da banda larga na internet.

Como disse Dilma na entrevista do livro mencionado, não são os empresários os que defendem a retração do Estado, mas os ideólogos que pretendem falar no seu nome. Pelo sim ou pelo não, estamos seguros – como disse, com plena consciência The Economist – o povo quer mais Estado, porque sabe, por experiência própria, que é quem garante seus direitos, na contramão do mercado que, ao contrário, só acentua a concentração de renda e a exclusão social.

Publicado no Blog do Emir, em 7/2/2010

AS MULHERES E DILMA

Ataques a Dilma negam humanidade de ministra e protagonismo das mulheres, por Luiz Carlos Azenha
em 11/02/2010




Eu acho que vocês, mulheres, poderiam montar um blog para colecionar os ataques com tons machistas e sexistas que os tucanos e o PSDB estão disparando contra a ministra Dilma Rousseff.

Não se trata apenas de uma crítica política a que Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati estão fazendo à ministra. É uma tentativa mal disfarçada de desqualificar a pessoa, como se ela fosse apenas "reflexo" de um líder (nas palavras do ex-presidente) ou uma "candidata de silicone", nas palavras de Jereissati. As duas críticas negam humanidade à ministra. E negam também protagonismo. As duas críticas tentam pintar Dilma como um pedaço de geléia, inerte, sem vontade própria -- características que muitos homens brasileiros gostam de ver em "suas" mulheres, mas que não são boas em um líder.

Temos, então, um paradoxo: para alguns, Dilma a "terrorista"; para outros, Dilma a "boneca inflavel". Duas formas de sugerir ao eleitorado que se trata de uma mulher "que não vale nada".

Presumo que isso seja coisa de marqueteiro, que pretende explorar o preconceito contra as mulheres que existe no eleitorado, inclusive no eleitorado feminino. A ideia da "duplicidade" feminina serve muito bem a essa estratégia, embora no final das contas acabe alvejando as pretensões femininas, de todas as brasileiras, nos campos político, pessoal e profissional.

Não deixa de ser cômico, no entanto, ver o senador Jereissati dizendo que Dilma não tem o "physique du rôle" adequado à presidência. Parece um coronel político ditando como a mulher deve ou não ser, pode ou não ser. E essa fixação por "desmascarar" a mulher que não sabe o seu lugar... Sei não, mas acho que o Tasso está tentando dizer que, se ele fosse mulher, seria uma mulher muito mais atraente e interessante que a Dilma.

Publicado no site Vi o mundo, de Luiz Carlos Azenha, em 10/02/2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

solidariedade - UM ANO DE EXISTËNCIA

Nas últimas eleições municipais de 2008, finquei pé no acompanhamento eleitoral de Santa Luzia do Pará. Preocupado com a polarização com os adversários do Prefeito Louro e do PT, acertei na opção e na prioridade, vencemos as eleições de forma muito apertada, mas vencemos. No decorrer daquele acontecimento, no calor da disputa e da polarização vi meu nome ser lembrado por diversas lideranças locais, lembrando de que eu poderia ser novamente deputado estadual, confesso que me animei inicialmente com aquela idéia.
Passado a eleição percorri uma dezena de municípios consultando algumas lideranças políticas que caminharam comigo nos últimos 20 anos próximos de minha ação militante no PT. Ouvi muito incentivo, mas também ouvi muito não, alguns até desanimadores e confesso fiquei triste como militante. Já em dezembro de 2008 era forte a possibilidade de organizarmos um movimento chamado Solidariedade.
Continuei até em Janeiro a peregrinação em busca de incentivo e apoio a minha possível candidatura a deputado. Os apoios que foram surgindo eram bem maiores do que àqueles que não se dispunham a nos acompanhar. No dia 12 de fevereiro de 2009 na Cidade de Irituia, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, fizemos uma Assembléia Regional com a participação de 60 lideranças políticas, na oportunidade foi fundado o MOVIMENTO SOLIDARIEDADE.
Nascemos da resistência e do questionamento a diversas práticas eleitoreiras e até mesmo o mandonismo e personalismo dos mandatos parlamentares e outros cargos eletivos. Muitos companheiros insatisfeitos por serem isolados após eleições, outros por questionarem o estrelismo das lideranças políticas, outros ainda por questionarem o distanciamento destas lideranças das bases políticas e outras que sonhavam e sonham com ferramentas de lutas que oportunizem formação política e lutas que ajudem a melhorar a qualidade de vida de nossa gente.
Este debate nos fez compreender que muito mais importante do que lançar em nosso nascedouro uma candidatura a deputado estadual, era organizar o nosso Movimento Solidariedade. Recuamos com este pensamento e este raciocínio estratégico, de organizar nos municípios e nas bases o nosso Movimento. Defrontamos-nos de imediato com as eleições diretas do PT, o PED. Neste meio tempo fomos nos articular com o CNB – campo do PT Construindo o Novo Brasil, entretanto não obtivemos êxito e nem fomos incentivados com o calor dos parceiros, na verdade não fomos bem vindos, afinal a maioria de nós vinha de uma ruptura com a Tendência Articulação Socialista.
Foi lá pelos meados de maio que conversamos com o Secretário Cláudio Puty e alguns companheiros da Tendência Democracia Socialista DS. Fomos convidados a conhecer o campo MENSAGEM AO PARTIDO, fomos a Brasília, eu e Marcelo Bastos, reunimos com Soriano e Hamilton Pereira, na oportunidade o Prefeito Louro estava presente num almoço, onde foi consagrado nossa nova relação política nacional e estadual, passamos a fazer parte da tendência Mensagem ao Partido.
Vivemos momentos difíceis, pressões, perseguições, fruto de nossa própria história e do tamanho que é o PT Brasil. Somos grandes, temos a maior liderança política do País e uma das expressões mais respeitadas do mundo, o Presidente Lula. Práticas combatidas por nós, fisiológicas e até mesmo resultado de nosso aprendizado marxista, maoísta, leninista, comunista ou socialista, às vezes as práticas autoritárias de Stalin, ou qualquer outro ditador se fazem presente em nossas decisões. Vivemos a resposta a nossa audácia, a nossa coragem, de romper com estruturas consolidadas e poderosas, e ter a coragem de construir um novo projeto uma nova perspectiva.
O resultado do PED desnudou as contradições e marcou a posição de que nas disputas internas do PT, existe o Movimento Solidariedade, que em apenas um ano de existência já atua numa dezena de municípios e acompanha alguns coletivos locais que vão se construindo, somos mais de 1.000 filiados e muito mais de 2.000 simpatizantes espalhados pelo Estado do Pará e com contatos noutros estados do Brasil.
Um ano de vida, nossos PARFABÉNS a cada um de nós que acreditou e teve a coragem de construir o que é hoje o MOVIMENTO SOLIDARIEDADE. Nosso calendário e agenda de fevereiro é reunir com nossos coletivos municipais e no próximo dia 06 DE MARÇO vamos fazer nossos segundo encontro estadual e fundar o INSTITUTO SOLIDARIEDADE.
Nonato Guimarães – Coordenador Estadual do Movimento Solidariedade.


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BLOG DO CIDADA - O PARTIDO E O MANDATO

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Partido e o Mandato!

Num sistema político coerente as lideranças partidárias são compostas pela representação de sua hegemonia, ou seja, não existe as chamadas “figuras públicas” desconexas da majoritariedade dos segmentos que dominam o partido. Assim sendo, o partido passa a exercer poder sobre os seus mandatos políticos naturalmente, sem que seja necessário disputas internas que exponham suas lideranças.

Contudo, no Brasil, o personalismo do seu sistema político partidário cria situações em que as pessoas são mais importantes que os partidos. Temos lideranças fortes em partidos fracos. Com o suprapartidarismo isso acaba tomando ares inconcebíveis onde os partidos deixam ser o fim para serem meio.

Nos partidos ditos de Centro Direita, essa característica se traduz no aparecimento dos chamados “caciques” das oligarquias regionais, geralmente controladas por famílias e com linhas sucessórias bem definidas, onde as disputas internas, quando existem, são normalmente resolvidas por reuniões de cúpula. Já nos partidos de Centro Esquerda, a relação de hegemonia interna é normalmente construída pelos seus mandatos populares, que organizam e coordenam o partido, reforçando portanto a liderança detentora do mandato popular, criando pois, uma relação natural entre o partido e o mandato.

No PT, esses mandatos se articulam por meio das Tendências Internas, refletindo assim a lógica própria e plural de sua organização partidária. Ocorre contudo, que a disputa partidária se reflete no processo eleitoral e vice versa. Com isso, o surgimento de uma nova liderança detentora de mandato popular é sempre vista como uma ameaça ao estado de arte das forças hegemônicas do momento.