segunda-feira, 31 de agosto de 2009

FEFLITA SOBRE O TEXTO

RATO COMENDO RATO

Laerte Braga

Há uma diferença entre o modus operandi da quadrilha GLOBO e o da quadrilha RECORDE. Ou, mais precisamente, de Edir, o Macedo. A quadrilha GLOBO reveste-se da sofisticação FIESP/DASLU. Sugere que a rede seja povoada de príncipes, duques, marqueses, condes, viscondes e barões. Tenham, todos, perfeita noção de como se comportar em público, algo assim como bater carteira em uma dimensão impressionante, sem que as vítimas percebam e até sintam-se agradecidas pelo privilégio de poder assistir Xuxa aconselhando e formando as nossas crianças.

Olham para o outro lado quando cometem toda a sorte de crimes que pode um veículo de comunicação, uma rede com seu tamanho, cometer. Todos de terno, gravata, combinação perfeita até a roupa debaixo.

Edir, o Macedo, esse não. Tem consciência que existem métodos capazes de fazê-lo chegar a ingênuos e incautos e construiu um império na base do “dá ou desce”.

GLOBO e RECORDE servem ao mesmo senhor.

As denúncias feitas pelo programa “REPÓRTER RECORDE”, edição de domingo 16 de agosto, são todas verdadeiras, inclusive as que dizem respeito às promíscuas relações da REDE GLOBO com setores do Ministério Público de São Paulo. São Paulo! É preciso prestar atenção a esse detalhe. Um país vizinho que fala a mesma língua. E vêm com um exército de tucanos, democratas, mais alguns carregadores de mochilas dos senhores, caso de Roberto Freire, numa tentativa de transformar o Brasil, definitivamente, num estado norte-americano.

As denúncias sobre Edir Macedo, requentadas ou não, são reais.

O programa da RECORDE foi certinho, se é que nesse amontoado de bandidos existe alguma coisa ou alguém certinho – a não ser na bandidagem –, até a entrevista de Edir, o Macedo.

A explicação do “bispo” sobre o vídeo em que aparece orientando seus pastores a tomar dinheiro dos fiéis é inacreditável em termos de cara de pau. A figura em questão dizia aos pastores que quem quiser doar bem, quem não quiser amém, só que de um jeito bem ao estilo Beira-mar. “Ou dá, ou desce”.

“Cândido”, “vítima”, “salvador de almas”, explicou que quem dá sobe no mundo espiritual e quem não dá desce no mundo espiritual.

Putz! É uma sem vergonhice próxima do absoluto.

Creio que nos dias seguintes deverão entrar em cena os representantes dos senhores de tudo e todos – ou quase todos – para explicar que essa briga não interessa a eles donos dos “negócios” e é preciso acabar antes que os danos sejam irreversíveis.

A cara de pau de Edir, o Macedo, quando falou de “fé emocional”, sugerindo que a fé que vende seja racional, em crítica direta ao padre Marcelo Rossi, beira a perfeição. Foi assim como um piparote para quem entende que pingo é letra. Marcelo Rossi é a resposta da Igreja Católica, dos setores mais atrasados dessa Igreja (controlam Roma desde a ascensão de João Paulo II) ao avanço neopentecostal às suas fileiras. Não há diferenças entre o “bispo” e o padre, só de estilo.

E a ameaça de Macedo. Levar sua igreja aos muçulmanos. Insere-se no projeto político de dominação e domesticação dos povos do Islã. Os muçulmanos ocuparam a Espanha por três séculos e quando saíram os monumentos e igrejas cristãos estava intactos, preservados. Onde as hordas das cruzadas comandadas por papas passaram, no Oriente Médio, a política foi de terra arrasada contra os “impuros”.

Edir, o Macedo, cumpre um papel político. Tanto se insere num contexto geral, dos donos do mundo, como se beneficia disso, gerindo um império de proporções impressionantes.

A GLOBO é a mesma coisa. Cumpre o mesmo papel. Ao longo de sua história construída sobre fraudes e sustentando-se na ditadura militar, serve hoje a Washington e ao modelo econômico neoliberal, logo, a esse modelo político asfixiante e que se constitui em termos de História, numa fase aguda da exploração do homem pelo homem.

Macedo já está em Miami, base das grandes quadrilhas que operam as mais variadas modalidades criminosas, desde as legalizadas, às chamadas do crime organizado. Joga, esperto que é, com a própria divisão entre os donos. O lado vaselina, que é o de Barak Obama (o garçom) e o lado areia, do esquema de Bush e outros.

Como donos são donos, eles se entendem e nesse esquema sórdido tanto um quanto outro, GLOBO e Macedo se tornam necessários. Desde, evidente, que não ultrapassem determinados limites e a briga entre ambos não prejudique os “interesses maiores”. Aí, o que for mais fraco dança. Neste momento Macedo joga um jogo arriscado, mas escorado em oito milhões de fiéis, um eleitorado e tanto. Sabe que seu adversário, GLOBO, enfrenta dificuldades, sustenta-se de dinheiro público e o padrão chamado global começa a dar sinais de esgotamento.

A comunicação é fator de extrema importância nos dias de hoje. Você pode pegar um grupo de dentistas, por exemplo, que ao arrepio da ética vão dizer que Colgate é melhor e previne e evita cáries. Ganham um bom dinheiro para isso. É só um exemplo de um processo mais amplo que transforma o ser humano em rês. Em mero consumidor. Vazio e despido do mínimo espírito crítico diante de si mesmo, logo algo amorfo. Não contesta e admite as formas de escravidão sob as quais vive.

Amplie tudo isso é enxergue o mundo em que automóvel se transforma em anjo de guarda e bancos e grandes empresas, os grandes latifúndios, em templos do capitalismo. O deus mercado.

A GLOBO tem investido contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusando-o de restringir a “liberdade de imprensa”, ao fechar rádios e tevês como a GLOBO e a RECORDE e a criar rádios e tevês comunitárias, ligadas a sindicatos, associações do movimento popular, ou mesmo à iniciativa privada, mas dentro de parâmetros de verdade, ética na informação e tudo o que não existe no Brasil nas “famílias” que controlam o setor.

A reação a RECORDE é apenas a reação a um novato que entra de cabeça no meio e afeta os “negócios” até então bem divididos entre redes de tevê, jornais, revistas e rádios.

Para melhor ilustrar, Mariel Mariscot era um policial ligado a grupos torturadores à época da ditadura. Corrupto, deixou a Polícia, transformou-se em estrela de televisão por uns breves momentos e resolveu ser banqueiro de jogo de bicho. Esbarrou nos donos do jogo do bicho. Não queriam concorrência no clube que geriam. Mariscot apareceu morto sem que se apurasse o culpado, ou culpados.

Não é o caso de Macedo, lógico. Tem respaldo no clube freqüentado pelos donos. Mas sabe, ele próprio, que não pode esticar a corda a ponto de arrebentá-la. Como sabe a GLOBO que há também um limite nessa história.

Está prevista uma conferência nacional de comunicação para dezembro. A idéia é discutir toda essa realidade e abrir caminhos para a efetiva democratização do setor. Nada de tratar o cidadão como idiota, definição de William Bonner para o telespectador do JORNAL NACIONAL.

Os bandidos sabem disso e já começam um movimento de cerco a essa conferência. A Fundação Ford, partícipe de vários golpes de estado na América Latina, se prontifica a ajudar a organização da conferência. Esse ajudar aí equivale a meter o tacão de ultra direita e manter o controle.

Chávez não restringiu liberdade alguma de informação. Chávez colocou o dedo na ferida. O papel que cumprem as grandes redes de tevê e rádio como a GLOBO e a RECORDE.

É necessário fazer o mesmo por aqui. Do contrário grandes complexos de comunicação irão se constituir, sempre, em fator de controle e alienação, como hoje GLOBO e RECORDE. Ou como VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO, todo o espectro da informação em nosso País.

É preciso explicar, apurar cada centavo de dinheiro público dado à GLOBO, desde sua fundação, passando pela ditadura militar (da qual foi o principal instrumento de comunicação), aos convênios que geram programas educativos às cinco da manhã (para ninguém), aos socorros ilegais dados pelo BNDES em momentos de situação falimentar. Às ligações com os grupos que governam São Paulo. E começam em Mário Covas, passam por Geraldo Alckimin e chegam a José Serra.

O próprio governo federal, vítima constante de chantagens da rede. Como no episódio do falso dossiê nas vésperas das eleições de 2006. A GLOBO deixou de lado a queda do avião da GOL para cumprir seu papel dentro do esquema FIESP/DASLU. Notórios criminosos.

Como é necessária uma ampla discussão sobre o papel das redes de tevê e rádio no País. São concessões de serviço público e têm regras básicas definidas, ainda que falte legislação específica, como existe em países outros. Na Grã Bretanha, na matriz, os EUA.

Bem mais que isso. Ação do governo federal para coibir e redesenhar o setor, privilegiando a comunicação voltada para processos de formação e conscientização do brasileiro. Não o atual, de alienação e mentiras a serviço dos piores criminosos que se possa imaginar. Sejam eles os irmãos Marinho, seja ele um pilantra do “dá ou desce” como Edir Macedo. E todos os outros.

Do contrário vamos continuar assistindo ao filho de Renan Calheiros ganhando concessões de rádio. A José Sarney dono das afiliadas da GLOBO no seu feudo. A família de ACM na Bahia. A Collor de Mello em Alagoas. A tucanos/democratas no sul do País.

E a todas essas armações para transformar Brasil e brasileiros em terra de ninguém e num monte de “ninguéns”.

Mas todos ávidos consumidores de coca cola, sanduíches da rede McDonalds, transgênicos da Monsanto, remédios dos laboratórios que montam pandemias como a gripe suína para auferir lucros fantásticos. E Colgate para os dentes brilharem até na hora que o distinto ou distinta estiver espirrando com sinais de gripe suína.

É isso o que querem, é esse o papel que cumprem. O caráter “religioso” da rede de Macedo não difere do da GLOBO. É a religião do consumo. Das legiões de zumbis. Uns fascinados com o “bispo” do “dá ou desce”, outros com os heróis de Pedro Bial no bordel em casa, o BBB.

São iguais, rato comendo rato.

donos do mundo, como se beneficia disso, gerindo um impeiro dos fio norte-americano.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Marte no céu Luziense?

Marte do tamanho da Lua? Se acontecesse, nós estaríamos encrencados...


Você já deve ter recebido esse e-mail. Se ainda não recebeu, talvez seja só questão de tempo. Desde 2003 o boato vem se espalhando – principalmente no mês de agosto. A mensagem diz que o mundo inteiro irá ver. Marte vai ficar tão grande quanto a Lua Cheia à meia-noite do dia 27 de agosto. E se você perder esse espetáculo da natureza, jamais verá outro igual em vida.
Uma oposição pode acontecer em diferentes pontos da órbita marciana. Nos melhores Marte pode ficar a 55 ou 56 milhões de quilômetros da Terra.

Nem tão perto... Marte é um planeta vizinho da Terra. Sua órbita é maior e envolve a órbita terrestre. Marte se move mais lentamente que o nosso mundo e por isso leva quase dois anos para completar uma volta ao redor do Sol. Por causa disso, a cada 26 meses, aproximadamente, a Terra alcança e ultrapassa Marte. Na Astronomia, esse encontro é chamado de “oposição ao Sol” (ou simplesmente “oposição”), porque para ver Marte devemos olhar na direção oposta à nossa estrela: quando o Sol se põe no Oeste, o planeta nasce a Leste e quando é meia-noite, Marte atinge sua altura máxima no céu. Numa oposição de Marte, esse planeta, a Terra e o Sol ficam praticamente alinhados. Mas nem todas as oposições marcianas são iguais. Como as órbitas da Terra e principalmente de Marte não são círculos perfeitos, esse encontro pode se dar a diferentes distâncias.Tipicamente, numa oposição bem favorável, a distância entre Terra e Marte fica entre 55 e 56 milhões de quilômetros. Parece muito mas, em média, Marte fica a mais de 200 milhões de quilômetros da Terra.

VISÃO MEDONHA... Para que ficasse do tamanho da Lua Cheia, Marte teria de se aproximar ameaçadoramente a vida no planeta Terra.

Cratera lunar... A melhor oposição de Marte foi em 27 de agosto de 2003 (isso mesmo: 2003). Naquela ocasião o “encontro” Terra-Marte foi a 55,7 milhões de quilômetros. Outra dessas nem pensar – só depois do ano 2200. Por enquanto, comparando a distância de Marte de uma oposição para outra, ela só vem aumentando. Mas é claro que em ano de oposição Marte se aproxima e fica, portanto, maior. Mas quão grande? Se imaginarmos que de um horizonte a outro contamos 180 graus na abóbada celeste, a Lua Cheia terá cerca de ½ grau de diâmetro. Na oposição de 2003, Marte atingiu os 25 segundos de arco – isso é 72 vezes menor que a Lua Cheia (meio grau tem 1800 segundos). Então, se Marte não chegou nem perto do tamanho da Lua na melhor das oposições, por que ficaria agora? Pergunte a quem espalhou o boato! Alguém que, no mínimo, se confundiu todo com a matemática. A informação correta seria: “em 2003, Marte ficou com 25 segundos de arco, o tamanho de uma cratera da Lua, sendo observável com uma pequena luneta”.

Próxima oposição... A mensagem de e-mail dizendo que Marte ficará do tamanho da Lua Cheia (uma bobagem sem tamanho!) continua circulando, praticamente idêntica a de 2003. É claro que corrigiram o ano. Mas só o ano, a data continua se repetindo, embora, não haverá oposições em agosto por muito tempo. A próxima oposição de Marte será em 2010, mas no dia 29 de janeiro e não 27 de agosto! Nessa ocasião, o Planeta Vermelho estará com 14 segundos de arco de diâmetro. Marte só começa a se aproximar cerca de um ano antes. O diâmetro do planeta está em segundos de arco e a distância em Unidades Astronômicas, ou U.A. (1 U.A. é a distância média Terra-Sol).

DOCE REALIDADE... Mesmo numa oposição exepcional, Marte não passa de um ponto de luz perto do brilho extenso da Lua. Diagrama original de Sky & Telescope: Rick Fienberg.

Pense de novo... Tudo parece um sonho. Ver Marte nascendo do tamanho da Lua, com uma luz avermelhada muito mais intensa que a de um eclipse lunar total. Mas acredite: é bem melhor realizar esse desejo a bordo de uma nave espacial a caminho do planeta. Para ficar tão grande, Marte teria de estar perto demais. A Lua é 9 vezes mais leve e 8 vezes menos volumosa que Marte. Se o Planeta Vermelho ficasse tão grande e próximo, sua força gravitacional, somada a da Lua, ergueriam marés violentas o bastante para inundar nossas cidades costeiras duas vezes por dia. Pense de novo. Parece mais um pesadelo ver Marte do tamanho da nossa Lua.

Fonte: JOSÉ ROBERTO V. COSTA
Astronomia no Zênite

Liguei hoje de manha para o Planetário do Pará da UEPA (Naldo Blandtt), e quando fui atendido a recepcionista foi logo me informado, sem nem mesmo me apresentar ou perguntar alguma coisa: é o maior boato do ano, no dia que o planeta Marte a aparecer no céu da Terra do tamanho da Lua, pode reza, o mundo vai se acabar (eu rir um pouco), e a pessoa me informou que já recebeu de ontem até hoje as 11:39 h da manha (26 de agosto), 1437 ligações de pessoas do quatro cantos do Pará perguntando se isso era mesmo verdade.

Então gente, não esperem Marte hoje a noite, só poderemos vê-lo a olho nú, como a estrela Dalva, que sempre foi e espero que nosso Deus permita que continue assim.

domingo, 23 de agosto de 2009

OCUPAR AS REDES DE RÁDIO E TEVÊ



Por Marcelo Salles - salles@carosamigos.com.br

Revejo "Jango", brilhante documentário de Sílvio Tendler, que foi exibido na madrugada deste sábado (8/11/08) pela TV Brasil. Deveria ter ido ao ar mais cedo, em horário nobre, tamanha a sua importância.

O filme mostra os atores envolvidos no golpe de Estado cometido contra o povo brasileiro em 1964. No ato lembrei do título do livro de René Dreifuss: "1964: a conquista do Estado". O termo escolhido pelo escritor não poderia ser mais preciso. Tanto em sua obra quanto na de Tendler fica evidente que não houve apenas um golpe estanque no Brasil; ele não surgiu da noite para o dia. O movimento foi preparado durante anos e contou com apoio do governo dos EUA, de corporações privadas e de veículos de comunicação de massa.

No documentário há um depoimento muito importante de um militar, que chama a atenção para a "provocação" que representou o comício de 13 de março, na Central do Brasil. Ele fala que o povo trazia cartazes subversivos. Aí lembrei de toda a preparação psicológica, de todos os cursos financiados pelos EUA para os militares brasileiros de que fala Dreifuss. IPES e IBAD à frente. Ao longo de anos associaram comunismo à barbárie e à desordem, até chegar ao golpe. Depois dele, a tropa de choque foi retirada da linha de frente (Carlos Lacerda e Magalhães Pinto, cassados) e os homens de confiança assumiram a liderança. Brizola diz em seu depoimento que este foi o golpe dentro do golpe. Castelo Branco assume e imediatamente revoga a lei de remessa de lucros e garante a manutenção dos latifúndios improdutivos.

O que vemos hoje? Em meio à tal crise, que as corporações de mídia já não mais explicam por que, como e onde, o Banco Central divulga que montadoras de automóveis enviaram nada menos que US$ 4,8 bilhões às matrizes no exterior. Somando os outros setores da economia, a sangria alcança absurdos US$ 20,143 bilhões/ano. O Globo deu matéria sem nenhum destaque na página 22 da edição do último dia 6, cuja capa lambia as botas do novo comandante pró-forma do imperialismo.

Eis aí a natureza do golpe de 1964 e da ditadura que seqüestrou, torturou e matou milhares de brasileiros. Seu maior objetivo é garantir que o país mais rico da América Latina seja mantido sob a dominação imperialista. Nenhum governo sério do mundo permite que sejam enviados para o exterior tantos recursos produzidos com o suor do seu povo. Existem leis que obrigam que esse dinheiro seja reinvestido no país, isso sem falar na tributação às grandes empresas, que deveria ser maior. Não dá pra aceitar calado o envio de tantos bilhões pra fora enquanto existe gente passando fome aqui dentro. Isso sim é uma ditadura, devo dizer àqueles que se prendem aos paradigmas da mídia grande.

Apesar da flagrante pilhagem, não se vê resistência. Nem quanto às indecentes remessas de lucro, nem contra a entrega do nosso petróleo, nem contra a ausência de uma auditoria na dívida pública, nem contra a absurda concentração fundiária, nem contra a falta de regulamentação do artigo 153 da Constituição, que determina a cobrança de impostos sobre grandes fortunas, nem contra o salário mínimo de R$ 415,00 e, pior, nem contra o oligopólio dos meios de comunicação social.

Pior porque é este oligopólio o maior responsável pela manutenção desse estado de coisas, que de um lado explora o cidadão brasileiro e de outro entrega nossas riquezas para empresas estrangeiras e seus testas-de-ferro. A mídia, hoje, é a instituição com maior poder de produzir e reproduzir subjetividades. Ou seja, é ela quem vai determinar formas de sentir, agir, pensar e viver de cada pessoa e, por extensão, de toda a sociedade.

O dia em que os movimentos sociais organizados se derem conta disso, a primeira ocupação será nos centros de produção e reprodução de textos e imagens encarregados de sustentar o sistema. Uma vez ocupadas as redes de rádio e tevê (cujas principais representantes, a propósito, estão com as concessões vencidas), o povo será informado sobre as razões da falta de médico para o filho que sente dor, da falta de escola para quem precisa estudar, da falta de trabalho para quem quer produzir, da falta de terra para quem quer cultivar e etc. Uma vez que isto aconteça, a justa indignação não mais poderá ser contida.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Marina, entusiasma os denfesores da Amazônia, com sua possível candidatura para a Republica em 2010.


A ex-ministra e senadora Marina Silva, que anunciou a saída nesta quarta-feira (19) do PT, tem biografia que poderia ter sido imaginada por um roteirista de cinema, com passagens que incluem o serviço doméstico, o corte de seringa, e o comando de um ministério.
Marina nasceu em 1958 no Acre, em uma colocação de seringa chamada Breu Velho, no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco, segunda mais velha de uma família de oito filhos. Para ajudar a pagar uma dívida contraída pelo pai, Marina e as irmãs cortaram seringa, plantaram, caçaram, e pescaram.


Sem escola, aos 14 anos de idade, aprendeu a ver as horas no relógio e a fazer as quatro operações básicas da matemática. Estudou no Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização), fez o curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e a escrever, fez supletivo de 1º grau e de 2º grau.
Na juventude, sonhava em ser freira até começar a freqüentar reuniões das Comunidades Eclesiais de Base e aproximar-se de grupos de teatro amador. Foi aí que Marina ingressou na vida política, ainda não-partidária, dos movimentos sociais.
Perdeu a mãe aos 15 e teve de assumir a chefia da casa e a criação dos irmãos, já que a mais velha já tinha casado. Aos 16, teve uma hepatite que a levou a conhecer a vida urbana – Marina saiu da região de seringal onde vivia e passou a viver na cidade, onde trabalhou como empregada doméstica.
Aos 20 anos, teve uma nova hepatite que a levou a São Paulo em busca do tratamento. Ao retornar, ingressou na universidade, onde descobriu o marxismo, e cursou história. Neste período, durante a ditadura militar, passou a atuar em grupos políticos semi-clandestinos.
Na década de 1990, quando era deputada estadual, Marina passou mal em uma viagem ao interior do Acre. Ela teve de ser trazida rapidamente para a capital e ficou internada em um hospital com estado de saúde grave. Depois de meses de exames no Brasil e no exterior, descobriu tratar-se de uma contaminação por metais pesados, decorrente, provavelmente, de tratamentos contra a leishmaniose, quando ainda vivia no seringal. A doença causou problemas neurológicos e atingiu vários órgãos. Após tratamento, a ministra diz ter 80% das capacidades físicas, mas ainda vive sob rígido regime alimentar.
Marina casou-se duas vezes e é mãe de quatro filhos – Shalom, Danillo, Moara e Mayara.

Vida política
A vida política de Marina Silva começou em 1984, quando fundou a CUT no Acre, junto a Chico Mendes. Ele foi coordenador, ela, vice. Participou das Comunidades Eclesiais de Base, de movimentos de bairro e do movimento dos seringueiros.
Marina filiou-se ao PT em 1985, e, em 1986, candidatou-se a deputada federal. Em 1988, foi eleita vereadora. Em 1990, deputada estadual, com a maior votação do estado. Em fevereiro de 1995, iniciou seu primeiro mandato de senadora, aos 36 anos, pelo PT, como representante do Acre. Em 2002 foi reeleita.
Em 2003, Marina assumiu o cargo de ministra do Meio Ambiente primeira gestão do governo Lula. Ela foi convidada para continuar na equipe do segundo mandato, onde ficou até 2008.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009


MUITAS VEZES O PARTIDO PARTE AS PESSOAS, SÓ NOS RESTA FAZER UMA RELEITURA DO PASSADO PARA ENTENDER QUEM SOMOS REALMENTE SE INSTRUMENTOS OU INSTRUMENTALIZADOS.

O mito resiste


Por Tatiana Merlino
A rebeldia e postura anárquica de Raul Seixas conquistam cada vez mais seguidores entre as novas e velhas gerações
Noite agradável, bar lotado, jovens conversando animadamente. Ao fundo, um violão: Paralamas, Chico, Caetano. Numa das pausas, ouve-se um grito: “Toca Rauuuul!”. A cena é fi ctícia, mas nem tanto. Pois repete-se incontáveis vezes em festas, shows, baladas e bares do Brasil. Embora seja uma brincadeira (institucionalizada), é um bom
exemplo de como umas das principais características de Raul Seixas é, talvez, a atemporalidade.

Passados 20 anos de sua morte, ele continua sendo uma das principais referências musicais do rock nacional. O artista, que já era um ídolo para as
gerações dos anos 70 e 80, virou um mito inclusive para parte daqueles que sequer haviam nascido quando o compositor levava plateias ao êxtase.
O sucesso de Raul junto às novas gerações pode ser atribuído, em parte, a ausência “de um sentido de vida que vá além dos limites do troglodita capitalista que só quer consumir e se recusa a sentir e a pensar. Por isso, que uma boa parcela da juventude atual volta os seus olhos para os ídolos de um passado que produziu um sentido de vida”, acredita o historiador Luiz Lima, autor de uma tese de doutorado sobre Raul Seixas e a Contracultura dos anos 1960 e 70.
Já para o jornalista e crítico musical Irineu Franco Perpetuo, o fato de Raul continuar sendo um dos grandes mitos da música brasileira “tem menos a ver com a qualidade intrínseca da sua produção musical do que com a persona pública que ele encarnou, que é uma imagem com a qual muita gente ainda se identifica”, acredita. Segundo o crítico, a imagem de “outsider” que Raul soube construir explica a identificação dos que se reconhecem como excluídos com o ídolo.
Mistura cultural
Nascido em Salvador, Bahia, em 1945, Raul foi, desde sua adolescência, influenciado pelo rock estadunidense dos anos 50 e, pela música nordestina – principalmente Luiz Gonzaga –, mistura que pode ser percebida mais tarde em sua obra. A figura de Raul ainda gera controvérsias. Sua classificação varia de visionário, lunático, sonhador, esotérico, e místico, a revolucionário, gênio, profeta e incompreendido. Fato é que a “Sociedade Alternativa” defendida por ele desagradou a ditadura civil militar que o prendeu e o torturou.
A trajetória do Maluco Beleza é marcada por 21 LPs, contratos com as maiores gravadoras do Brasil, cinco mulheres e três filhas. E, sem dúvida, por muita rebeldia. Anarquista, compôs músicas que se tornaram clássicos, como Metamorfose Ambulante, Gita, Mosca na Sopa, Ouro de Tolo, Al Capone, entre muitas outras.
Curiosamente, após a morte tem seu talento mais reconhecido do que nunca, arregimentando mais seguidores, entre as novas e velhas gerações.
Assim, a perenidade da obra do cantor, que conta com um público cativo nas periferias, pode ser explicada por seu comportamento rebelde e por sua pregação anárquica. Na opinião do jornalista e professor da PUC-SP, Silvio Mieli, Raul é anarquista “na exata medida em que detona o bom-senso e o senso comum, fundamentos da ideologia das classes médias burguesas”. Para ele, “seu visual, canto e ritual criavam um diferencial, um distanciamento, uma instabilidade que percorre como uma flecha aqueles que, para usar uma gíria dos tempos do Raulzito, não ‘transam’ bem essa ideia de poder. Acho que os jovens ainda sentem, em sintonia fina, os acordes de anti poder que partem de Raul Seixas”, define.
Grito de revolta
Uma das possíveis leituras do sucesso da obra de Raul nas periferias, acredita Mieli, “talvez seja a de que ela é portadora de um grito de revolta e, ao mesmo tempo, articuladora de uma nova forma de subjetividade. Enfim, ela inspira uma reinvenção do mundo, que é a única saída para quem vive sob opressão e domínio constantes”.
Hoje, o mito tem mais de cem fãs clubes, o principal fundado em 28 de junho (aniversário de Raul) de 1981 por Sylvio Passos, amigo do cantor.
A maior comunidade dedicada a ele no orkut tem 118 mil participantes. Além disso, Raul continua vendendo discos, tocando em rádios, sendo tema de livros, filmes e reunindo milhares de admiradores em shows e comemorações póstumas. “Por ser fácil de guardar, fácil de cantar (e tocar) e ter uma mensagem simples e direta”, a música de Raul se presta muito bem a esse tipo de catarse coletiva – todo mundo cantando junto, meio ébrio”, define o crítico musical Irineu Perpetuo.
Raul era tão polêmico que chego

terça-feira, 4 de agosto de 2009

IMPOSTO OU CRÉDITOS SOBRE O CARBONO

Imposto sobre o carbono ou créditos de carbono?
Ignacy Sachs 30 de junho 2009
Depois ,da chuva, o bom tempo. As previsões catastróficas do impacto da crise sobre o emprego cederam o espaço a uma enxurrada de pronunciamentos otimistas por políticos de vários países sobre o potencial de empregos verdes que poderão ser criados na saída da crise mediante um New Deal verde. A Organização Internacional do Trabalho acaba de propor um Pacto Global de Emprego, ao qual o Brasil se associou.
Este interesse em juntar a problemática ambiental com a geração de empregos é certamente bemvindo e tem muito a ver com as ações a serem desenvolvidas pelos Territórios da Cidadania. É necessário porém ir além da retórica e refletir sobre a maneira de financiar grandes programas desta natureza. O Brasil não escapa à regra.
Neste contexto, convém reabrir mais uma vez o debate, iniciado na primeira crise de energia nos meados dos anos 1970 sobre o mérito de um imposto sobre o carbono, introduzido com sucesso em vários países escandinavos, comparado aos créditos carbono instituidos pelo protócolo de Kyoto dentro do assim chamado Mecanismo da Produção Limpa, também conhecidos em inglês como Cap and Trade Mechanism (as empresas recebem uma cota limite de emissão do gás carbónico, sendo obrigadas a comprar créditos de carbono caso excedam este limite, porém têm o direito de vender a cota não utilizada no mercado de créditos carbono).
Comparto com George Monbiot a crítica severa dos créditos carbono, uma concessão à ideologia do mercado irrestrito tão ao gosto dos últimos trinta anos marcados pela contra-reforma neoliberal baseada no mito dos mercados que se autoregulam. “Assim como nos séculos XV e XVI, você podia dormir com a sua irmã, matar e mentir sem medo da danação eterna, você pode hoje em dia deixar as suas janelas abertas com aquecimento ligado, andar de carro e de avião sem pôr em perigo o clima, enquanto você paga os seus ducados a uma das empresas que vendem indulgências.”, ‘(G. Monbiot, Heat - How to Stop the Planet Burning, London: Penguin Books, 2007, p. 210). Não é muito moral comprar o direito de continuar a poluir os seus vizinhos em Londres, Paris ou São Paulo ao dono de uma floresta na Patagônia que se compromete a não cortá-la.
Dito isso, devemos continuar a utilizar por razões oportunistas o mercado de créditos de carbono enquanto ele existir. Mas ao mesmo tempo convém manifestar uma clara preferência por um imposto sobre o carbono, sobretudo se ele for contrabalançado por uma redução simultánea de encargos sobre o trabalho. Desta maneira, o imposto carbono não aumentaria a carga tributária global, e as empresas receberiam um duplo incentivo para reduzir as emissões de gazes de efeito estufa e para usar mais mão de obra. Exatamente o que queremos neste momento: promover um crescimento econômico ambientalmente sustentável e socialmente includente.
Parte da arrecadação do imposto sobre o carbono poderia reforçar o Fundo Amazônia e outros fundos a serem eventulmente criados para financiar o desenvolvimento includente e sustentável dos demais biomas brasileiros.
Uma variante sobre o tema: orientar uma parcela da arrecadação deste imposto para o financiamento de obras públicas de caráter local1, fazendo parte da agenda verde socialmente responsável, a serem empreendidas nos Territórios da Cidadania.
Um raciocínio análogo poderia ser aplicado à parcela dos royalties de petróleo paga aos municípios. Vários estudos mostraram que o aproveitamento destes recursos deixa muito a desejar.
1 Ver o memorando de 26 de janeiro 2009, “O potencial de geração de empregos nas obras públicas de caráter local”.

sábado, 25 de julho de 2009

artigo Tarso Genro

Fala, D’Alema
por Mensagem ao Partido
Por Tarso Genro*


De 1989 a 2008, os neoliberais associaram a direita à “liberdade”, o Estado ao impedimento; agora a esquerda tem que falar


A QUEDA do Muro de Berlim implodiu a arquitetura do marxismo vulgar, que afinal era apenas um “derivativo” de uma sociologia positivista-naturalista. A “crise do subprime” -por outro lado- constrangeu os oráculos neoliberais que juravam desprezo pelas funções públicas do Estado.

O marxismo vulgar foi responsável por uma simplificação impotente das relações entre capitalismo e democracia. O neoliberalismo, porém, identificava no próprio mercado a essência da democracia. Tornado um livro sagrado dos rebeldes da direita intelectual, o neoliberalismo acolheu no seu leito bem-remunerado tanto os profetas das agências de risco como muitos sociólogos pós-modernos missionários da antiesquerda.
O marxismo vulgar professou o “caminho único” da ditadura burocrática como uma espécie de etapa necessária para a superação do capitalismo. O neoliberalismo bastou-se a si mesmo.

Não precisava olhar para o futuro, pois a “sublimação histérica do presente”, sem regulação, já era suficiente para que o mercado nos humanizasse.
Quando o sistema financeiro global derreteu, o ex-presidente do FED, Alan Greenspan, fez a sua autocrítica e classificou os dirigentes corporativos de “enganadores”, pois eles deveriam ter sido mais bem comportados… Outros ficaram tão possessos que chegaram a dizer que o neoliberalismo era uma fraude conceitual. Assim, esconderam a sua paixão pelo mercado e fizeram ataques preventivos à esquerda, antes mesmo que ela falasse.

Depois da queda do muro, choveram artigos de todas as origens ideológicas. A maior parte da esquerda, expondo seus erros, suas misérias teóricas e graves erros históricos. Os vencedores, ali, aproveitaram para forçar a barra do “caminho único” e instalar uma total inversão de valores.

Tiveram amplo acolhimento da maioria dos meios de comunicação, com reflexo nos principais partidos políticos. Era o registro do fim da história como programa máximo. O que resultou de mais positivo neste período -para nós da esquerda- foi a afirmação de um novo republicanismo democrático, comprometido com fortes políticas distributivas, com o liberalismo político e os direitos humanos, desacreditando a conexão entre o socialismo e a ditadura de classe. Tratamos, assim, de reiniciar um projeto utópico, ainda balbuciante, para substituir a visão anterior, baseada numa ideia socialista fechada, optando pelo socialismo como ideia reguladora na democracia pluriclassista.

Entre 1989 e 2008, os neoliberais “lavaram a égua”, como se diz no meu Rio Grande. Conseguiram criar um dicionário dinossáurico: a esquerda como símbolo do atraso, a direita identificada com a “liberdade”; o Estado como sinônimo de impedimento, a iniciativa privada como símbolo da competência; as corporações globais como refúgio da pureza e as empresas estatais como paquidermes inúteis.

O Estado, porém, é o mesmo que agora é chamado para pagar a conta do “risco”, da “imprevisão” e do “mau comportamento”. É o mesmo Estado que atrapalhou o desenvolvimento e o progresso e agora socorre o risco não previsto pelas agências do mesmo nome. O mesmo Estado que, em breve, refeitos os bancos, já passará a ser o mesmo inimigo de antes. Lembro um belo filme de Nanni Moretti ["Aprile"], ele mesmo diretor e ator. Moretti aparece defronte a televisão esforçando-se inutilmente para influenciar D’Alema, que debatia na telinha com Berlusconi. Moretti dizia nervoso: “Parla, D’Alema! Per carità, rispondi”. O querido mestre da centro-esquerda italiana, segundo a visão de Moretti, “non rispondeva”.

Por isso perderia o páreo eleitoral. Estamos aqui numa situação semelhante. No contexto neoliberal, a democracia cumpriu menos do que poderia cumprir, se estivéssemos numa globalização cooperativa. Mas a esquerda tem que falar. Fala, esquerda! Fala fora da ortodoxia pré-Muro! Caiu o Muro de Berlim das agências de risco e nós dissemos muito pouco! Ou só obviedades. Caiu o socialismo burocrático, ruiu a social-democracia, adoeceu o financeirismo neoliberal e nós estamos incrivelmente quietos. Só Lula fala. Sejamos solidários. Falemos junto com Lula.

*Tarso Genro é ministro da Justiça.
*O artigo foi publicado no dia 04/01, na coluna Tendências/Debates, da Folha de São Paulo.

2 comentários em “Fala, D’Alema”

Parabéns Tarso pela cobrança.Os nossos pensadores e teóricos de esquerda precisa sair da inércia intelectual e contrubuir com suas valorozas contribuições para aquecer o debate social na construção de uma sociedade mais justa e solidaria.A atual conjuntura internacional nos da o maior e melhor cenário para afirmamos uma politica econômica e social de esquerda.Parabéns, saiamos da inércia!!!— Flavio Vasconcelos, Nova Iguaçu. 16/01/09, às 9:27

A grande “virtude” do capitalismo neoliberal é na verdade sua capacidade mutante, ele consegue sobreviver crise após crise, primeiro porque seus idealizadores e formuladores, são aqueles que convencionamos chamar de “elites dominantes”, são os donos do capital, dos meios de produção, dos meios de comunicação…enquanto que as grandes massas de trabalhadores, esplorados pelos capitalistas não conseguem sequer entender o que é socialismo. Afinal, o que é socialismo ? É um sistema de governo baseado na solidareidaede, na justiça social, no bem estar coletivo, na distribuição dos recursos produzidos pelo trabalho de forma a beneficiar toda a sociedade ? Seria a globalização cooperativa ? Por que será que os milhões e milhões de miseráveis espalhados pelo Brasil e por todo o mundo não aderem aos propósitos socialistas ? Certamente é porque nas siciedades capitalistas, as pessoas são formadas desde crianças para serem egoistas, individualistas, consumistas, oportunistas e isso é ensinado nas escolas, nas famílias, na televisão. Ora, como concorrer com esse sistema a não ser através da formação, da informação, do debate aberto, do trabalho de base, nos sindicatos, nas associações, nas comunidades, nas periferias. O grande problema é que esse trabalho é muito pouco realizado pelos partidos que se entitulam de esquerda, até nós do PT, na maioria dos agrupamentos internos já abrimos mão do socialismo, provavelmente porque somos frutos dessa sociedade perversa, portadora do virus”istas”, egoistas, oportunistas, individualistas… Precisamos encontrar o antídoto para vacinação em massa contra todas essas variações do “istas” e separarmos a única variação saudável que é o social”istas”.
Saudações petistas,
Fernando Lopes - PT João Pessoa-PB.— Fernando Lopes 7/02/09,

PT UM NOVO CÓDIGO DE ÉTICA

Mídia: O código de ética do PT e Zhang Qihua
por Mensagem ao Partido
“As contradições entre as classes e as camadas sociais se destacam pela forte insatisfação com as rendas ilegais. O maior problema da distribuição de renda reside na existência das rendas ilegais, nomeadamente a corrupção e a aceitação de suborno, sonegação e fraude de impostos, contrabando, apropriação de bens estatais, entre outros. Muitos casos de enriquecimento súbito têm a ver com as rendas ilegais. Por isso, devemos obstruir todos os canais que conduzem ao enriquecimento súbito, proibir firmemente as receitas ilegais e combater as atividades ilegais, através da reforma do sistema e a instituição do sistema de direitos”.
Zhang Qihua falava da China. A palestra, fechada ao público, tinha como platéia dirigentes e intelectuais petistas. O trecho reproduz a tradução simultânea da sub-diretora do Centro de Estudos da História do Partido, do Comitê Central do PCC, no seminário sobre a China promovido dias atrás em São Paulo, pela Fundação Perseu Abramo, do PT.
Acompanhada de outros quatro representantes do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, Zhang Qihua delongou-a exposição dos males que assolam o país controlado por seu partido: “Os meios ilegítimos (de enriquecimento) incluem a corrupção, roubo, suborno e aceitação de suborno, contrabando, sonegação de impostos, apropriação de bens estatais, pirataria e má qualidade de produtos, entre outros. Tal maneira de enriquecimento provoca, sem dúvida, o forte descontentamento da população”.
Num seminário que contou com a participação de dirigentes petistas como Ricardo Berzoini (presidente), José Eduardo Martins Cardozo (secretário-geral) e Valter Pomar, (secretário de relações internacionais), Zhang Qihua não se limitou à corrupção decorrente da abertura econômica. Discorreu também sobre o mal reinante dos partidos no poder, o tráfico de influência: “Entre as pessoas que se enriqueceram legalmente, algumas, apesar de não adotar meios ilegítimos, recorreram a meios não razoáveis aproveitando sua posição, seus poderes e suas relações pessoais no sistema de duplos trilhos na definição de preços e no período de locação e concessão de terrenos urbanos ou aproveitando as brechas das leis e regulamentos, o que também provoca descontentamento da população”.
O seminário estava previsto no protocolo de cooperação entre os dois partidos assinado em 2004 quando uma delegação do PT, chefiada pelo então presidente do partido, José Genoíno, esteve em Pequim. Desde aquele ano, uma delegação do Partido Comunista Chinês vem anualmente ao país. Os petistas foram lá mais uma única vez, em 2007, numa comitiva chefiada por Berzoini.
Nos últimos cinco anos o Partido Comunista Chinês já puniu 518.484 dos 677.924 filiados investigados por denúncia de corrupção. Os números, fornecidos por Pomar, são das resoluções do 17º Congresso do partido, no ano passado. Delas consta a prestação de contas da Comissão Central de Controle Disciplina, uma espécie de comissão de ética do partido investida de poderes policiais. Suas 57 páginas são precedidas do título: “Persistir na simultaneidade do castigo e da prevenção, concedendo maior importância à prevenção para impulsionar a fundo o fomento do estilo do partido e da moralização”.
O PC Chinês tem hoje cerca de 73 milhões de filiados. O PT, 1,1 milhão. O próximo encontro entre os dois partidos deverá ser um seminário sobre o Brasil a ser realizado em Pequim no próximo ano. Como o protocolo prevê consultas entre os dirigentes de ambos os partidos, para a troca de “experiências na administração de país e gestão pública”, é de se supor que o PT venha a apresentar o balanço de suas ações no combate à corrupção.
O que dirá? Que delegou ao Legislativo a atribuição de punir os seus e expulsou um único dirigente (Delúbio Soares) envolvido no escândalo do mensalão? Que ao não assumir a responsabilidade política pela crise, ficou impossibilitado de reagir à visão predominante de que se transformou num partido como os outros?
É possível que tenha pelo menos um documento para mostrar, o código de ética do partido, que deve ser concluído até o fim deste mês. Mas como esse código é fruto de uma precária conciliação entre as forças partidárias favoráveis à autocrítica e aquelas que vêem o caixa 2 e o tráfico de influência como contingências de um partido no poder, é possível que a delegação petista em Pequim deixe a senhora Zhang Qihua entediada.
Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras
mcristina.fernandes@valor.com.br
3 comentários em “Mídia: O código de ética do PT e Zhang Qihua”

Assim como a reforma política só se efetivará com uma apressão constante da sociedade civil organbizada (?!) o código de ética só deverá ser efetivado se aqueles que acreditam nele façam com que a idéia não morra.
Cade o código gente ?
Mesmo que a Marta vença o segundo turno, (hoje é 10/10/2008) o que vemos é um partido cada vez mais descaracterizado, o que dizer da bancada de vereadores da cidade de são paulo ?
O PT pode ter crescido no Braisl, mas e a qualidade ? Vamos nos esconder atrás da quantidade ?isoldiser@gmasil.com— SERGIO ISOLDI 15/10/08, às 0:16

Caro SérgioEmbora concorde que o Código de Ética é de suma importância, o Estatuto do Partido já prevê punição para faltas disciplinares e éticas, a serem jugadas por Comissões específicas. Acredito ser fundamental instar para que essas Comissões sejam realmente instauradas e passem a funcionar plenamente.— Mario Abramo 18/10/08, às 8:15

A implantação de um Código de Ética é urgente no PT. Pois corremos o risco, grande, de termos quantidade mas, sem nenhuma qualidade. As Comissões de Ética, atuais, são montadas tentando acomodar as forças existentes no Partido e, muitas vezes, apesar de serem pessoas corretas, não são levadas em consideração no Diretório, que vota sempre, procurando acomodar as coisas, fazendo acordos políticos que não permitem colocar o dedo na ferida, que é a corrupção. Nós, do Balneário Pinhal-RS, estamos vivendo essa situação, pois nas eleições de 2008, tivemos uma experiência desagradável, elegendo um vereador que fez jogo duplo, a famosa “dobradinha”. Recolhemos as denúncias, fatos, fotos, testemunhas, criamos uma Comissão de Ética e Disciplina, que opinou pela expulsão com perda do mandato. O Diretório Municipal, que é quem viveu o problema, que é também, onde inicia a base mais autêntica do PT, concordou com o parecer da Comissão, aprovando o parecer por 6 votos a 4, vontade externada pela maioria de nossos filiados. Ele recorreu, como manda o Estatuto, o tempo está passando e começamos a perceber o início de uma grande “acomodação política”, para deixar tudo como está. Nós, que tivemos o constrangimento de servir de piada dos adversários, reivindicamos com urgência um Código de Ética, independente das correntes, com autonomia, cuja parecer possa valer verdadeiramente e, nós petistas, possamos falar em ética com orgulho. Mobilizem-se, procurem mais informações na Direção Estadual do PT do RS, senão, não vai mudar nada! Fraternais saudações! Avelino R. Rodrigues - Sec. Geral do PT de Balneário Pinhal - RS.— Avelino Ramos Rodrigues 4/05/09, às 20:4

sexta-feira, 24 de julho de 2009

MOMENTO DE VIRAR A ESQUERDA

Companheiros,
Nosso governo e nosso modelo de desenvolvimento precisam avançar para uma verdadeira revolução democrática e popular. A revolução social promovida pelo governo Lula precisa avançar para uma revolução cultural, pois a concentração de riqueza nas mãos de poucos e a miséria estruturante precisam ser rompidas. O Testo a seguir é para reflexão e debate:
Momento de virar à esquerda
por André Singer
TALVEZ SEM consciência do que fazia, a oposição criou as condições mais propícias, desde 2003, para o governo alterar, em alguns graus para a esquerda, o percurso seguido até aqui. É que, ao decretar o fim da CPMF no final do ano passado, PSDB e DEM tiraram um dos suportes sobre os quais estava apoiada a estratégia de fazer distribuição de renda sem confrontar o capital.
Quem sabe esses partidos, com o beneplácito de alguns senadores que formalmente fazem parte da bancada governista, tenham agido em causa própria (de olho apenas no desgaste político do governo), sem perceber que atingiam simultaneamente o interesse dos capitalistas. Mas ocorre que, ao implodir o status quo, serraram um galho no qual a burguesia também estava sentada.
É verdade que, pela reação de parte do empresariado de São Paulo, animado com a derrota imposta ao presidente, ou o acordo anterior só servia ao setor financeiro -o que não parece ser o caso, a julgar pelas altas taxas de lucro e índices de atividade do setor industrial-, ou não foi só a direita senatorial que deu um tiro no pé.
Parece que certas entidades patronais até agora não entenderam de maneira precisa o caráter e o sentido da coalizão conduzida por Lula.
Em todo caso, não terá sido a primeira, nem certamente a última, vez que classes sociais e seus representantes se deixam enganar por preconceitos e refrações ideológicas. De tanto afirmar a urgência de aliviar a carga tributária, escapou-lhes que a CPMF era parte essencial de um modelo que, longe de representar “gastança” inútil, garante a margem necessária para, ao mesmo tempo, aumentar o investimento social e pagar juros que, embora declinantes até setembro de 2007, ainda consomem parte muito significativa do orçamento público.
Com a súbita desaparição de quase R$ 40 bilhões de arrecadação, a direita obriga o governo a rever os termos do acordo imaginado para vigorar até o fim do segundo mandato. Ou corta gastos que, direta ou indiretamente, interessam ao trabalhador, ou reduz o superávit primário e determina que o BC reduza a taxa de juros e, portanto, o montante gasto com a rubrica que diz respeito aos rentistas e bancos.
Qualquer diminuição do investimento público prejudica as classes populares. Bolsa Família, vencimento dos funcionários públicos e salário mínimo pago pelo INSS são transferências diretas do Tesouro para o bolso de assalariados e aposentados.
A reação rápida do funcionalismo, antes até da definição sobre onde passaria a tesoura, mostra que os possíveis afetados perceberam imediatamente o sentido da pressão a favor de um “ajuste fiscal”.
Do mesmo modo, eventuais restrições a concursos ou obras do PAC acabarão sempre por afetar mais os que possuem menos, seja pela diminuição de serviços estatais, seja pelo aumento de tarifas.
No caso da infra-estrutura, atingiria a sustentabilidade do crescimento econômico, que, embora beneficie também empresários que apoiaram o fim da CPMF, é prioridade absoluta para os que dependem de um emprego para sair do inferno e ingressar em uma vida mais ou menos civilizada.
Isso explica a adesão do bispo que dirige o Serviço de Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB à iniciativa de mobilizar os movimentos sociais para evitar o que seria um retrocesso inaceitável do ponto de vista dos pobres (ver o manifesto “Por uma reforma tributária justa”, publicado neste espaço em 10/1).
Em resumo, o gesto talvez impensado da oposição produziu uma polarização das opções governamentais. Imaginar que se consiga economizar R$ 40 bilhões diminuindo o número de membros do governo que viajam de avião é daquelas mitologias que só continuam a se propagar pois há interesse em manter cidadãos confusos.
Fortalecido pela nítida manifestação popular no segundo turno de 2006, pelo bom desempenho da economia em 2007 e pela compreensão que sindicatos e movimentos sociais mostram da conjuntura, a situação objetiva permite que o Executivo escolha o caminho da esquerda para resolver o impasse criado pelos conservadores no Senado.
Ao fazê-lo, ajudaria, mesmo em um cenário de incertezas internacionais, a que o país mantivesse o ritmo de expansão em 2008 e a que os setores progressistas pudessem fazer das eleições municipais oportunidade de conscientizar o povo sobre o conteúdo da disputa hoje existente no Brasil.
Cabe ao PT, como maior partido do governo, mas também principal partido socialista do país, cujo novo Diretório Nacional se reúne pela primeira vez no próximo dia 9, deixar claro qual caminho convém aos trabalhadores.
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terça-feira, 21 de julho de 2009

NOSSAS TAREFAS E NOSSOS COMPROMISSOS

Belém, 20 de julho de 2009.


CARTA À MILITÂNCIA SOLIDÁRIA

Companheiros (as),

Estamos em processo de construção de nosso Movimento Solidariedade. Já sabíamos das dificuldades que iríamos enfrentar, das divergências, das crises e de tantas contradições que viriam.
Muitos de nós já militamos noutras tendências internas do PT, como muitos vieram da tendência AS para tentar e construir o Movimento Solidariedade. Revoltados com a falta de atenção, com o eleitoralismo, com o poder dos gabinetes parlamentares, gritamos um SOS petista buscando nos livrar da mesmice das crises oriundas desde 2005, conforme alguns analistas, para nós a carta de Gilberto de Carvalho denunciando e anunciando a crise organizativa e ideológica do PT vem desde 2002.
Aos seis anos do governo Lula e na perspectiva eleitoral da sucessão em 2010, devemos nos preparar para rediscutir, debater, reescrever nossa história e os compromissos do PT para o futuro, de início deve assegurar que o PT é socialista e nós militantes solidários somos socialistas.
Alterar os métodos de relacionamento interno no Partido, as relações institucionais e políticas de aliança devem superar as negociatas e entreguismo de nossos princípios, fortalecendo desde agora a conquista da hegemonia, afirmando nossos valores e recuperando credibilidade na sociedade. O maior desafio que vejo é como fazer uma leitura correta da avaliação positiva do Presidente Lula, avançando na intelecto e na subjetividade da sociedade civil, para firmar que o Presidente Lula é fruto da história democrática do PT.
Hegemonizar nossas políticas no seio da sociedade brasileira é um exercício que requer uma nova correlação de forças no PT. Devemos avançar nas conquistas e no modelo de desenvolvimento do País, a política de juros do banco central, as relações com diversos setores da economia, como os fabricantes de veículos e máquinas, com os banqueiros, com o agrobusiness e outros, deve ser alterada, estabelecendo novos referenciais econômicos, e não mais a facilidade para atores que só fazem ganhar e enriquecer cada vez mais, seja nas crises, seja nos ciclos abundantes da economia.
No Brasil, como na América Latina e outras partes do mundo, os capitalistas vivem às custas do Estado, ente tão criticado pelas mídias e atores líderes do capital. Os balancetes destes setores aumenta a cada semestre, e eles a cada momento estudam como prejudicar cada vez mais os trabalhadores e a democracia. Demissões, aumento de preços, isenção do IPI, são amostras do como a iniciativa privada se comporta frente ao Estado Brasileiro governado pelo PT e pelo Presidente Lula.
Devemos fazer nossa militância organizando o povo, e qual é o povo que devemos organizar e defender? Os excluídos, os pobres, os negros, os índios, as mulheres, a juventude, as crianças. Solidariedade significa amar os outros, não existe solidariedade se não existir paixão dentro de nós. Muitas vezes achamos que o povo é ridículo, pidão, mesquinho, se faz de miserável, deixamos de enxergar o óbvio, de que a pobreza e a miséria são estruturantes, resultado de uma sociedade de classes, da exploração dos ricos sobre os pobres, de que é preciso cada vez mais pobres, para existires cada vez menos ricos mais poderosos.
Nossos governos e o Presidente Lula investiram e tornaram realidade os maiores programas de distribuição de renda do mundo: o Programa Bolsa Família, o Luz para todos, o Pró Uni, os programa de moradia popular, o PAC, e tantas outras políticas como o reajuste do salário mínimo. Melhorou a vida de milhares de pessoas que ascenderam a classe média, mas conservou milhões na pobreza, pois o modelo de desenvolvimento capitalista é excludente.
Por tudo isto companheiros (as) devemos reorientar nossa prática, buscar novas fontes para bebermos a sabedoria de nossa utopia, alimentar nossos sonhos da esperança socialista, manter a chama de nossa crença, de que é possível sair do sofrimento e construir a sociedade que irá garantir felicidade com igualdade e justiça para milhões de irmãos e irmãs.
Entre as tarefas colocadas para a militância solidária, está nossa capacidade de mobilizar a sociedade para ter acesso às políticas públicas. Em nossas cidades é possível criar e organizar os núcleos de solidariedade, lutando pelo acesso a casa própria, pelo saneamento básico do PAC, por mais democratização na Bolsa Família, pelo alcance ao Pro Uni. Organizar um amplo movimento de massas que resulte na melhoria da qualidade de vida deve ser nosso objetivo. É claro que as oportunidades não se esgotam aí, pois devemos expor em nossas lutas os malefícios do capitalismo, as contradições das lutas de classe, e para tanto a construção de um mercado da economia solidária, buscando recursos do micro crédito, dinheiro para qualificação profissional e construção de cooperativas, organização de feiras de troca solidária, exposições solidárias, construção de empresas coletivas, mostrando nos bairros e nas colônias que uma nova economia é possível, são tarefas grandiosas e urgentes. Só vai existir um movimento solidariedade se formos capazes de organizar o povo para combater a exploração capitalista com um novo modelo de economia e de desenvolvimento sustentável e solidário.
Por isto que o modelo de desenvolvimento que nos propomos é o sustentável, e aí pensemos na Amazônia, tão destruída e tão decantada, tão estudada e tão pesquisada, principalmente por cientistas internacionais, europeus, americanos, japoneses, etc. Se não bastasse a ganância de madeireiros, de fazendeiros, da derruba e queima de nossas árvores, da morte de igarapés e rios, da usurpação de nossa biotecnologia, do roubo de nossa fauna e flora, da destruição de nossos ecossistemas, e da campanha pela internacionalização da Amazônia, ainda querem transformar nossa Amazônia em território Mundial, como apêndice para fazer o mea culpa deles. Eles destruíram suas reservas, seus ecossistemas, seus lençóis de água doce, eles, então que assinem compromissos com a recuperação do meio ambiente e com a camada de ozônio.
Para explorar de forma sustentável nossa fauna, flora, nossa hidrografia, nossos minérios, nossas riquezas naturais, eles têm de ter o aprovo do povo brasileiro e Amazônida. Nós e nossos governos devemos elaborar leis de proteção e regulamentação do desenvolvimento na Amazônia. O custo Oxigênio, o custo da água, o custo do ar, devem estar embutidos como valor de agregação à sustentabilidade. O equilíbrio ambiental, a recuperação da degradação, a proibição de qualquer exploração irregular, mecanismos de fiscalização devem indicar a seriedade com que o governo brasileiro e os governos de cada estado amazônico, vão tratar a proteção das riquezas naturais da Amazônia Brasileira.
São muitas nossas tarefas, mas o lugar onde militamos até pouco tempo atrás não nos proporcionou estas reflexões, não nos valorizou para alcançarmos destinos e relacionamentos que nos facilitasse o eco e a ressonância destas questões. Hoje no caminho de nossa construção, cada dirigente, cada lideranças, cada militante solidário deve despertar em seu íntimo a certeza de que somos importantes, de que nosso grito tem eco noutros lugares.
Aceitamos o convite para participar do campo nacional A MENSAGEM AO PARTIDO, aqui no Pará vamos ser da comissão estadual da Mensagem. Vamos nos relacionar com a tendência DS – Democracia Socialista e outros coletivos da Mensagem. As repercussões desta decisão são imediatas, vamos nos juntar no PED para assumirmos a direção do PT local em diversos municípios, vamos conquistas espaços partidários nos municípios, no Pará e no Brasil.
Na luta, com muita solidariedade.
Abraços
Raimundo Nonato Guimarães

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Emendas a pré-tese até dia 02/07: Por um PT com voz firme e ativa
Companheiros (as),Para que possamos organizar a discussão da tese da melhor forma possível, as emendas ao texto devem ser enviadas para o email mensagemaopt@org.br até o dia 2 (quinta).
Abaixo, a pré-tese.
POR UM PT COM VOZ FIRME E ATIVA

O Partido dos Trabalhadores, próximo de cumprir 30 anos de sua fundação, teve até aqui uma trajetória de inegável êxito. Dos tempos heróicos, em que emergiu como representação autêntica de amplo e combativo movimento social dos assalariados brasileiros, ao exercício do governo federal, o PT cresceu e se tornou uma organização política sólida. Hoje o partido deve enfrentar, inspirado pela criatividade demonstrada outrora, os desafios de toda organização que se agiganta. Para nós da Mensagem, o principal deles é voltar a ter uma voz franca e ativa nos dilemas do país, de modo a ser o canal de expressão das forças vivas que desejam construir um Brasil justo, democrático e socialista.

Como era natural, a chegada ao governo teve um efeito ambíguo sobre o partido. De um lado, significou o cumprimento de um objetivo central e é motivo de orgulho para cada um de nós. Por outro, assinalou um deslocamento do eixo de debates e decisões, tornando a vida partidária menos voltada para a discussão substantiva da agenda política do que deveria ser. Passados mais de seis anos da vitória, é chegado o momento de, sem perder o senso de responsabilidade que nos cabe, voltar a falar com firmeza dos problemas nacionais. Dentre eles, o mais grave é o da desigualdade social fruto do capitalismo periférico que aqui se desenvolveu.

O governo Lula deu passos importantes para enfrentar essa verdadeira chaga social que distingue o Brasil. A Bolsa Família, o aumento do salário mínimo, a desoneração de produtos da cesta básica, os benefícios de prestação continuada, o crédito consignado, o apoio à agricultura familiar, o Luz para Todos, a eliminação das palafitas, os investimentos do PAC em saneamento e habitação popular, a nova política internacional, apenas para citar algumas iniciativas, contribuíram para reverter o quadro trágico legado pelo governo das elites e, em especial, pelas administrações tucanas. Conforme prometeu o presidente, hoje quase todos podem fazer três refeições ao dia, o que não é pouco. Mas a luta pela justiça social e pela igualdade no Brasil ainda tem um longo caminho pela frente.

A desigualdade no Brasil tem raízes profundas. Uma delas é a exploração e a super-exploração do trabalho. Outra é a dependência da ordem capitalista internacional que está longe de ser vencida. Outra ainda é a que faz parte das opressões de gênero, de raça e de geração que persistem.

A ferida da desigualdade continuará a exigir atitudes cada vez mais ousadas, desde o combate à pobreza e às formas de trabalho que, não obstante os esforços do governo Lula, ainda existem nos rincões mais distantes, até a coragem para romper com os muros invisíveis de exclusão que cercam as multidões pobres na periferia das grandes cidades e segregam em especial a população negra. As conquistas da presidência Lula devem inspirar o PT para mobilizar a sociedade com vistas a novos e decisivos passos na etapa que se abre em 2010. Acreditamos que é necessário reduzir o poder do grande capital financeiro sobre a economia, entre outras medidas anulando a autonomia operacional concedida ao Banco Central, de modo a retomarmos o crescimento, com muito mais emprego e distribuição da renda, sem a trava da maior taxa de juros do mundo. Pensamos que é preciso aumentar vigorosamente o investimento público, para multiplicar oportunidades de trabalho em todo o país, erguer um sistema de educação com qualidade voltado especialmente aos jovens das periferias dando-lhes suporte para permanência na escola, e encarar decisivamente as necessidades de um bom sistema universal de saúde e, assim, desativar o processo de privatização em curso nos dois setores. Para o financiamento de tais medidas será necessário que os ricos ajudem com um imposto sobre grandes fortunas, e que novas regras legais permitam a disponibilização dos latifúndios improdutivos para reforma agrária com indenização a custo baixo por títulos públicos de longo prazo e que as fazendas onde se encontrem formas de trabalho semelhantes à escravidão sejam imediatamente convertidas em áreas destinadas à agricultura familiar.

Não é segredo para ninguém que a direita tem o projeto oposto: aumentar as áreas de privatização, cortar o investimento público, retirar direitos trabalhistas e previdenciários, proteger formas arcaicas de propriedade rural improdutiva, para ficarmos em apena alguns tópicos. Para dar conta do tamanho do embate que se avizinha, é fundamental que o PT retome seu papel de liderança das grandes lutas pela transformação da sociedade brasileira. Para se colocar à altura dessa grande tarefa, é preciso atualizar nosso programa político como nossa organização interna.

De acordo com o compromisso assumido pela Mensagem no PED de 2007, preparamos, sob a liderança do companheiro José Eduardo Cardoso, secretário-geral do partido, um Código de Ética capaz de dar conta dos casos em que eventuais desvios venham ocorrer no PT. Agora, queremos, outra vez, chamar a militância a uma tarefa que só pode ser executada se houver vontade política: a de colocar as novas regras em prática, não deixar que elas virem letra morta. O problema dos costumes políticos no Brasil é grave. Há aqui uma cultura anti-republicana enraizada, com a qual não cabe conciliar. O PT, ao contrário, deve ser exemplo de ética pública.

O Código de Ética vai permitir enfrentar um vício que começa a se alastrar na organização partidária: o das filiações em massa, sem conteúdo político, apenas para garantir posições de poder na máquina. A disputa pelo poder é inerente à política e não pretendemos fugir a ela. O que distingue, contudo, uma agremiação convictamente socialista das demais é que nela deve prevalecer o sentido do projeto coletivo em cada gesto, e não os projetos individuais ou de pequenos grupos. Por isso, conclamamos os militantes a coibir as filiações distorcidas, e defendemos no partido que todos os novos filiados devam passar pela Escola Nacional de Formação Política. Chegaremos, assim, ao PED de 2009 com a possibilidade de virar, em definitivo, a difícil página aberta na crise política de 2005.

Essa superação é indispensável, pois a futura direção terá a delicada tarefa de conduzir o partido no processo eleitoral de 2010, o primeiro sem a candidatura do companheiro Lula. Os debates sobre a reforma política e a natureza das alianças que teremos que fazer e sobre o caráter do programa que vamos aprovar influirão nos rumos partidários por muito tempo. Daí a conveniência que eles sejam precedidos de amplo e democrático debate, desonerados dos difíceis problemas com os quais tivemos que lidar nos últimos anos.

O programa abaixo, que apresentamos para o partido no biênio 2010-2012, procura contribuir, de maneira aberta e construtiva, para o enfrentamento das importantes questões que teremos adiante. Estamos convencidos de que o PT é uma instituição chave para o futuro e queremos convidar você, companheira e companheiro, a juntar-se a nós no esforço de dar ao partido um sentido à altura do que foi a sua história até aqui. A crise internacional, que desequilibrou o capitalismo a partir de 2008, mostra que tínhamos razão na denúncia que sempre fizemos do neoliberalismo: ele produz desigualdade e violência. O Brasil, fruto da política externa do governo Lula, soberana, ativa, pacífica, e com postura muito clara pelos países como o nosso onde a pobreza ainda é o principal desafio, e fruto da robustez de seu desenvolvimento com distribuição da renda, emergiu nestes anos de crise com um papel destacado e inédito na cena internacional. O mundo precisa de partidos e movimentos que digam em alto e bom som que não há saída para a humanidade fora do caminho em direção ao socialismo democrático. E o PT precisa estar à altura deste novo protagonismo do Brasil. É por tudo isso que repetimos: o PT precisa voltar a ter voz firme e ativa!


Novas condições políticas e ideológicas no mundo e no Brasil

a) No mundo

A crise capitalista em curso representa um abalo para os dogmas neoliberais hegemônicos desde a década de 1980 e só a luta política irá decidir se opções à esquerda ou à direita irão prevalecer. Embora haja cada vez mais evidências de que o mercado deixado a si mesmo causa injustiças abissais e destrói o meio ambiente - e isso deveria conceder mais legitimidade aos que vêm afirmando que outro mundo é necessário - somente a disputa entre as forças políticas e sociais irá definir o futuro. Na América Latina a esquerda tem a vantagem de, neste momento, dirigir a maioria dos governos nacionais e, portanto, de poder agir com os instrumentos do Estado. É uma situação diferente da esquerda na maior parte dos países dos outros continentes, a quem cabe a denúncia, a resistência e a apresentação de alternativas.

Em cada país, o acirramento da luta de classes, promovido pela crise, se dará em torno da disputa de quem deve pagar a conta da catástrofe financeira. Esse deverá ser o pano de fundo da luta política nos próximos anos. As demissões em massa, que se espalham nos países desenvolvidos, mobilizam os trabalhadores, e ocasionam diferentes arranjos partidário-ideológicos. Enquanto na Europa, há países com forte reação xenófoba e de direita, a vitória de Obama nos Estados Unidos representa uma experiência progressista, ainda que limitada, na principal potência da Terra.

A construção da UNASUL é um instrumento central de alteração da ordem internacional dominada pelos EUA e que atravessa forte crise de funcionamento. A presença do Brasil nessa construção alternativa é decisiva e deve ser exercida com forte compartilhamento dos esforços de desenvolvimento da América do Sul, em especial em direção aos países mais pobres do continente. O combate ao nacionalismo atrasado e às proclamas da direita em favor de um sub-domínio brasileiro nesse contexto são decisivas nesse processo. A conclusão positiva das negociações com o Paraguai em torno Itaipu, como já tivemos com a Bolívia e o Equador em outros momentos, jogam um papel enorme e é fundamental que dela decorra um ambiente solidário e fraterno de construção da UNASUL.

Ao lado dessas iniciativas, é preciso atuar para desmontar e reformar democraticamente as instituições da ordem imperialista constituídas no após-2ª Guerra, como o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio. Em conjunto com essa iniciativa governamental no campo internacional, o PT deve impulsionar o Foro de São Paulo e dar todo apoio ao Fórum Social Mundial que podem ir além da correlação de forças entre governos e Estados nacionais, e assumir um novo projeto de relações internacionais para o mundo, com igualdade, justiça e reparações incondicionais de barbáries históricas, como a escravidão, o que projeta a importância de estreitas relações com os países da África.

b) No Brasil

Se a crise tivesse encontrado o Brasil ainda sob a hegemonia das forças neoliberais do país, que têm no PSDB-DEM a sua principal expressão política e na grande mídia seus principais ideólogos e propagandistas, nós não teríamos os bancos públicos, nem teríamos a Petrobrás, em boa hora salvos da fúria privatizante dos tucanos e democratas, que teria prosseguido se tivessem saído vitoriosos das eleições de 2002. É na concepção do tamanho e do papel do Estado que se encontra uma das diferenças essenciais entre as idéias demotucanas e as idéias petistas.

Se o Brasil ainda estivesse sob a direção desses partidos que derrotamos em 2002 e 2006, que subsistem fortes no Parlamento nacional e em importantes governos estaduais e locais, teríamos a continuidade do processo de concentração da renda que debilita a saúde financeira das famílias e enfraquece o mercado interno. O salário mínimo se manteria arrochado, haveria fortes tentativas de precarizar as relações de trabalho flexibilizando direitos dos trabalhadores, os imensos programas sociais nas cidades e na agricultura não teriam adquirido as dimensões que hoje têm, as políticas públicas estariam sujeitas ao corte de gastos de seu ‘choque de gestão’ e à redução de tributos para os ricos (como fizeram ao cortar a CPMF que ajudava a irrigar a Saúde e os programas sociais), as nossas exportações continuariam fortemente dependentes dos Estados Unidos e da Europa hoje em recessão, e continuaríamos endividados no exterior.

O pleito de 2010, além de impedir que haja uma volta atrás nas conquistas do governo Lula, se dará num ambiente propício ao enfrentamento do principal problema brasileiro desde um ponto de vista de esquerda: a absurda iniqüidade num país que relega a maior parte da população a condições de pobreza, apesar dos avanços que nossos governos possibilitaram na distribuição da renda, no acesso à educação e aos serviços públicos. A crise não deve deter o aprofundamento das políticas públicas que evitem formas de barbárie que vitimam especialmente os pobres, como é o caso da expansão do crime organizado, enquanto uma minoria dispõe de luxo acintoso e vive de costas para o país.

Objetivamente o PSDB representa os interesses dessa minoria, e embora tenda a apresentar um programa ambíguo em 2010, sob a sua bandeira estão abrigados os que não querem que o povo brasileiro dê esse passo civilizatório histórico. Tendo o governo Lula tirado da miséria milhões de compatriotas do interior do país, será chegado o momento de romper com o impasse que vigora nas regiões metropolitanas brasileiras: aquela que relega comunidades inteiras, mas, sobretudo, os jovens, ao domínio do crime organizado por não lhes apresentar uma saída no âmbito da sociedade. Dado o caráter estrutural das mudanças necessárias, crescimento acelerado e forte investimento público, interessa ao PT mobilizar a população para apoiar um programa avançado em 2010, de modo a transformar o pleito em um plebiscito sobre os rumos do Brasil.

Para nós há um campo aberto para a definição da agenda que centralizará esta disputa. O programa neoliberal já não é capaz de sustentar uma oposição aberta ao governo Lula. Ele está colocado diante de um profundo impasse e com perda total de credibilidade diante da crise aberta a partir de seu centro de irradiação, embora continue a possuir forte poder nos governos estaduais e locais, fortíssimo apoio na grande mídia e demasiado poder econômico à disposição. Especialmente em eleições nacionais, quem define a agenda tem assegurada uma das condições fundamentais para a vitória. E a agenda do futuro não vai esperar 2010. Ela voltará então com tudo, mas já deve ser discutida agora pela pressão da crise.

Uma vitória da esquerda brasileira em 2010 tem o claro potencial de deslanchar esta dinâmica aberta pelos nossos dois governos dirigidos pelo presidente Lula, e precedida pelas conquistas políticas e sociais anteriores a ele. Ela será a expressão deste processo de transição que derrota o neoliberalismo e em seu lugar coloca uma nova concepção democrática e popular de economia e de governo, inspirada nos ideais socialistas, com enorme repercussão sobre a cultura da sociedade. A nova vitória será a manifestação da hegemonia na atualidade das energias políticas e sociais que levaram o PT ao governo e que foram ampliadas intensamente neste novo ciclo de desenvolvimento.


O PT e o Brasil

a) A conquista de um novo modelo de desenvolvimento

Os avanços obtidos até aqui no Brasil a partir de 2003 e a crise mundial da atualidade não nos permitem apenas dizer “vamos dar continuidade ao modelo de desenvolvimento que adotamos”. Precisamos transitar para um novo modelo de consumo, produção, desenvolvimento e sociedade que garanta o emprego e o acesso à educação de qualidade, reduza cada vez mais drasticamente a pobreza e a desigualdade em todos os seus aspectos, dê boas oportunidades a uma multidão de jovens hoje sem perspectivas, garanta um ambiente natural saudável que respeite a multiplicidade das incontáveis riquezas e formas de vida de nosso planeta, submeta o grande capital financeiro hoje hegemônico aos interesses gerais da sociedade, democratize a informação hoje sob a ditadura de um punhado de empresas da mídia conservadora. É um novo modelo onde o Estado democrático, sob formas variadas e cada vez mais intensas de controle social, tenha presença dirigente, produtiva, e orientadora do sistema econômico e social.

Queremos contribuir para que o PT atue como organizador da classe trabalhadora e do povo brasileiro e, nessa condição, estabeleça linhas de força capazes de avançar a partir das conquistas do governo Lula. Entendemos que da compreensão do momento e da elaboração de propostas depende o bom resultado da campanha presidencial de 2010, das campanhas ao governo dos estados e ao Parlamento Federal, enfim, um novo ciclo de identificação de nosso partido com o povo brasileiro. As idéias que seguem são uma maneira de levarmos subsídios para esse debate que deverá estender-se pelos próximos meses durante o PED e no início do próximo ano no Quarto Congresso do PT.

O mais urgente é estancar a onda de desemprego e retomar o crescimento da economia. Para isso, é preciso desatar o conflito estabelecido dentro do próprio governo entre uma política que visa acelerar o crescimento e outra, do Banco Central que vai em direção oposta. É necessário colocar um fim à autonomia política do BC, de modo a dotar o país de uma política monetária coerente com o esforço antirrecessivo. Seria a oportunidade de dar um passo adiante, já que o Brasil precisa de um Conselho de Política Monetária, assim como de um Conselho Monetário Nacional, republicanos e democráticos, comprometidos com o atendimento das necessidades do povo, especialmente com o aumento da atividade econômica, a geração de empregos e a elevação dos salários. Uma forte redução dos juros é necessária, pois, além de estimular os investimentos privados na produção, aumenta a disponibilidade de investimento público para dar emprego os trabalhadores que estão sendo excluídos do mercado. Todo dinheiro público deve ser aplicado com cláusulas geradoras de emprego, na mesma linha já assumida pela Resolução do Diretório Nacional do PT no início de fevereiro, quando afirma “que o BNDES faça constar nos contratos de empréstimos às empresas, cláusulas que impeçam a demissão de trabalhadores”. O Estado deve utilizar a participação acionária que ainda tem em empresas antes inteiramente públicas para reverter e evitar demissões.

O novo ciclo de crescimento precisa ser de produção limpa e ambientalmente sustentável. Isso implica cláusulas ambientais para a aplicação do dinheiro público, assimilando o grande debate já existente sobre a importância da energia renovável. Além disso, é preciso assegurar que o novo modelo de desenvolvimento é compatível com a sustentabilidade ambiental.

O PAC deve ser ampliado, para além da infraestrutura a que ele, sobretudo, se dirige, com programas como o já anunciado de habitação popular que, simultaneamente, permita a construção de moradias dignas nos bolsões de pobreza das regiões metropolitanas e a absorção de mão de obra por meio de frentes de trabalho.

A redução de jornada sem redução de salário é bandeira adequada nas negociações sindicais, pelo potencial que tem de geração de mais empregos, pela oportunidade que dá de maior dedicação de todos os trabalhadores à educação, à formação profissionalizante, ao lazer, e, no caso das mulheres, pelo potencial de reduzir as desigualdades que ora lhe impõe a sociedade com a jornada doméstica.

É tarefa essencial orientar o crédito para as necessidades sociais, e não para a especulação. A estatização do sistema financeiro está em debate nos países ricos. No Brasil, a ação do Estado no campo do crédito já existe por meio dos bancos públicos, mas talvez precise ser ainda maior, a depender do andamento da crise. Generosas linhas de crédito para micros e pequenas empresas, para os assentamentos da reforma agrária e agricultura familiar, para os empreendimentos solidários, inclusive bancos comunitários, de modo a estimular a formação de cooperativas em todas as áreas em que os trabalhadores estejam em condição de organizar-se dessa forma, são ações na linha do programa do PT. A autogestão, além de contribuir de modo imediato para a democratização das relações de produção, é a maneira prática de apresentar a alternativa socialista para a sociedade.

Convém lembrar que por iniciativa do governo Lula já existe base legal para uma maior presença do Estado no setor financeiro. A questão do controle da movimentação do grande capital financeiro internacional e nacional, assim como o controle cambial, deve ser pensada dentro da mesma lógica. O mesmo ocorre com o problema do protecionismo: convém que cada Estado nacional tenha autonomia para decidir, de acordo com as necessidades da sua sociedade, o que deve produzir, importar e exportar.

O controle de eventuais pressões inflacionárias pode ser realizado por meio de negociações entre as partes, como já o mostrou a experiência das câmaras setoriais. Este controle hoje é exercido por meio de âncora monetária que deprime a economia real. Coordenadas por um Estado democrático e popular, estas câmaras de negociação têm capacidade de ajustar preços e salários em um patamar que não obrigue à opção cruel – sobretudo para os pobres – entre a fome e o emprego.

Este momento de crise exige a retomada da discussão da reforma tributária que se encontra no Congresso, a aprovação da contribuição social para a saúde no lugar da extinta CPMF, e a recolocação do tema da taxação sobre as grandes fortunas para uma maior justiça fiscal e para reduzir a tributação sobre a renda do trabalho.

Parte fundamental da construção de um novo modelo de desenvolvimento se refere ao Brasil rural. Esquecido nas estratégias industrialistas de desenvolvimento e considerado apenas auxiliar às riquezas produzidas no meio urbano, para nós deve se constituir numa via substantiva de elevação do padrão de vida e de produção de uma parcela ponderável da população e território brasileiro. A agricultura familiar, responsável por 70% dos alimentos consumidos no país, vem sendo fortalecida e deve se constituir no veio principal de um novo modo de desenvolver o Brasil rural. Ela emprega mais e constitui forma saudável de vida comunitária no interior. Além disso responde melhor ao desafio ambiental e ao planejamento público. A viabilização cada vez maior da agricultura familiar contribui para dar sentido econômico à reforma agrária que é uma das reformas fundamentais a serem aprofundadas para romper com uma das mais desiguais distribuições de terra do mundo. O chamado agronegócio, muito importante em alguns produtos essenciais e para a economia exportadora, deve ser submetido a uma regulação pública rigorosa para evitar seu caráter predatório do equilíbrio ambiental e sua dependência crônica de recursos públicos com suas intermináveis e cíclicas renegociações e perdões de dívidas. O latifúndio, que nem sempre coincide com o agronegócio, especialmente o latifúndio improdutivo amparado por normas legais resistentes ao tempo com sólidas raízes conservadoras e eleitistas, é um mal que persiste há séculos no Brasil e uma das marcas de injustiça da sociedade brasileira. Base tradicional da direita, age de forma pré e antirrepublicana, executa trabalhadores e combatentes da luta agrária, como recentemente a Irmã Dorothy.

O aprofundamento da revolução democrática iniciada pelo PT no Brasil demandará a realização de esforços de ampliação da proteção social e do desenvolvimento humano, a partir de estratégias que articulem – respeitando as demandas de cada região e de cada segmento social – políticas de educação, saúde, reforma agrária, moradia, transporte coletivo, segurança pública, geração de trabalho e renda, economia solidária, assistência social, segurança alimentar e nutricional, transferência de renda, estímulo à agricultura familiar, abastecimento, saneamento, infraestrutura urbana e rural, cultura.

Seu aprofundamento exige a continuidade do crescimento econômico, associado à distribuição de renda e à sustentabilidade ambiental. Torna-se indispensável ainda fomentar intensamente o progresso técnico, a inovação tecnológica, e dar uma salto na qualidade e universalização da educação. Esta é uma condição-chave para o Brasil continuar se destacando no cenário mundial.

b) A conquista de uma nova democracia

O Estado deve desenvolver diretamente e através do planejamento democrático os espaços estratégicos para a construção de uma nação justa, democrática e soberana. Somente um Estado fortalecido poderá equilibrar a tendência concentradora e predadora do mercado.

É preciso, simultaneamente, ampliar o controle social sobre o Estado, já em alguma medida implementado pelo nosso governo. Um aumento da participação popular, na linha das Conferências Nacionais, Orçamento Participativo Federal, participação nos conselhos das empresas e agências reguladoras, deve acompanhar o processo de fortalecimento do Estado. Não se trata de simplesmente erguer um poder burocrático em substituição ao poder do capital, mas sim de aumentar a presença da sociedade democraticamente organizada na condução do seu próprio destino.

A reforma política precisa ser recolocada pelo PT e deve ser encarada nessa ótica: apoiar as propostas que possam representar maior participação popular e maior controle social sobre os partidos e o Estado. Deve ainda promover uma profunda reformulação do sistema eleitoral-partidário, fazendo com que os Partidos políticos afirmem sua identidade programática. Precisamos quebrar o bloqueio que até aqui existe e que impede a transformação da reforma política em bandeira de apelo popular, apesar da enorme insatisfação do povo com os costumes políticos nacionais. A reforma política deve ser uma de nossas campanhas unificadas no PT, nos partidos de esquerda, nos movimentos sociais, e na intelectualidade progressista, e para isso precisa ser formulada com clareza, ter nela as qualidades unificadoras, e capazes de mobilizar a população.

A experiência recente vem demonstrando que as tentativas de reformar o sistema político através do parlamento encontram barreiras intransponíveis. Em primeiro lugar porque elas têm sido feitas sem mobilização popular, sem pressão sobre o parlamento. Em segundo lugar, porque é uma ingenuidade esperar uma auto-reforma democrática justamente de um parlamento que não pode ser lembrado por uma única medida progressista aprovada nos últimos anos e que tem se colocado à margem das grandes mudanças vividas pelo Brasil desde a vitória de Lula em 2002.

De outro lado, o PT, os partidos de esquerda e os movimentos sociais não conseguiram ainda transformar a reforma política em bandeira com apelo popular. Devemos avaliar com rigor esse problema. Desde o nosso ponto de vista, há dois obstáculos a serem vencidos. O primeiro é o de aumentar a participação política direta de amplos setores da população, em especial da juventude. É preciso (re)conquistar o PT para uma idéia-chave: nenhum processo de mudança se dá apenas pelo governo. Assim, é preciso implementar um vasto processo de participação popular e democrática que deve combinar a ação autônoma dos movimentos sociais com iniciativas claras e determinadas dos nossos governos em direção a um amplo sistema de democracia participativa.

O segundo problema é que a reforma política do Estado exige uma reforma política do próprio PT. Porque para ser uma vanguarda na luta democrática o PT precisa demonstrar-se descolado dos privilégios fáceis do poder e ter uma viva democracia interna com ampla participação direta dos seus filiados e filiadas. Esse processo está por ser realizado plenamente e há mais condições internas e sociais para isso hoje. O PT dispõe de nos instrumentos de construção, como o Código de Ética e a Escola Nacional de Formação; desde o 13º Encontro nacional e o 3º Congresso, o PT vêm realizando esforços de recuperação da sua identidade socialista; há uma ampla base social popular que confere ao PT um caráter social de partido dos pobres e dos trabalhadores, justamente as forças sociais que podem impulsionar um partido democrático e a luta pela revolução democrática no Brasil.

Por uma reforma política no PT

O crescimento do nosso partido em todo o país, seus mais de 1 milhão de filiados, sua presença nas câmaras municipais, prefeituras, governos de estado, sua transformação no principal partido nacional, sua presença nos movimentos sociais e sindicais, acumularam junto com as virtudes de um partido vitorioso um conjunto de problemas de organização partidária e de comportamento político e ético que exigem há muito tempo novos instrumentos.

Entre estes novos instrumentos, sem dúvida o mais urgente é o Código de Ética, uma de nossas bandeiras mais destacadas desde que nos constituímos como o movimento da Mensagem. O Terceiro Congresso, realizado de 31 de agosto a 2 de setembro de 2007, aprovou a elaboração deste Código e atribuiu a sua elaboração e aprovação ao Diretório Nacional. Ele será mais um marco na história de nosso partido e da democracia brasileira, e sua aplicação resgatará nossa dívida com os problemas evidenciados na crise de 2005.

Nossos estatutos também necessitam de atualizações urgentes, que precisam ser produzidas para aprovação no Quarto Congresso do PT, convocado para fevereiro de 2010. Entre elas se destacam as que dizem respeito às filiações e à necessária identidade dos filiados com os princípios e o programa partidário, às eleições e à capacitação de nossas direções, às organizações de base, à sustentação financeira do partido, e à definição e compromissos de nossas candidaturas majoritárias e proporcionais.

Para um partido com mais de um milhão de filiados, com uma base social de trabalhadores, com amplas responsabilidades na condução da luta pela transformação socialista e democrática do Brasil, a organização de base é fundamental. Nosso maior problema não é o tamanho das filiações, mas como elas são feitas e como o partido organiza seus filiados e filiadas, como eles são formados, como participam da construção do seu programa político e das ações definidas pelo partido. A ausência de organizações de base e de espaços amplos de participação limita o potencial do partido. Desde a fundação do partido, a sua organização é uma questão que permanece em busca da melhor resolução. As reformas estatutárias deram feições mais eleitorais e mais centralistas à organização partidária. Permaneceu, no entanto, a forte democracia interna e o impulso de base que se manifestaram em defesa do partido em vários momentos, como aquele decisivo, em 2005, com o maciço comparecimento ao PED e com a majoritária defesa de teses socialistas.

Defendemos um amplo movimento que crie organizações de base dos filiados e filiadas, no espírito do que foi representado pelos núcleos nos primeiros tempos do PT, e uma revisão estatutária conferindo poderes a estas organizações de base. Consideramos esse movimento um dos aspectos mais importantes da preparação do PT para disputar e vencer as eleições de 2010. Ao mesmo tempo, essa energia militante deve ser uma fonte fundamental para a sustentação financeira do partido. Este deve inovar nesse aspecto, inclusive criando mecanismos e incentivos para a contribuição financeira através da internet.

As filiações em massa constituem um grande desafio para o futuro da identidade do PT. Elas viraram um poderoso instrumento sem regra para garantir o acesso ao poder interno e o fortalecimento de seus promotores para galgar postos eletivos ou administrativos nas estruturas do Estado. E, assim, vem forçando uma lógica competitiva na qual terminam entrando até setores do partido descontentes e insatisfeitos com este mecanismo. Nossa proposta imediata é realizar, como já o fizemos no partido em outra ocasião, um chamamento a todos os novos filiados a partir de uma data que abranja as recentes ondas de filiação, com regras, que entre outras medidas exijam o comparecimento pessoal do filiado à sede do partido e sua participação em evento de formação política promovido sob a coordenação da Escola Nacional do PT em conjunto com as secretarias nacional e estaduais de formação e com o apoio da Fundação Perseu Abramo.

Outro problema essencial não resolvido no PT, como reflexo da sociedade brasileira, diz respeito à superação da desigualdade a que as mulheres estão submetidas. Tivemos muitos avanços neste sentido em nossa história, como a obrigação partidária de ter no mínimo 30% de mulheres nos organismos partidários, aprovada no Primeiro Congresso em 1991. O PT foi protagonista decisivo em outras conquistas das mulheres na sociedade brasileira, entre elas, a obrigação dos partidos de ter pelo menos 30% de mulheres em suas chapas para as eleições proporcionais. Recentemente, o Terceiro Congresso do PT aprovou uma corajosa resolução “Por um Brasil de Mulheres e Homens Livres e Iguais” onde se destaca a “Defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público evitando assim a gravidez não desejada e a morte de centenas de mulheres, na sua maioria pobres e negras, em decorrência do aborto clandestino e da falta de responsabilidade do Estado no atendimento das mulheres que assim optaram”. No momento em que o partido avançou com a resolução do Terceiro Congresso e discute a candidatura de uma mulher à presidência da República, não podemos aceitar retrocessos como a CPI do aborto, a diminuição da presença de mulheres nos cargos eletivos (que já é muito baixa) e em outros cargos de poder. A luta das mulheres pela igualdade é central na construção de uma sociedade democrática.

Novos avanços também são necessários na conquista dos direitos da juventude dentro do PT e na sociedade. O ano de 2008 neste sentido foi positivo dentro do PT, com a realização do Primeiro Congresso da Juventude do PT. O partido está em débito de uma presença maior na defesa do conjunto dos direitos da juventude na sociedade, especialmente dos jovens das periferias das grandes cidades.

A sociedade brasileira carece de uma luta mais forte contra o racismo, a discriminação, e a intolerância. No caso da numerosíssima população negra do país, o papel do PT é ser bastante ativo na formulação e defesa de iniciativas que garantam: o acesso dos afrodescendentes à educação integral de qualidade, às universidades especialmente através das cotas, à formação profissional e ao trabalho bem remunerado, a difusão da cultura negra, o respeito às religiões de matriz africana, e as iniciativas de intercâmbio cultural e político com a África. Além disso, como em outros movimentos pela igualdade, é importante a presença da militância petista na produção de políticas concretas mobilizadoras e a organização dos movimentos negros por seus direitos.

Será muito útil à presença política do PT na sociedade e à formação de seus filiados à adoção de algumas campanhas que mobilizem as nossas bases partidárias e sociais e repercutam no país.

Todos reconhecem que o partido precisa ter um avanço de qualidade nas formas de comunicação que devem ir muito além de material escrito e reuniões presenciais, lançando mão das redes virtuais que associam pessoas através da internet, que permitem a imediata participação delas em debates e na expressão de seus posicionamentos sobre temas relevantes em discussão ou decisão no partido. Isso vai no sentido de mais democracia e mais participação dos filiados e simpatizantes, diminuindo assim a distância entre a cúpula e a base partidária, e diminuindo os perigos de nos distanciar do sentimento popular.

Estas e muitas outras tarefas exigem de todos os petistas um revigoramento de nossas energias militantes. O momento histórico do mundo deve significar para nós uma oportunidade de reafirmar os generosos ideais que formaram o PT, que o transformaram em um dos mais fortes partidos de esquerda do mundo. Esta é a nossa nova mensagem para uma nova conjuntura: Por um PT com voz firme e ativa!