domingo, 14 de fevereiro de 2010

PT 30 ANOS

Uma história, um partido, por Dr. Rosinha
em 10/02/2010



Os fatos podem ser mais ou menos relevantes. Podem entrar ou não para a história de um país. Mas, de alguma forma, entram sempre na história de vida das pessoas que deles participaram.

Muitos participam dos fatos e, depois, sequer são citados quando a história é contada. São anônimos perante a história, mas o fato não é anônimo para as suas vidas. Todos têm uma história para contar, uma parte da história, às vezes mínima, sobre sua participação.

Contam, assim, "uma história". E aqui vai uma breve história de um fato que entrou para a história do Brasil.

Até 1980, eu não militava em nenhum partido político. Militava no movimento em defesa da saúde pública e pelos direitos dos médicos residentes. Militava junto aos movimentos sociais de Curitiba. Fazia palestras sobre saúde e direitos de cidadania.

Final da década de 1970. Surge o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes) e o Reme (Movimento de Renovação Médica). Participo de ambos e, como resultado, sou escolhido presidente do Cebes, núcleo de Curitiba, e eleito como suplente para a diretoria do Sindicato dos Médicos do Paraná.

Na mesma época, há grande agitação política e social no Brasil, contra a ditadura militar. No seio dessa mesma agitação, começa o debate sobre a criação de um partido político de esquerda. Participo desse debate entre os militantes do movimento da saúde pública, que já na época discutia a implantação de um sistema único de saúde.

Cria-se em Curitiba e no país um movimento "pró-PT". Tomo ciência da reunião que estava sendo preparada para São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1980. Um dos critérios para participar era ser dirigente de alguma entidade de caráter social, e eu presidia o Cebes. Após algum debate e reflexão, candidatei-me a ir para a reunião.

De Curitiba saiu um ônibus, com pouco mais de 30 pessoas, além de alguns automóveis. Fui de carro, com o advogado Luiz Salvador. Se não me falha a memória, era uma Brasília azul. Para não cometer injustiça e omissões, não citarei o nome dos paranaenses que conhecia ou que conheci depois e que lá também estavam.

No dia 10 de fevereiro de 1980, há 30 anos, o PT ganhava vida e começava a entrar e a criar a história do nosso país. E eu comecei a vida política partidária e a ter uma história para contar.

Não há espaço aqui para relatar tudo o que carrego daquele dia. Mas posso registrar que havia, no olhar de todos os presentes no Colégio Sion, líderes ou não, o brilho da esperança de construir um novo país. Com a participação efetiva dos trabalhadores, sob o marco do socialismo, palavra que, naquele momento, de ditadura, não poderia estar escrita. Construir uma força política organizada e autônoma, com a participação de trabalhadores e trabalhadoras. Enfim, um partido de massas.

Participei de todas as fases de construção do PT, que, aliás, não foram fáceis: filiar pessoas para legalizar o partido; eleição de 1982, com o voto vinculado, cujo resultado gerou uma crise no partido; perseguição a militantes com demissões ou não contratação para trabalhar. Superamos os obstáculos com muita solidariedade.

Ao comemorar 30 anos de PT, posso dizer que me orgulho por ter participado dessa história, e de ter uma história para contar. Posso afirmar que, em parte, o Brasil é o que é hoje graças ao Partido dos Trabalhadores. Não nego a história dos outros, mas foi o PT o principal partido a sair às ruas para exigir a democratização do país, e o primeiro a levantar a bandeira da eleição direta para presidente.

O PT conseguiu dar voz e vez aos explorados e oprimidos. E é do PT o presidente que faz hoje o melhor governo da nossa história. E este é apenas um fragmento de uma grande história, ainda em curso.

*Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR).

ESTADO PROBLEMA E SOLUÇÕES

Estado: problema e soluções, por Emir Sader
em 11/02/2010




A crise econômica internacional terminou de projetar o Estado no centro dos debates não apenas econômicos, mas políticos e ideológicos. Ser “estatista” tinha se tornado um dos piores palavrões, ao lado de “populista”. Um remetia à regulação da economia, e à indução do crescimento pelo Estado, enquanto o outro, às políticas sociais redistributivas.

Há quase um século – mais precisamente, há 9 décadas – o Estado tinha passado a assumir um sinal positivo, diante das conseqüências da crise de 1929. Unanimemente atribuída ao liberalismo econômico, as tres correntes que surgiram ou se fortaleceram a partir dali – o keynesianismo, o socialismo soviético e o fascismo – atribuíram papel estratégico e permanente ao Estado. Foi no esgotamento do ciclo longo expansivo do capitalismo que as teses anti-estatistas – hibernadas durante muito tempo – voltaram à baila.

Elas estavam sintetizadas na tese reaganiana de que “O Estado não é a solução, é o problema.” A perda do ritmo de expansão das economias e o surgimento da chamada “estagflação” (estagnação com inflação) foi atribuído centralmente ao Estado, para o qual foram dirigidas as baterias do grande capital e dos seus porta-vozes na academia, no foros econômicos e na imprensa. De forma resumida, as regulações que limitariam a livre circulação do capital seriam os fatores da recessão e os freios para uma retomada do desenvolvimento econômico.

Vitoriosos, os (neo)liberais promoveram uma gigantesca operação de desqualificação do Estado e, sintonizado com ele, da política, das relações de poder, dos partidos, das alternativas coletivas. E, automaticamente, a exaltação das virtudes do mercado, que passaram a monopolizar a idéia de “dinamismo”, de “alocação virtuosa de recursos”, de “sociedade de oportunidades”, de “liberdade econômica”, de “modernização econômica”, de “desenvolvimento tecnológico”.

“Estatista” passou a ser palavrão, desqualificador, ao lado de “populista”. O retiro do Estado representou expropriação de direitos, devastação do nível de emprego, das empresas nacionais, se expandiu como nunca a precarização das relações de trabalho, o desemprego, a concentração de renda, a exclusão social, a pobreza e a miséria. As distâncias e as contradições entre o centro do mundo e a periferia aumentaram exponencialmente, os continentes do Sul regrediram nas condições de vida da massa da população, que vive nessa região do mundo.

Menos Estado, não significou mais cidadania, mais dinamismo econômico, nada disso. Representou mais mercado, um mercado controlado por grandes monopólios, pelo grande capital financeiro. Representou menos cidadania, porque menos direitos.

O combate da direita contra o Estado se dá contra os elementos de regulação da livre circulação do capital – entrada e saída de capitais dos países, menos impostos, flexibilização para contratar força de trabalho nas condições que os empresários entendam, privatização de patrimônio publico, entre outros. O Estado que eles gostam e que se manteve, é o que lhes fornece subsídios, isenções, créditos, perdões de dívidas. Em suma, Estado mínimo para a grande maioria dos explorados, oprimidos, discriminados. E Estado máximo para o grande capital e o grande empresariado.

A crise econômica internacional demandou fortemente a ação do Estado, ao lado da falência do mercado como alocador de recursos, ao mesmo tempo em que sua capacidade para reimpulsar o desenvolvimento se revelou falsa. No Brasil, a grande virada na política governamental - a partir da segunda metade do primeiro mandato de Lula, mas claramente definida no segundo – mudou o papel do Estado, na concepção e na ação concreta. Foi o grande agente que permitiu o novo ciclo expansivo da economia, a consolidação das políticas sociais e o enfrentamento dos efeitos da crise econômica internacional.

Os discursos de Lula e da Dilma refletem esse resgate do Estado brasileiro, que estão fortemente presentes no documento básico apresentado ao Congresso do PT. Bastou, para que a mídia empresarial levantasse os seus alertas sobre os riscos de um Estado excessivamente forte, do “estatismo”, de que o programa da Dilma a colocaria à esquerda do governo Lula e os riscos que isso representaria.

O consenso em relação ao Estado mudou com o governo Lula. Como Dilma conta no livro que organizamos com o Marco Aurélio Garcia (“Brasil, entre o passado e o futuro”, coedição da Boitempo com a Perseu Abramo, com artigos, pela ordem do índice, de Emir Sader, Jorge Mattoso, Nelson Barbosa, Marcio Pochmann, Luiz Dulci, Marco Aurélio Garcia e Dilma Rousseff), no momento do lançamento do PAC, ela foi chamada ao Congresso para explicar a participação do Estado, mas quando foi lançado o "Minha casa, minha vida", isso não voltou a ocorrer. Foi se avançando na consciência do papel indispensável do Estado.

The Economist lamenta a fraqueza do liberalismo econômico no Brasil, considerando que os dois candidatos mais importantes teriam concepções similares, distantes do liberalismo. Alegam que a principal razão seria o voto obrigatório que, segundo eles, teria como conseqüência um eleitorado favorável à participação do Estado, porque os pobres – a grande maioria – tenderiam a pedir mais Estado, que é a fonte dos seus direitos, das políticas sociais redistributivas, a quem eles podem apelar quando sentem injustiças, etc. etc. (Razão, por si só, para que fôssemos a favor do voto obrigatório.)

Bastou os alarmes disparados pela imprensa e as reações se fizeram sentir, na direita e na própria esquerda. Naquela, tentar transformar esse tema em um eventual risco, em um fator de instabilidade, de mais tributação, em limitações ao “mercado”, em mais gastos públicos, etc. Em suma, tentar fortalecer a pauta da direita: menos Estado, menos impostos, mais mercado.

Se o Brasil hoje é uma sociedade menos injusta é, em grande medida, pela ação do Estado brasileiro. Se o Brasil é hoje um país com grande e prestigiada presença internacional, é pela ação do Estado brasileiro. Se resistimos à crise de forma muito positiva, é graças ao Estado brasileiro.

A maior discussão hoje é aquela sobre o tipo de Estado e, extremamente vinculada a ela, sobre o tipo de sociedade que precisamos e queremos. Voltar a fortalecer o papel do Estado, como foi feito até aqui, revelou-se indispensável para retomar o desenvolvimento, fortalecer as políticas sociais e enfrentar em melhores condições os efeitos da crise.

Mas o Estado forte que precisamos é o Estado que cada vez mais se centra na esfera pública, deslocando seu eixo da financeirização a que estava condenado com a hegemonia inquestionada do capital especulativo no seu interior. Trata-se de reformar o Estado, debilitando a esfera mercantil e fortalecendo a esfera pública, isto é, transferindo para a esfera dos direitos o que havia sido privatizado, sobretudo direitos essenciais, como os de educação, saúde, comunicação, cultura, habitação e outros serviços essenciais.

Estado forte é o que estende o reconhecimento da cidadania a setores cada vez mais amplos da sociedade, até que todos os brasileiros se sintam e sejam realmente cidadãos – sujeitos de direitos. Governava-se o Brasil para um quarto ou um terço da população, o restante sendo considerados “excedentes” pelo mercado. Esse era um Estado fraco, não apenas porque abriu mão de patrimônio público mediante privatizações a preço de banana, mas também porque era um Estado excludente, para uma minoria, com instituições estatais enfraquecidas, com serviços públicos sem recursos, que arrecadavam recursos prioritariamente para pagar a divida publica, transferindo recursos do setor produtivo para o especulativo.

Um Brasil democrático requer um Estado centrado na esfera pública, que centralmente universalize direitos, consolide a soberania nacional, fortalece as alianças regionais e do Sul do mundo, que potencialize nossas energias e fortaleça os que até aqui foram maiores vitimas da globalização neoliberal.

As pressões da direita – e, em especial do seu segmento midiático – são para que a esquerda se assuste com as acusações de “estatismo”. Não temos que nos assustar, como não nos assustamos com as de “populismo” e seguimos estendendo as políticas sociais, que são o maior bastião de apoio e legitimidade do governo. Quer a direita que não disponhamos dos instrumentos para acelerar o desenvolvimento do país, para canalizar os investimentos cada vez mais para a esfera produtiva, para seguir estendendo as políticas sociais, agora plenamente para o campo da habitação, do saneamento básico, da universalização da banda larga na internet.

Como disse Dilma na entrevista do livro mencionado, não são os empresários os que defendem a retração do Estado, mas os ideólogos que pretendem falar no seu nome. Pelo sim ou pelo não, estamos seguros – como disse, com plena consciência The Economist – o povo quer mais Estado, porque sabe, por experiência própria, que é quem garante seus direitos, na contramão do mercado que, ao contrário, só acentua a concentração de renda e a exclusão social.

Publicado no Blog do Emir, em 7/2/2010

AS MULHERES E DILMA

Ataques a Dilma negam humanidade de ministra e protagonismo das mulheres, por Luiz Carlos Azenha
em 11/02/2010




Eu acho que vocês, mulheres, poderiam montar um blog para colecionar os ataques com tons machistas e sexistas que os tucanos e o PSDB estão disparando contra a ministra Dilma Rousseff.

Não se trata apenas de uma crítica política a que Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati estão fazendo à ministra. É uma tentativa mal disfarçada de desqualificar a pessoa, como se ela fosse apenas "reflexo" de um líder (nas palavras do ex-presidente) ou uma "candidata de silicone", nas palavras de Jereissati. As duas críticas negam humanidade à ministra. E negam também protagonismo. As duas críticas tentam pintar Dilma como um pedaço de geléia, inerte, sem vontade própria -- características que muitos homens brasileiros gostam de ver em "suas" mulheres, mas que não são boas em um líder.

Temos, então, um paradoxo: para alguns, Dilma a "terrorista"; para outros, Dilma a "boneca inflavel". Duas formas de sugerir ao eleitorado que se trata de uma mulher "que não vale nada".

Presumo que isso seja coisa de marqueteiro, que pretende explorar o preconceito contra as mulheres que existe no eleitorado, inclusive no eleitorado feminino. A ideia da "duplicidade" feminina serve muito bem a essa estratégia, embora no final das contas acabe alvejando as pretensões femininas, de todas as brasileiras, nos campos político, pessoal e profissional.

Não deixa de ser cômico, no entanto, ver o senador Jereissati dizendo que Dilma não tem o "physique du rôle" adequado à presidência. Parece um coronel político ditando como a mulher deve ou não ser, pode ou não ser. E essa fixação por "desmascarar" a mulher que não sabe o seu lugar... Sei não, mas acho que o Tasso está tentando dizer que, se ele fosse mulher, seria uma mulher muito mais atraente e interessante que a Dilma.

Publicado no site Vi o mundo, de Luiz Carlos Azenha, em 10/02/2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

solidariedade - UM ANO DE EXISTËNCIA

Nas últimas eleições municipais de 2008, finquei pé no acompanhamento eleitoral de Santa Luzia do Pará. Preocupado com a polarização com os adversários do Prefeito Louro e do PT, acertei na opção e na prioridade, vencemos as eleições de forma muito apertada, mas vencemos. No decorrer daquele acontecimento, no calor da disputa e da polarização vi meu nome ser lembrado por diversas lideranças locais, lembrando de que eu poderia ser novamente deputado estadual, confesso que me animei inicialmente com aquela idéia.
Passado a eleição percorri uma dezena de municípios consultando algumas lideranças políticas que caminharam comigo nos últimos 20 anos próximos de minha ação militante no PT. Ouvi muito incentivo, mas também ouvi muito não, alguns até desanimadores e confesso fiquei triste como militante. Já em dezembro de 2008 era forte a possibilidade de organizarmos um movimento chamado Solidariedade.
Continuei até em Janeiro a peregrinação em busca de incentivo e apoio a minha possível candidatura a deputado. Os apoios que foram surgindo eram bem maiores do que àqueles que não se dispunham a nos acompanhar. No dia 12 de fevereiro de 2009 na Cidade de Irituia, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, fizemos uma Assembléia Regional com a participação de 60 lideranças políticas, na oportunidade foi fundado o MOVIMENTO SOLIDARIEDADE.
Nascemos da resistência e do questionamento a diversas práticas eleitoreiras e até mesmo o mandonismo e personalismo dos mandatos parlamentares e outros cargos eletivos. Muitos companheiros insatisfeitos por serem isolados após eleições, outros por questionarem o estrelismo das lideranças políticas, outros ainda por questionarem o distanciamento destas lideranças das bases políticas e outras que sonhavam e sonham com ferramentas de lutas que oportunizem formação política e lutas que ajudem a melhorar a qualidade de vida de nossa gente.
Este debate nos fez compreender que muito mais importante do que lançar em nosso nascedouro uma candidatura a deputado estadual, era organizar o nosso Movimento Solidariedade. Recuamos com este pensamento e este raciocínio estratégico, de organizar nos municípios e nas bases o nosso Movimento. Defrontamos-nos de imediato com as eleições diretas do PT, o PED. Neste meio tempo fomos nos articular com o CNB – campo do PT Construindo o Novo Brasil, entretanto não obtivemos êxito e nem fomos incentivados com o calor dos parceiros, na verdade não fomos bem vindos, afinal a maioria de nós vinha de uma ruptura com a Tendência Articulação Socialista.
Foi lá pelos meados de maio que conversamos com o Secretário Cláudio Puty e alguns companheiros da Tendência Democracia Socialista DS. Fomos convidados a conhecer o campo MENSAGEM AO PARTIDO, fomos a Brasília, eu e Marcelo Bastos, reunimos com Soriano e Hamilton Pereira, na oportunidade o Prefeito Louro estava presente num almoço, onde foi consagrado nossa nova relação política nacional e estadual, passamos a fazer parte da tendência Mensagem ao Partido.
Vivemos momentos difíceis, pressões, perseguições, fruto de nossa própria história e do tamanho que é o PT Brasil. Somos grandes, temos a maior liderança política do País e uma das expressões mais respeitadas do mundo, o Presidente Lula. Práticas combatidas por nós, fisiológicas e até mesmo resultado de nosso aprendizado marxista, maoísta, leninista, comunista ou socialista, às vezes as práticas autoritárias de Stalin, ou qualquer outro ditador se fazem presente em nossas decisões. Vivemos a resposta a nossa audácia, a nossa coragem, de romper com estruturas consolidadas e poderosas, e ter a coragem de construir um novo projeto uma nova perspectiva.
O resultado do PED desnudou as contradições e marcou a posição de que nas disputas internas do PT, existe o Movimento Solidariedade, que em apenas um ano de existência já atua numa dezena de municípios e acompanha alguns coletivos locais que vão se construindo, somos mais de 1.000 filiados e muito mais de 2.000 simpatizantes espalhados pelo Estado do Pará e com contatos noutros estados do Brasil.
Um ano de vida, nossos PARFABÉNS a cada um de nós que acreditou e teve a coragem de construir o que é hoje o MOVIMENTO SOLIDARIEDADE. Nosso calendário e agenda de fevereiro é reunir com nossos coletivos municipais e no próximo dia 06 DE MARÇO vamos fazer nossos segundo encontro estadual e fundar o INSTITUTO SOLIDARIEDADE.
Nonato Guimarães – Coordenador Estadual do Movimento Solidariedade.


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BLOG DO CIDADA - O PARTIDO E O MANDATO

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Partido e o Mandato!

Num sistema político coerente as lideranças partidárias são compostas pela representação de sua hegemonia, ou seja, não existe as chamadas “figuras públicas” desconexas da majoritariedade dos segmentos que dominam o partido. Assim sendo, o partido passa a exercer poder sobre os seus mandatos políticos naturalmente, sem que seja necessário disputas internas que exponham suas lideranças.

Contudo, no Brasil, o personalismo do seu sistema político partidário cria situações em que as pessoas são mais importantes que os partidos. Temos lideranças fortes em partidos fracos. Com o suprapartidarismo isso acaba tomando ares inconcebíveis onde os partidos deixam ser o fim para serem meio.

Nos partidos ditos de Centro Direita, essa característica se traduz no aparecimento dos chamados “caciques” das oligarquias regionais, geralmente controladas por famílias e com linhas sucessórias bem definidas, onde as disputas internas, quando existem, são normalmente resolvidas por reuniões de cúpula. Já nos partidos de Centro Esquerda, a relação de hegemonia interna é normalmente construída pelos seus mandatos populares, que organizam e coordenam o partido, reforçando portanto a liderança detentora do mandato popular, criando pois, uma relação natural entre o partido e o mandato.

No PT, esses mandatos se articulam por meio das Tendências Internas, refletindo assim a lógica própria e plural de sua organização partidária. Ocorre contudo, que a disputa partidária se reflete no processo eleitoral e vice versa. Com isso, o surgimento de uma nova liderança detentora de mandato popular é sempre vista como uma ameaça ao estado de arte das forças hegemônicas do momento.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ESSA CALOU OS AMERICANOS

ESSA CALOU OS AMERICANOS.!!!
> SHOW DO MINISTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO NOS ESTADOS
> UNIDOS
>
>
>
>
>
> Essa merece ser lida, afinal não é todo dia que um
> brasileiro dá um
> esculacho educadíssimo nos americanos!
>
> Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o
> ex-governador do
> DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM
> BUARQUE, foi
>
> questionado
> sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.
>
> O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que
> esperava a resposta
> de um Humanista e não de um brasileiro.
>
> Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:
>
>
> "De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria
> contra a
> internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos
> governos não
> tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é
> nosso.
>
> "Como humanista, sentindo o risco da degradação
> ambiental que sofre a
>
> Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como
> também de tudo
> o mais que tem importância para a humanidade.
>
> "Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser
> internacionalizada,
> internacionalizemos também as reservas de petróleo do
> mundo inteiro.O
>
> petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade
> quanto a
> Amazônia
> para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas
> sentem-se no
> direito de aumentar ou
> diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu
> preço."
>
>
> "Da mesma forma, o capital financeiro dos países
> ricos deveria ser
> internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para
> todos os seres
> humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um
> dono, ou de um
>
> país.
> Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego
> provocado pelas
> decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não
> podemos deixar que
> as reservas financeiras sirvam para queimar países
> inteiros na volúpia da
>
> especulação.
>
> "Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a
> internacionalização de
> todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve
> pertencer apenas à
> França.
> Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças
> produzidas pelo
>
> gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio
> cultural, como o
> patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e
> instruído pelo gosto de
> um proprietário
> ou de um país. Não faz muito, um milionário
> japonês,decidiu enterrar
>
> com ele, um quadro de
> um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter
> sido
> internacionalizado.
>
> "Durante este encontro, as Nações Unidas estão
> realizando o Fórum do
> Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram
> dificuldades em
>
> comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por
> isso, eu acho que
> Nova York,
> como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada.
> Pelo menos
> Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como
> Paris, Veneza,
>
> Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada
> cidade, com sua
> beleza específica, sua historia do mundo, deveria
> pertencer ao mundo
> inteiro.
>
> "Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo
> risco de deixá-la
>
> nas
> mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais
> nucleares dos
> EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de
> usar essas
> armas, provocando uma destruição milhares de vezes
> maiores do que as
>
> lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
>
> "Defendo a idéia de internacionalizar as reservas
> florestais do mundo em
> troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para
> garantir que cada
> criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à
> escola.
>
> Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas,
> não importando o
> país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados
> do mundo inteiro.
>
> "Como humanista, aceito defender a
> internacionalização do mundo.
>
> Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei
> para que a
> Amazônia
> seja nossa. Só nossa!
>
>
> DIZEM QUE ESTA MATÉRIA NÃO FOI PUBLICADA, POR RAZÕES
> ÓBVIAS. AJUDE A
> DIVULGÁ-LA, SE POSSÍVEL FAÇA TRADUÇÃO PARA OUTRAS
> LÍNGUAS QUE DOMINAR.
>

LULA O FILHO DO BRASIL - FILME

A didática de "Lula, o filho do Brasil"

Posted: 05 Jan 2010 10:32 AM PST


[Juazeiro, 1970-1979.
Alcir Lacerda.
Pirelli/MASP]

José Szwako*

"Você sabe quem é esse homem, mas não conhece a sua história". A julgar pelo seu slogan, "Lula, o filho do Brasil" cumpre de forma bastante satisfatória sua função. O filme retrata a biografia de um nordestino cujo destino é bem conhecido entre nós. A especificidade da sua história de vida, no entanto, é infinitamente mais interessante que o retrato cinematográfico. À exceção do argumento em torno de Lula, o filme se vale de alguns clichês do último cinema brasileiro. À abertura, um belo e estilizado nordeste, com a gota de suor coreografada na testa do retirante, com os tons pastel em degrade que desfilam na paisagem acre, e com direito, ainda, a um carismático cachorro, fofo. Não chega a ser um defeito, mesmo porque rende esteticamente, mas, desde a safra pós-"Central do Brasil", essa fórmula se repete à exaustão na grande tela nacional.

Ok, retratar a biografia de um presidente nao é pouca coisa e nada ajuda muito para esse empreendimento. Lula, como dizem, é "o cara". Nao é qualquer presidente, é uma figura verdadeiramente carismática com sabido nível de aprovação em pleno fim do segundo mandato. De frente para esse monstro ideológico, do qual esse filme parece ser mais produto e menos reprodutor, é quase impossível não se deixar levar pela teo-teleologia: não importa se se trata de uma criança inconformada ou de um torneiro quase despolitizado, o futuro (ou seja, a ideologia de hoje) fornece de saída os limites da interpretação: "ah, ele já era assim, ...ele foi sempre assim, ...isso tudo estava nele!". "Teima", dizia Dona Lindu. "Ele teimou", nos diz o filme. A ordem cronológica da exposição fílmica quer apontar para este futuro - o nascimento, a viagem pro sul, a escolarização primária e técnica, o primeiro emprego e os dramas no sindicato, tudo vai (nos) levando magicamente ao seu Destino.

O que mais impressiona na exposição dessa linha de vida é o seu carater didático. Tudo muito claro, tudo no seu lugar, sem metáforas nem brechas, tudo limpidamente ocupado. Assentado numa estetica kitsch do tipo "A grande família", o filme é um retrato hiperreal da história de Lula. Está tudo lá, exposto na tela: personagens são claramente apresentados, psicologias sem ambiguidade, diálogos cotidianos e inverossímeis, os jovens Lula e Marisa feitos um-para-o-outro, e um figurino que se denuncia no padrão globo de qualidadede. A música na hora certa, na imagem certa, para a lágrima certa. Enfim, um filme didático demais. Na verdade, é um filme adequado ao Brasil pós-autoritário (FHC + Lula), adequado àqueles milhões de cidadãos que, antes enclausurados na indústria cultural lado B, passaram a compor uma nova multidão de consumidores... de frango, de iogurte, de celular, de carro e também de filmes. Ora, isso nao é pouca coisa e a necessidade de objetos culturais adequados à educação sentimental dessa nova massa de consumidores não precisa ser entendida como meramente ideológica ou eleitoral; a necessidade de tais objetos e a natureza didática deles respondem, antes, às mudanças na capacidade de consumo desse e de outros bens por parte de frações significativas da população brasileira. Agora, se essas frações vão votar no candidato de Lula ou se chamam o consumo de celulares de "cidadania", isso já são outros quinhentos...




"Lula, o filho do Brasil"
Brasil, 2009. Cor. 128 min
Direção: Fábio Barreto

*José Szwako é doutorando em Ciências Sociais na Unicamp.

LULA UM LÍDER MUNDIAL

Segunda-feira, Janeiro 04, 2010

Para o que vai nascer

Um texto de Castagna Maia, saudando um novo tempo que virá:


Arrematando

E Copenhagen acabou sendo um fracasso. A culpa foi dos Estados Unidos da América, e o papel de vilão ficou reservado a Obama. Em um primeiro momento, China e EUA dividiriam a culpa pelo fracasso da conferência mundial sobre o clima. No momento seguinte, sobrou exclusivamente para os EUA. A culpa do fracasso é dos Estados Unidos da América.


II
E o Brasil? O Brasil foi extraordinário na conferência. Claro, há o pitoresco de sempre, os papagaios de pirata que foram para lá tão somente para aparecer, um turismo de luxo. Houve a presença até mesmo da Senadora Kátia Abreu, do PFL de Tocantins, sempre associada ao desmatamento e ao trabalho escravo. Houve de tudo, um festival de busca de fotografias. Mas o que interessa é a posição do Brasil, do Estado brasileiro.


III
E o Brasil foi muito bem. Lula nos representou de forma extraordinária. E Lula apaixonou, sim, o mundo. Quando as negociações estavam apontando para a frustração, foi Lula quem fez um discurso tocante, apaixonado, que calou o plenário, que envergonhou os que apequenavam a discussão.


IV
Lula é, sim, um líder mundial. Há pouco, foi escolhido pelo jornal Le Monde, da França, como a grande personalidade do ano. Dias antes foi capa do espanhol El Pais, com direito a um texto de Zapatero sobre Lula. Repito: Lula é, hoje, sim, um líder mundial. Vou adiante. Lula é, hoje, um grande líder mundial.


V
Em um mundo cinza, de poucos líderes e muitas vaidades, a autenticidade de Lula o destaca. Não é um almofadinha vassalo, como FHC, sempre pronto a usar seus dons de poliglota para falar mal do Brasil e de suas origens, sempre envergonhado de seu País, como se fosse melhor do que ele. Um típico provinciano que, saindo de sua cidadezinha, deita a falar mal do lugar de onde veio. Com Lula não é assim. Lula é admirado. E a miséria no Brasil efetivamente diminuiu.


VI
É preciso dizer isso, aqui. A miséria diminuiu, a Bolsa Família consegue, sim, tirar da miséria absoluta alguns milhões de brasileiros. Que seja assistencialista, mas não há como deixar de ser assistencialista quando se enfrenta uma massa jogada à animalidade a partir da absoluta carência em que foi mantida. O Bolsa Família é um sucesso, e vem transformando a face do Brasil. A economia se movimentou particularmente nos setores que vendem para as camadas mais pobres. O dinheiro da Bolsa Família se transforma em arroz, feijão, farinha, em tecido, em roupas, até mesmo em algum eletrodoméstico. Isso tudo movimenta a economia de uma forma diferente: é a economia que gira a partir das camadas mais pobres.


VII
Há erros enormes no governo Lula. Cito, aqui, mais uma vez, as taxas de juros, ainda mantidas em um patamar que sacrifica nosso comércio e nossa indústria. Cito a visão tacanha na previdência complementar, onde o projeto neoliberal de FHC simplesmente foi aprofundado. Cito a falta de uma visão sistêmica do sistema financeiro, embora a melhora ocorrida a partir da crise mundial. Cito a falta de uma política industrial efetiva, dentre outras coisas.


VIII
O Brasil quebrou três vezes no governo FHC. Na última, pediu 40 bilhões de dólares emprestados ao FMI. E em contrapartida alterou o monopólio estatal do petróleo para entregar boa parte de nossas riquezas às multinacionais. O País inteiro pagou o preço da incompetência e do entreguismo daquele governo. Ou seja, é preciso reconhecer, sim, que comparado ao governo FHC, o Brasil saiu do inferno no governo Lula.


IX
Não estou sendo generoso. Falo até mesmo em relação aos aposentados. No governo FHC, o tal “rolo compressor” implantou a reforma da previdência, aí incluído o Fator Previdenciário e adoção da terrível média para o cálculo das aposentadorias, envolvendo as 80% maiores contribuições. A discussão, hoje, tem outro patamar: é a de recuperação de perdas, é de inflação mais alguns pontos percentuais visando recuperar. Ou seja, há, sim, diferença.


X
Claro, poderia ser melhor. É preciso acabar com aquela média absurda e adotar outra fórmula. É preciso, ainda, acabar com o fator previdenciário. É preciso dar um norte para a previdência pública e para a previdência complementar. O que estou dizendo é que, em 1997, lutava-se contra a implantação de mecanismos que trariam, e trouxeram, perdas. Hoje, luta-se para recompor os valores. Há um ganho de qualidade na discussão. Houve, sim, melhora, não a que queríamos, mas houve.


XI
A crítica ao governo não pode ser insana. Não foi o atual governo que implantou o fator previdenciário, nem a média absurda; não foi o atual governo que fez a reforma da previdência de 1998 e que atingiu pesadamente a previdência complementar; não foi o atual governo que alterou a Constituição Federal para entregar bacias petrolíferas às multinacionais, embora tenha feito vários leilões; não foi o atual governo quem autorizou o financiamento de apropriação indébita de patrocinadoras de fundos de pensão. Em síntese, é preciso criticar, sim, o governo, mas criticar no que está errado para que não se faça coro exatamente com aqueles que querem privatizar o Estado, que querem privatizar a previdência, que querem rebaixar os valores das aposentadorias.


XII
Qual a crítica da imprensa? A de que os gastos públicos aumentaram. Sabe o que significa isso? Que, na opinião da imprensa, não deveria ter havido contratação de funcionários públicos – aí incluídos médicos, professores, fiscais do trabalho e da saúde; não deveria ter havido qualquer recomposição de aposentadoria, ainda que mínima. Não deveria ter ocorrido investimento estatal para minimizar os efeitos da crise internacional.


XIII
Ou seja, a crítica da imprensa é voltada contra os interesses do povo e na tentativa de restabelecer toda a lógica do governo FHC. Se dependesse deles, o Estado seria mínimo, a aposentadoria seria privatizada, o teto da previdência seria de 3 salários mínimos.


XIV
Pois bem: é essa mesma imprensa que buscou debochar da posição brasileira em Copenhagen, que escondeu as elogiosas referências mundiais ao Presidente do Brasil. Foi uma vergonha completa, uma manipulação brutal de informações, um apanhado de críticas improvisadas, onde a imprensa não tem o papel de informar: seu papel é fazer oposição, o de levantar bandeiras que sequer a oposição verdadeira – a que foi eleita para isso, já que a imprensa não recebeu um voto sequer – se atreveu a levantar. Ou seja, a oposição brasileira está sem bandeira porque o modelo de FHC ficou desnudo: era aquilo mesmo, uma catástrofe entreguista, antinacional e antipovo. E não conseguiu superar aquela herança perversa de um governo que naufragou atolado na corrupção das privatizações — origem de Daniel Dantas.


XV
Ou seja, a oposição ainda busca um caminho, e foi eleita para isso. A imprensa, no entanto, assume o papel de oposição e, como não são profissionais da área, saem a fazer qualquer besteira, a repercutir qualquer idiotice. Foi assim com a febre amarela, foi assim com a tal denúncia da moça da Receita Federal. E foi assim, agora, em Copenhagen. Confundiram fazer oposição a Lula com fazer oposição ao Brasil. E fizeram oposição ao Brasil.


XVI
O Brasil foi festejado no exterior. Lula levou ao mundo nosso jeito afetivo, e levou de forma autêntica. O Brasil ficou mais próximo do seu verdadeiro tamanho internacional. E chegou mais perto disso pelas mãos de quem tem pouco estudo formal, para desespero dos provincianos maledicentes que se aproveitam de qualquer oportunidade para falar mal do próprio País. O Brasil sai de Copenhagen muito mais próximo do seu verdadeiro tamanho de gigante.


XVII
Pena que Lula seja muito melhor do que o PT, pena que Lula seja muito melhor do que o seu próprio governo. Não raro as conversas com ministros são decepcionantes. Não trazem inspiração, grandeza, altivez, autenticidade. Freqüentemente fala-se apenas com um poço de vaidades em formato de gente.


XVIII
No fundo, não nos interessa Lula, que já está indo embora. Interessa é que o Brasil vai se aproximando do seu papel mundial, interessa é que houve, sim, diminuição da miséria. E interessa separar as coisas, criticar o que está errado sem fazer coro com os interesses daqueles que querem o retorno das velhas políticas entreguistas do governo FHC.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Identidade Luziense












A ocupação do território que hoje compõe a cidade de Santa Luzia do Pará se deu com o início da construção da Rodovia Federal BR 316 em 1958 no programa do Governo Militar e seu Projeto de Integração Nacional (PIN), badalando o mesmo como uma oportunidade de oferecer "TERRAS SEM HOMENS PARA HOMENS SEM TERRA", donde no km 202 distante de Belém foi construido um acampamento de obras a cem metros do principal rio dessa area, batizado pelo primeiro morador local, senhor Manoel Gaia, como rio Curí, e incentivando a migração de cearenses, maranheses e paraenses (deslocandos principalemente das cidades de Bragança e Ourém atraves dos rios Caeté e Guamá a partir das comunidades mais antigas da região, Tentugal e Jacarequara), para constituir o povoado com o nome Tabosa, em homenagem ao engenheiro responsavel pelo acampamento, Dr Tabosa. A partir da constituição do povoado Tabosa e da ligação rodoviaria com a cidade mais próxima, Capanema, esses passaram a apelidar o povoado Tabosa de vila 47, por se manter a 47 km distante da cidade de Capanema. Em 1979, a Diocese de Bragança criou na vila 47 a paroquia de Santa Luzia, em homenagem a uma santa martire italiana, com isso o povoado passou a ser conhecido tanto como vila km 47 como vila Santa Luzia dentro do municipio de Ourém.
O desenvolvimento do povoado é acelerado com a abertura da rodovia Montenegro em 1973 de interligação da cidade de Bragança a BR 316, incentivando a chegada de mais nordestinos para esse área. Na década de 1980 a discussão da região no entorno da BR 316, da cidade de Capanema até o rio Gurupí (divisa do Pará com o Maranhão) foi focada na grilagem de terras por empresarios e os conflitos armados pelo luta dos povoados no direito a permanecerem na terra, destacando a participação de Quintino da Silva Lira como líder de defesa desses povoados, o que levou a migração intensa de familias desses confritos para a vila 47, fazendo-a crescer desordenamente, principalmente após a morte de Quintino em 1982, após a expulsão de familias das suas terras. Segundo dados do IBGE em 1985 a vila Santa Luzia tinha 3.246 habitantes, em 1990 tinha 5.633 habitantes, tornando a vila de Santa Luzia com uma população urbana maior que a cidade de Ourém. Diante disso, em 28 de abril de 1991, foi realizado o plebecisto para emacipação da vila, se tornando o municipio de Santa Luzia do Pará, que continou crescendo atingindo 8.624 habitantes em 2000 e 10.987 habitantes em 2007.
Atualmente o que é comum na cidade de Santa Luzia do Pará são invasões e o crescimento desordenado da população e ainda a migração de Nordestinos na busca de construir uma vida mais digna, principalmente com a idéia que a Amazônia é uma alternativa para solucionar as exclusões e marginalizações de pessoas pobres do Nordeste do Brasil. A vulnerabilidade da cidade de Santa Luzia do Pará se situa principalmente nos bairros pobres, conduzidos também pelo fato sócio-econômico que a cidade é um entreporto de caminhoneiros de ligação do Pará com o Nordeste, como resultado a proliferação de doenças sexualmente transmissiveis.

O que mais intriga hoje na cidade de Santa Luzia é a constituição da personalidade da Amazônia no município, quando conversamos com crianças e adolescentes, esses pensam em diferenças geográficas da situação do município para a região amazônica, é visto que o bioma amazônico no município foi “rasgado” dando ênfase a agropecuaria em grandes latifundios concentrados nas mãos de poucos empresários, e assim, sem nenhuma intervesão pedagógica os futuros cidadões luzienses estão sendo criandos “fora da Amazônia”, onde as gerações futuras não se sentem situados na região Norte do Brasil. E ainda, fortalecido pelas influencias culturais nordestinas, da música, à dança e as comidas, Santa Luzia vai ser personalizando um município muito mais Nordestino do que Amazônico.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

NOVAMENTE A TRUCULENCIA

TERÇA-FEIRA, 22 DE SETEMBRO DE 2009

Brasil Atual: Arrancam os feridos que estão nos hospitais, afirma hondurenha

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América Latina

Integrante da Via Campesina relata à Rede Brasil Atual que está refugiada em uma casa sem saber se poderá sair. Ela confirma que há gente sendo levada a força para um estádio

Por: João Peres [...]

Pessoas trancadas nas casas, repressão policial nas ruas, incerteza em relação ao que ocorrerá nos próximos dias. Esse é o resumo da vida dos moradores da capital hondurenha Tegucigalpa nesta terça-feira (22).

Depois que o presidente deposto Manuel Zelaya conseguiu retornar ao país, abrigando-se na embaixada brasileira, o governo golpista ordenou a volta do toque de recolher e está reprimindo aqueles que tentam se aproximar do edifício diplomático.

Wendy Cruz, integrante da Via Campesina em Honduras, relatou por telefone à Rede Brasil Atual que está refugiada desde a manhã desta terça em uma casa de Tegucigalpa juntamente com outros integrantes dos movimentos de resistência ao golpe. Agora, ali e em outras partes da cidade, muitas pessoas não podem sair às ruas nem para buscar alimentos.

“Vamos ver se podemos chegar às nossas casas, mas a polícia detém qualquer veículo e qualquer pessoa. Muitos estamos aqui reclusos. É uma região da cidade na qual há muitos militares porque está perto do hospital-escola”, afirma.

Do hospital, aliás, ela relata que são levados muitos dos feridos, e que é complicado saber o destino deles pela dificuldade de comunicação. Wendy Cruz sabe, no entanto, que muitos detidos são conduzidos para o estádio Chochi Sosa, que nas redes sociais da internet já é chamado pelos hondurenhos de "campo de concentração" do regime golpista.

O nervosismo e a incerteza estão evidentes na voz da integrante da Via Campesina. “Aqui, a ordem do dia são os militares, manobrando contra o povo hondurenho. Estamos vendo o que vamos fazer, como vamos nos organizar”, relata.

Enquanto buscam organização, os movimentos de resistência enfrentam as dificuldades geradas pelos golpistas: cortes de luz e de telefone, barreiras policiais montadas em todas as entradas de Tegucigalpa para evitar que pessoas venham de outras partes do país. Wendy Cruz resume o panorama: “Não querem deixar o poder por bem, estão esquecendo o povo. Não sabemos o que vai acontecer porque estamos em uma situação terrível. Não deixam circular os organismos de direitos humanos, há muitos feridos”.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

aprender com o passado: Lenin o que fazer

MENSAGEM AO PARTIDO
PED 2009

APRENDER COM O PASSADO DE 29 ANOS
PENSANDO O FUTURO SOCIALISTA

O que se pode realizar quando a história se move para a frente e o pensamento revolucionário é exposto a todas as tensões de forças contrárias, da mais odiosa opressão de um regime autocrático cruel e de sua terrível repressão policial às inquietações da intelligentsia, dos estudantes, dos radicais de uma burguesia impotente e, em particular, das pressões crescentes das massas populares, do campo e da cidade! (Lenin, O QUE FAZER?)

I – CONUNTURA: a realidade justifica o que precisamos fazer e o que precisamos mudar
A crise global e o Brasil: a natureza da crise 1
Ninguém questiona que a instabilidade do sistema financeiro dos EUA se alastrou pelo mundo e já afeta toda a economia mundial, tampouco se questiona sua causa imediata: a irresponsabilidade de agentes do mercado financeiro e a falta de regulamentação eficaz sobre seu comportamento. O que está em debate é a natureza e os desdobramentos da atual crise. Num pólo estão os que veem nela apenas uma ocorrência cíclica normal no sistema capitalista, cujo crescimento sempre alterna tempos de expansão e de contração da economia. No outro pólo, estão os que percebem nela o limite final do sistema econômico movido pelo produtivismo consumista que tem como meta o lucro para o capital, ou seja, o capitalismo.
Em favor do primeiro argumento, pesa o fato de já se registrarem 46 crises no sistema capitalista desde 1790. Segundo a teoria econômica clássica, as crises são inerentes ao sistema de mercado pois funcionam como fator de seu aperfeiçoamento ao obrigá-lo a corrigir seus erros e exageros. Para essa corrente de pensamento, que orienta os global players da economia e predomina entre os analistas econômicos que se manifestam pelos principais meios de comunicação de massa, o mais importante hoje é evitar o “alarmismo” e recuperar a confiança no setor financeiro. Em termos práticos, isso significa injetar uma enorme quantidade de fundos públicos em socorro de instituições financeiras e empresas para tranquilizar o mercado e assim reativar a economia. Seguindo essa receita, em breve passará a turbulência e o capitalismo seguirá sua trajetória histórica, ainda que deva se submeter a maior controle externo – o que colocaria um ponto final no neoliberalismo que marcou as três últimas décadas. Esta foi a tônica da cobertura dada à reunião do G-20, em Londres, no início de abril.
Em favor da argumentação contrária, pesa o fato de estar esta crise econômico-financeira embutida num conjunto de crises que a tornam muitíssimo mais grave. O déficit energético, o aquecimento global, a perda da biodiversidade, a escassez de água, a ausência de governança global e o esvaziamento ético da economia e da política, são sintomas de uma crise que incide na própria estrutura do sistema: o mercado produtivista e consumista regido pela lógica do lucro. Essa visão orienta os Movimentos Sociais altermundistas que se fizeram presentes no Fórum Social Mundial e tem sido elaborada por intelectuais a eles ligados.

Crise do sistema produtivista / consumista.
Estamos, sem dúvida, imersos numa grave crise financeira. Basta ter presente que enquanto o PIB mundial alcançou quase US$ 55 trilhões, em 2007, o volume dos direitos negociados no sistema financeiro mundial chegou a quase US$ 600 trilhões. Isso explica tanto o crescimento das grandes fortunas mundiais nas três últimas décadas, quanto a súbita diminuição daquelas que estavam fundadas em aplicações financeiras especulativas. (Ver o quadro da Revista Forbes). Tal fato se deve a que o mesmo indicador do valor (a moeda expressa em US$) aplica-se a duas realidades muito diferentes: o volume de bens e serviços efetivamente produzidos, e a compra e venda de direitos que são repassados sem que nenhum novo bem tenha sido produzido (por isso, chamados de derivativos). Essa forma mais avançada do capitalismo pode ser resumida no parâmetro ideal das aplicações financeiras: lucrar sem envolver-se com a produção.
De fato, o êxito do sistema de mercado regido pela lógica capitalista reside na sua enorme capacidade de produzir riquezas tendo em vista a possibilidade do lucro. Seu primeiro grande teórico, A. Smith, já dizia que não é o altruísmo e sim o espírito egoísta de lucro, que faz o padeiro levantar-se de madrugada para vender o pão logo pela manhã. O empresário usará todos os meios a seu alcance para obter lucro na sua atividade econômica: contratará ajudantes, inventará novas técnicas de produção e de gestão, buscará o apoio do Poder público para o seu negócio, acionará mecanismos de propaganda do seu produto, encontrará meios de financiar suas vendas; enfim, estará sempre buscando o lucro que provém da venda de sua produção – seja ela de bens ou serviços os mais diversos.
O problema do empresário reside no fato de que ele não é o único a oferecer bens e serviços no mercado: inúmeros outros empresários também almejam auferir lucro e tornam-se seus concorrentes. Mas o que é dificuldade para o empresário individual é a vantagem do sistema como um todo: a concorrência que lhe imprime um dinamismo intrínseco. O sistema de mercado não pode estabilizar-se, sob pena de não mais funcionar. Ele precisa estar sempre em expansão, isto é, integrar um número cada vez maior de pessoas em suas relações de compra e venda. O capital coloniza espaços cada vez maiores do mercado, que por sua vez coloniza a atividade elementar de base que desde a “revolução neolítica”, há dez mil anos atrás, é regida pelas relações de reciprocidade “dar / receber / retribuir”. Pois bem. Em pouco mais de cinco séculos o sistema capitalista de mercado gradualmente incorporou todo esse setor, de modo a alcançar hoje praticamente toda a população mundial. Até mesmo as comunidades fechadas, com um sistema autônomo de produção e consumo fundado na reciprocidade, têm alguma válvula de comunicação com o mercado, para o qual escoam a parte da sua produção necessária à aquisição dos bens que elas não conseguem produzir.
Esse dinamismo, contudo, só é possível na medida em que são ignorados os efeitos não-econômicos do processo de produção e consumo de bens regido pela lógica do lucro. A produção de lixo, o desperdício de matérias-primas e de energia, a destruição da biodiversidade, a degradação dos solos e das águas, os danos à saúde humana e animal, a exclusão social e a revolta dos excluídos, são considerados como externalidades, isto é, não devem ser considerados pela teoria econômica. Porque não os contabiliza, a economia capitalista transforma em lucro todos os bens e serviços que produz e vende. O problema, agora, é que, a se manter a mesma lógica econômica, as externalidades se voltarão contra o sistema e o travarão. O déficit energético, o aquecimento global e a desumanização das relações sociais estão hoje a apontar que o sistema capitalista de mercado está prestes a esgotar sua capacidade de produzir riqueza.

Para sair da crise: bases teóricas
Fomos acostumados a ver a economia como uma área de conhecimento especializado, sobre a qual só gente com muito estudo (de preferência, numa universidade dos EUA) pode se pronunciar. Esquecemos que a teoria econômica nasceu como Economia Política, ao desligar-se da Ética que até o século 18 regulava o mercado. Só recentemente o pensamento neoliberal separou a Economia como ciência do funcionamento do mercado, e a Política como ciência que estuda o funcionamento do Estado. A eclosão da crise implode essa compartimentação de saberes e obriga a alargar o conceito de Economia, para que as relações sociais de produção e distribuição das riquezas sejam inseridas no âmbito das relações dos humanos com a Terra, relações estas que não podem perder seu caráter ético.
Essa mudança na teoria econômica permite-nos descortinar um cenário inteiramente diferente daquele que nos é traçado pelos economistas do sistema. Ao privilegiar a lógica do valor de uso sobre a lógica do valor de troca, o mercado se tornará simples regulador entre a oferta e a procura, perdendo sua capacidade de gerar lucro para quem transforma dinheiro em capital. Esboça-se então um modo de produção e consumo no qual o mercado não seja a única instituição reguladora da produção e distribuição de bens, mas se coadune a outras instituições como a economia solidária, a cooperativa e o planejamento estatal e no qual seja respeitado o princípio da subsidiariedade: não assuma a instância maior o que a instância menor for capaz de fazer.
Talvez o pensamento e o exemplo de Ghandi – que faz a ponte entre a racionalidade ocidental e a sabedoria indiana – venha a servir como inspiração para um modo de produção voltado não para o crescimento econômico, mas para o bem-estar de todo ser vivo. Seu ideal humanista de simplicidade de vida, de não-violência (inclusive contra os animais, daí sua prática vegetariana) de autonomia local e regional, pode ser a base de uma nova economia: uma economia que abdica da utopia produtivista do progresso sem fim, para alcançar a utopia da harmonia universal com toda a comunidade de vida – a bela e provocante expressão usada na Carta da Terra para designar o conjunto dos seres viventes, superando o especismo humano.
Em outras palavras: a teoria mostra o caminho de superação da crise sistema passa pela redução da produção e do consumo de bens materiais e o aumento da produção de bens imateriais, acompanhada da partilha equitativa dos bens já disponíveis. Para sair da crise, há que pensar unidades de produção locais, articuladas em rede, com baixo consumo de energia (em relação aos parâmetros atuais nos países e setores ricos) e submissão aos imperativos éticos, pois não cabe economizar no custo monetário quando isso implica custo ecológico ou humano.
Será isso uma utopia? Sim, mas é uma utopia que merece maior credibilidade do que as utopias da tecnologia onipotente, do progresso sem fim e da satisfação dos desejos por meio do consumo de mercadorias, que leva a Dubai.

Para sair da crise: pistas práticas
O Fórum Social Mundial realizado em Belém, em janeiro deste ano, mostrou que estão sendo dados passos importantes em direção a esse novo modo de produção e consumo. Percebê-los é o desafio de quem precisa entender os sinais dos tempos. Um destes é a economia solidária, que avança em diferentes partes do nosso Planeta. Ela não quer ser uma forma de política social – focada no atendimento às necessidades de pessoas excluídas do mercado – mas política econômica – um novo modo de produzir, distribuir e consumir bens e serviços.
Estima-se que existem no mínimo 22 mil empreendimentos de economia solidária no Brasil, onde trabalham cerca de 2 milhões de pessoas. São, em sua grande maioria, pequenas unidades de produção e/ou consumo. A variedade é grande: empresas falidas ocupadas pelos empregados, assentamentos rurais, cooperativas de produção artesanal, grupos de coletadores de material reciclável, cooperativas de serviços, bancos com moeda local e muitos empreendimentos de geração de renda. Esses empreendimentos enfrentam inúmeras dificuldades para sobreviverem no mercado regido pela lógica concorrencial dos interesses privados. Às dificuldades de ordem jurídica, referentes à obtenção do estatuto legal para integrar-se à economia formal (v.g. emitir nota fiscal, participar de licitações), acrescentam-se as dificuldades de formação para atuar segundo a lógica da solidariedade e não da lógica concorrencial vigente no mercado.
Neste contexto, o Programa Economia Solidária em Desenvolvimento do Ministério do Trabalho e a I Conferência Nacional de Economia Solidária indicam a contribuição do Governo para um modo de produção alternativo ao capitalismo, onde os próprios trabalhadores e trabalhadoras assumem coletivamente a gestão de seus empreendimentos econômicos.
Para superar a crise global, porém, a economia solidária precisará passar do nível micro ao nível macro: uma coisa são os empreendimentos locais, que agrupam no máximo algumas centenas de pessoas trabalhando; outra coisa é sua capacidade de um dia vir a atender as necessidades de 7 bilhões de pessoas, muitas delas querendo satisfazer os desejos atiçados pela propaganda veiculada pelo sistema capitalista. Esse salto não significa gerar empresas gigantescas e transnacionais, mas desenvolver a moderna organização em rede: inúmeras pequenas unidades autônomas quanto à sua gestão mas articuladas entre si na consecução de projetos comuns. “Pensar globalmente e agir localmente” significa, hoje mais do que antes, ter um pé firme na base local, o outro caminhando para uma articulação regional, e os olhos na articulação nacional, continental e planetária. A gestão dessa rede só será efetiva se basear-se numa verdadeira democracia na qual o poder econômico não tenham peso algum e as minorias sejam respeitadas dentro dos rumos traçados pela maioria.
Outra dificuldade a ser vencida reside no campo dos valores que regem o comportamento humano. Desde o Renascimento europeu, a concepção da pessoa humana como indivíduo livre tornou-se a base dos valores e direitos que regulam as nossas relações com outras pessoas e com a natureza. Essa concepção veio de par com a economia de mercado, que a levou ao extremo do egocentrismo. Assim como o egocentrismo deu a forma moral ao modo capitalista de produção e consumo, um novo paradigma de valores deve acompanhar o modo de produção e consumo ecológico e solidário. É o que vem sendo chamado de consciência planetária: o ser humano como parte da grande comunidade de vida do Planeta. Essa nova forma de consciência precisa apoiar-se numa ética universalista (que inclua os direitos da Terra) e só terá a ganhar se gerar uma espiritualidade que a anime desde seu interior.
1. Pedro A. Ribeiro de Oliveira/ PUC-Minas e ISER-Assessoria – Análise Conjuntura CNBB NORTE II
A REALIDADE NACIONAL E NOSSAS TAREFAS NO PARÁ
Se a união é verdadeiramente necessária, escrevia Marx aos dirigentes do partido, façam acordos para realizar os objetivos práticos do movimento, mas não cheguem, ao ponto de fazer comércio dos princípios, nem façam "concessões" teóricas.

Aos seis anos do governo Lula e na perspectiva eleitoral da sucessão em 2010, devemos nos preparar para rediscutir, debater, reescrever nossa história e os compromissos do PT para o futuro, de início devemos assegurar que o PT é socialista
Alterar os métodos de relacionamento interno no Partido e as relações institucionais e políticas de alianças devem superar as negociatas e o entreguismo de nossos princípios, fortalecendo desde agora a conquista da hegemonia, afirmando nossos valores e recuperando credibilidade na sociedade. Nosso maior desafio é como fazer uma leitura correta da avaliação popular tão positiva do Presidente Lula, avançando na intelecto e na subjetividade da sociedade civil, para afirmar que o Presidente Lula é fruto da história democrática do PT. Precisamos desmistificar o lulismo, e esta relação de que Lula é maior de que o governo e maior do que o PT.
No Pará, estes três anos e meio do governo de Ana Júlia e do PT, re-orientaram a ação político-administrativa, priorizando a execução de políticas sociais de inclusão social e econômica dos setores mais pobres da sociedade paraense e combinando o enfrentamento político com os setores mais atrasados da economia do Estado, os madeireiros.
O governo do PT tem compromissos com o meio ambiente e com a maioria da sociedade paraense. O Programa Bolsa Trabalho, vêm se afirmando com todas as dificuldades pertinentes a uma política revolucionária e inclusiva. Combinando a estratégia de desenvolvimento do governo federal, o PAC e outras iniciativas de sucesso, o governo de Ana Júlia e do PT promoveu o PTP envolvendo mais de 60.000 pessoas nas definições das políticas públicas que resultaram na aprovação do PPA.
Asfalto participativo em mais de cem municípios e cidades do Estado, o programa Kits escolares, o repasse fundo a fundo dos recursos da SEDUC e da SESPA, para atender as necessidades dos municípios e da população, embora as críticas permanentes da imprensa local, tentem mostrar uma imagem negativa e de incompetência de nosso governo, investimos na segurança pública, em transporte, concurso público e contratação para o aumento do efetivo policial, capacitação, reforma e ampliação de delegacias públicas; ampliação e reforma da Santa Casa de Misericórdia, modernização do Ophir Loyola e do tratamento do Câncer, priorização na gestão e no funcionamento dos Hospitais Regionais e do Hospital Metropolitano de Belém.
Aqui não pretendemos mostrar um balanço do governo estadual e sim demonstrar que os recursos públicos estão voltados para melhorar a qualidade de vida, a democracia e a participação do povo.
Hegemonizar nossas políticas no seio da sociedade brasileira é um exercício que requer uma nova correlação de forças no PT. Devemos avançar nas conquistas e no modelo de desenvolvimento do País, a política de juros do banco central, as relações com diversos setores da economia, como os fabricantes de veículos e máquinas, com os banqueiros, com o agrobusiness e outros, deve ser alterada, estabelecendo novos referenciais econômicos, e não mais a facilidade para atores que só fazem ganhar e enriquecer cada vez mais, seja nas crises, seja nos ciclos abundantes da economia.
No Brasil, como na América Latina e outras partes do mundo, os capitalistas vivem às custas do Estado, ente tão criticado pelas mídias e atores líderes do capital. Os balancetes destes setores aumenta a cada semestre, e eles a cada momento estudam como prejudicar cada vez mais os trabalhadores e a democracia. Demissões, aumento de preços, isenção do IPI, são amostras do como a iniciativa privada se comporta frente ao Estado Brasileiro governado pelo PT e pelo Presidente Lula.
Devemos fazer nossa militância organizando o povo, e qual é o povo que devemos organizar e defender? Os excluídos, os pobres, os negros, os índios, as mulheres, a juventude, as crianças. Solidariedade significa amar os outros, não existe solidariedade se não existir paixão dentro de nós. Muitas vezes achamos que o povo é ridículo, pidão, mesquinho, se faz de miserável, deixamos de enxergar o óbvio, de que a pobreza e a miséria são estruturantes, resultado de uma sociedade de classes, da exploração dos ricos sobre os pobres, de que é preciso cada vez mais pobres, para existires cada vez menos ricos mais poderosos.
Nossos governos e o Presidente Lula investiram e tornaram realidade os maiores programas de distribuição de renda do mundo: o Programa Bolsa Família, o Luz para todos, o Pró Uni, os programa de moradia popular, o PAC, e tantas outras políticas como o reajuste do salário mínimo. Melhorou a vida de milhares de pessoas que ascenderam a classe média, mas conservou milhões na pobreza, pois o modelo de desenvolvimento capitalista é excludente.
Por tudo isto companheiros (as) devemos reorientar nossa prática, buscar novas fontes para bebermos a sabedoria de nossa utopia, alimentar nossos sonhos da esperança socialista, manter a chama de nossa crença, de que é possível sair do sofrimento e construir a sociedade que irá garantir felicidade com igualdade e justiça para milhões de irmãos e irmãs.
Entre as tarefas colocadas para a militância petista, está nossa capacidade de mobilizar a sociedade para ter acesso às políticas públicas. Em nossas cidades é possível incentivar a mobilização e organização de cooperaivas, associações e outros movimentos, lutando pelo acesso a casa própria, pelo saneamento básico do PAC, por mais democratização na Bolsa Família, pelo alcance ao Pro Uni. Organizar um amplo movimento de massas que resulte na melhoria da qualidade de vida deve ser nosso objetivo. É claro que as oportunidades não se esgotam aí, pois devemos expor em nossas lutas os malefícios do capitalismo, as contradições das lutas de classe, e para tanto a construção de um mercado da economia solidária, buscando recursos do micro crédito, dinheiro para qualificação profissional e construção de cooperativas, organização de feiras de troca solidária, exposições solidárias, construção de empresas coletivas, mostrando nos bairros e nas colônias que uma nova economia é possível, são tarefas grandiosas e urgentes. Só vai existir um movimento PT Socialista se formos capazes de organizar o povo para combater a exploração capitalista com um novo modelo de economia e de desenvolvimento sustentável e solidário.
Por isto que o modelo de desenvolvimento que nos propomos é o sustentável, e aí pensemos na Amazônia, tão destruída e tão decantada, tão estudada e tão pesquisada, principalmente por cientistas internacionais, europeus, americanos, japoneses, etc. Se não bastasse a ganância de madeireiros, de fazendeiros, da derruba e queima de nossas árvores, da morte de igarapés e rios, da usurpação de nossa biotecnologia, do roubo de nossa fauna e flora, da destruição de nossos ecossistemas, e da campanha pela internacionalização da Amazônia, ainda querem transformar nossa Amazônia em território Mundial, como apêndice para fazer o meã culpa deles, eles destruíram suas reservas, seus ecossistemas, seus lençóis de água doce, eles então que assinem compromissos com a recuperação do meio ambiente e com a camada de ozônio.
Para explorar de forma sustentável nossa fauna, flora, nossa hidrografia, nossos minérios, nossas riquezas naturais, eles têm de ter o aprovo do povo brasileiro e Amazônida. Nós e nossos governos devemos elaborar leis de proteção e regulamentação do desenvolvimento na Amazônia. O custo Oxigênio, o custo da água, o custo do ar, devem estar embutidos como valor de agregação à sustentabilidade. O equilíbrio ambiental, a recuperação da degradação, a proibição de qualquer exploração irregular, mecanismos de fiscalização devem indicar a seriedade com que o governo brasileiro e os governos de cada estado amazônico, vão tratar a proteção das riquezas naturais da Amazônia Brasileira.

II. FORTALECER A ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA PARA MANTER OS RUMOS DA PERSPECTIVA SOLIDÁRIA E SOCIALISTA
Todos concordamos que o PT traz à cena política brasileira, além de um projeto, uma nova forma de "fazer política". Multiplica atores, permitindo o acesso à participação política a milhares de pessoas, até então meros espectadores; propõe - e efetivamente prática - uma nova relação com a gestão pública, ressaltando a preocupação com a transparência, a lisura, a inversão de prioridades, a democratização e a participação popular, entre outros elementos. (Gilberto Carvalho, 1992)
O que significa inaugurar uma nova cultura ético-política num meio cuja história e tradição é a cultura da repressão-submissão, da delegação e não-participação, do promover-se individualmente a qualquer preço, da competição, do compadrio? A internalização destes valores transformou o público em sinônimo de corrupção, de salve-se quem puder, marcou nossa cultura com tal negatividade que assemelha-se a um vírus capaz de uma espantosa sobrevida. Retomando Manoel Bonfim, poderíamos afirmar que somos herdeiros diretos dessa tradição em que os trabalhadores sempre serviram aos coronéis, como mão-de-obra explorada, como soldados, capatazes ou eleitores.

Orfandade cruel
É preciso mencionar a crise de nossos projetos, de nossas utopias. Elementos motivadores, a "causa" em nome da qual gerações inteiras deram o melhor de si, numa entrega generosa, perdem hoje sua "luminosidade", como um farol em meio a brumas. Perdemos em boa parte nosso encanto de "Quixotes"; a dura e cruel orfandade nos torna menos ingênuos, mais realistas, com uma clara perda do fervor dos primeiros tempos. Somos obrigados a trabalhar as mediações, seja em nossas administrações seja nas sucessivas tentativas de construção de nossos "projetos alternativos".
Passamos a viver o processo de institucionalização de nossas instâncias e instrumentos de luta. Logo nós que nascemos contestando a ordem estabelecida. Talvez por isso mesmo, por preferir não enfrentar com clareza tais processos, agravamos ainda mais suas naturais dificuldades e tendências. Preferimos denunciar a chamada "casta burocrática" como se as pessoas se apegassem simplesmente por valoração moral aos aparelhos. Transformamos as "direções" em causa ampla e geral de todos os males, como se os que as compõem devessem ser dotados de uma tal clarividência que os mantivesse a salvo das dúvidas e problemas do comum dos viventes.
A crise não concerne apenas às utopias enquanto horizonte mais distante e guia; consiste também numa crise de paradigmas, de referenciais que norteiam nosso cotidiano, normas de conduta coletiva e de cada um. A perda das certezas, saudável enquanto nobre busca de um novo discernimento, enquanto ousadia da liberdade, tem o contraponto doloroso da insegurança no agir cotidiano, atravessado de contradições e enfrentando a hostilidade de novos "modelos" que se pretendem absolutos e definitivos.
Passamos a conviver cada vez mais com o fenômeno da capitulação, do cansaço, do abandono ou mesmo troca de front, da deserção... desafiados a buscar o equilíbrio entre uma ortodoxia que não parece sensibilizada por mudanças tão evidentes e um desbandeiramento que transforma o novo em fetiche. Manter nesse momento de cerco, de aparente recuo, a chama da esperança, a coragem da entrega generosa e cotidiana, navegando contra a implacável lógica dominante, é desafio que só se enfrenta coletivamente, construindo as bases de uma nova mística.
É urgente que trabalhemos no próprio processo de construção de nosso projeto alternativo, os elementos do que poderíamos denominar de uma "ética da solidariedade": a construção de um referencial de valores e práticas que se fundamentam na mobilização da pessoa para a construção coletiva da felicidade; e para um novo modo de viver e se relacionar. Trata-se de um núcleo de valores inalienáveis, cuja vigência não é espontânea, mas demanda uma conquista, como de resto o requer o próprio socialismo. Refiro-me ao respeito pelo ser humano, jamais passível de instrumentalização, ainda que em nome das causas nobres; ao exercício da política como serviço; à relação com o poder desinteressada, como instrumento que potencializa o exercício coletivo da elaboração e da tomada de decisões; à transparência que assegura a lisura dos atos; à lealdade no processo de luta, mesmo em relação ao adversário; ao respeito às minorias e à consciência de que o poder das maiorias está delimitado por um código de valores coletivamente reconhecidos; à necessidade de se tratar de maneira diferente o desigual; à importância de se assegurar a criatividade, a pluralidade, o questionamento impulsionador do novo; enfim, à certeza de que a interdependência sugere a solidariedade como um ato de inteligência e construção da vida.

Mudar o Pt Pará Investindo na Formação e na Organização Partidária
Sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário. Não seria demasiado insistir sobre essa idéia em uma época, onde o entusiasmo pelas formas mais limitadas da ação prática aparece acompanhado pela propaganda em voga do oportunismo.

Uma nova mensagem para o PT do Pará (documento inscrito no PED Pará na chapa da Mensagem)
O movimento “Mensagem ao Partido” surgiu em um momento de profunda desilusão e confusão de amplos setores partidários. Após veiculados na mídia diversos desvios de conduta engendrado pelas nossas principais expressões e lideranças em nível nacional, muitos militantes de base e lideranças desacreditaram do partido e, embora muitos saíram, muitos permaneceram, na esperança de uma refundação.
A “mensagem” surge nesse contexto, fazendo um balanço crítico da organização partidária recente, com o desmantelamento dos organismos de base, escassos espaços de formação política e o declínio da transparência e financiamento militante do partido. Resgatando a importância do PT para o Brasil e para o povo brasileiro e conclamando os militantes e filiados a repensar o partido e organizar uma alternativa que não seria por fora do PT, mas pela refundação daquele que já era o maior partido de esquerda da América Latina, que havia freado as agendas de privatização e engatinhava no sentido de trazer importantes vitórias e conquistas para amplas parcelas do povo, como o aumento real de salários, Bolsa Família, PROUNI, PAC e inúmeras outras marcas que mudaram os rumos do Estado brasileiro.
Desde a postura firme dos diversos setores que compõe a “Mensagem” de disputar estrategicamente os rumos do partido e propor um novo paradigma de organização pela base com transparência e formação política, foram registrados importantes avanços nos quais a “Mensagem” teve um papel fundamental. As principais teses no PED anterior já convergiam em defender mais formação política, ética e transparência no PT. Se aprovou um código de ética, se deu os primeiros passos no sentido da construção de uma Escola Nacional de Formação e o terceiro congresso do PT aprovou resoluções que ratificaram a opção do PT pelo socialismo, pelo compromisso de enfrentar as desigualdades e injustiças e a luta por um Brasil de “Homens e Mulheres Livres e Iguais”.
Embora esse conjunto de avanços fosse possível, ainda temos muito que avançar. O PT mudou como um todo, evoluiu, devido a diversas mudanças pontuais, iniciativas militantes e movimentos que registraram a importância dos trabalhadores/as, jovens, negros/as, gays, lésbicas e diversos segmentos de se organizarem politicamente num partido com capacidade de sintetizar as mais diversas e profundas esperanças de direitos iguais, justiça e democracia. Mas essa heterogeneidade e pluralidade de regiões e segmentos também criaram experiências diversificadas, fazendo coexistir ainda muitos vícios e práticas inapropriadas para um partido que reivindica uma trajetória socialista e valores republicanos.
O PT no Pará é reflexo dessa diversidade e complexidade de experiências. Embora acumule grande crescimento e importantes vitórias institucionais no legislativo e no executivo, sendo o partido que governa o estado e que, sem a menor sombra de dúvida, influencia decisivamente nos rumos da política local, ele ainda tem grande fragilidade organizativa, com poucos fóruns de base funcionando, intervenção progressivamente fragilizada nos processos de luta, uma política de comunicação deficiente, pouca transparência e diálogo com os militantes e filiados, orientação deficiente à intervenção parlamentar e executiva, principalmente no caso dos/as vereadores/as e prefeitos/as, setoriais em sua maioria desorganizados e pouca formação política.
Essa ultima gestão, na qual tínhamos 27% (2 membros na executiva), o PT avançou na organização de debates regionais e dialogo com os filiados nos diversos municípios, mas está na hora de radicalizar na democratização do partido. Propomos que as instâncias partidárias, núcleos de base, diretórios municipais, diretórios distritais e setoriais tenham uma vida mais ativa. Que a nova direção do partido invista na sua organização pela base. Dê espaço e estrutura para os setoriais funcionarem, incentive os diretórios municipais a se organizarem, crie espaços de comunicação como site na internet e o próprio boletim informativo do PT para esses setores se comunicarem e participarem mais ativamente da vida partidária.
Propomos para o PT do Pará que o novo código de ética não seja um mero texto escrito, mas uma conduta militante cotidiana do partido. A nova direção deve se empenhar em conduzir um amplo processo educativo com formação para as comissões de ética e para os militantes do partido no sentido de resgatar as práticas republicanas, inibir as filiações em massa e outros desvios de conduta. Propomos a transparência nas contas do PT, um amplo debate sobre reforma política e financiamento público de campanhas e o estímulo consciente à contribuição militante para a sustentação do partido.
O PT também precisa de uma política de comunicação eficiente. O partido está a frente do governo do estado e da presidência da república e muitos de nossos militantes e filiados não se apropriaram das informações necessárias sobre as ações desses nossos governos. Faltou ao PT empenho em criar canais de informação tanto para estimular a livre comunicação e acesso a informação da base do partido e dos movimentos sociais parceiros, como para defender os nossos governos contra os ataques da burguesia rentista, elitista e latifundiária. A comunicação deve ser uma postura militante do nosso partido, não apenas comunicando o que os nossos governos e parlamentares estão fazendo, mas lutando para que amplas parcelas do povo tenham acesso a informação livre num cenário em que as grandes multinacionais da comunicação controlam os principais veículos de informação. Nesse sentido propomos a criação de um coletivo de comunicação, responsável por construir e atualizar um site do PT/PA, com links para os setoriais e diretórios municipais e a tarefa de produzir e estimular a produção de diversos outros canais de comunicação como panfletos, jornais informativos, rádios etc.
O PT tem a sua história marcada pela defesa dos direitos dos trabalhadores e camadas populares. Tem intervenções consolidadas nos mais diferentes segmentos da luta popular e dos movimentos sociais. Essa marca petista tem se apagado nos últimos períodos em grande medida devido a sua incapacidade de conciliar e separar a luta social e política da gestão pública.
No Pará, que está situado no seio da maior floresta tropical do planeta, esta recente contradição do partido tem se evidenciado. Na Amazônia desde a sua colonização existiram acirrados conflitos entre os povos da floresta e seus pequenos colonizadores e ocupantes contra o imperialismo colonial, seja ele na forma das antigas companhias de comércio, tráfico negreiro e aviamento ou nas contemporâneas multinacionais de exploração madeireira, de gado, soja e mineração. O Pará tem sido palco de grandes conflitos de Sem-terras com latifundiários; indígenas, ribeirinhos, quilombolas, camponeses, mineiros, seringueiros com grandes multinacionais como a Vale e a ALCOA que contam com ampla complacência da elite local e incentivos públicos.
Esses conflitos de característica amazônica e ambiental são características importantes da formação paraense e permeiam a fundação do partido nas mais diversas regiões do estado. A conquista de espaços institucionais e a vulnerabilidade de nosso partido, governos e parlamentares frente aos ataques da mídia e da opinião publica reacionária em grande medida afastou o PT da direção e iniciativa dessas lutas.
Mas, embora tenhamos que ter compromisso e responsabilidade com os nossos governos e parlamentares, não podemos fugir a essencialidade de nossa plataforma política. A luta dos movimentos sociais, em uma análise mais ampla e histórica não prejudica, mas ajuda a construir o nosso projeto. Sem a pressão popular e amplo apoio do povo, as mudanças que o Brasil e o Pará precisam são impossíveis. É necessário táticas mais consistente e um aprofundamento dessas lutas no sentido de, inclusive, permitir que os nossos espaços institucionais avancem no questionamentos dos direitos irrestritos do capital e na consolidação de plataformas que dêem respostas consistentes à luta histórica do povo amazônico.
Nesse sentido, propomos que o PT aprofunde a sua intervenção junto aos movimentos sociais, assuma uma posição política clara, favorável às mais diversas lutas e segmentos que marcam a atual conjuntura de enfrentamento ao lucro irresponsável e acumulação privatista. Um passo fundamental para isso é a organização dos setoriais e a elaboração de políticas para cada um desses segmentos.
O PT deve defender a redução da jornada de trabalho sem redução de salário, políticas de geração de emprego e ampliação da renda do/a trabalhador/a; reforma agrária, criação de assentamentos com condições de produção, escoamento, educação e saúde para seus moradores e a expropriação do latifúndio improdutivo e violento que até os dias de hoje emprega mão de obra escrava e violência contra os/as trabalhadores/as; melhores condições de vida, acesso a emprego, educação, esporte e lazer à juventude em particular aos segmentos vulneráveis que, devido a um acúmulo de políticas elitistas, ocupam as periferias e não tem acesso a sua inserção com dignidade na vida adulta; o direito das mulheres ao seu corpo, o direito de não sofrer violência, o direito de trabalhar em iguais condições que os homens, direito a um efetiva participação política, direito ao aborto com financiamento público do SUS, etc.; O PT deve defender a livre expressão sexual e o direito de não sofrer violência física e moral, assim como o direito dos gays, lésbicas, travestis e transexuais de casarem e constituírem família; o PT deve lutar contra a opressão dos negros/as, contra o genocídio da juventude negra nas periferias pela reparação histórico cometida contra esse segmento, pela criação de assentamentos quilombolas e cotas para acesso ao ensino superior.
Com essas e outras lutas a tese “Mensagem ao Partido” convida o conjunto de filiados do PT/PA a fazerem história e se somarem na construção de um partido republicano, transparente, socialista e democrático que seja a expressão política dos que lutam por um Pará com mais dignidade e direitos para o seu povo.


TEXTO SISTEMATIZADO POR RAIMUNDO NONATO GUIMARÃES – Movimento Solidariedade. Foram utilizados parágrafos do livro Lenin O Que Fazer?, De um documento de Gilberto Carvalho de 2002 e de documento do próprio Nonato, CARTA AOS MILITANTES SOLIDÁRIOS.
Capanema, 27 de agosto de 2009.


GUIMARÃES, Raimundo Nonato. Carta aos Militantes Solidários. Julho de 2009.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

CARTA À MILITÂNCIA SOLIDÁRIA...

Companheiros (as),
Estamos em processo de construção de nosso Movimento Solidariedade. Já sabíamos das dificuldades que iríamos enfrentar, das divergências, das crises e de tantas contradições que viriam.
Muitos de nós já militamos noutras tendências internas do PT, como muitos vieram da tendência AS para tentar e construir o Movimento Solidariedade. Revoltados com a falta de atenção, com o eleitoralismo, com o poder dos gabinetes parlamentares, gritamos um SOS petista buscando nos livrar da mesmice das crises oriundas desde 2005, conforme alguns analistas, para nós a carta de Gilberto de Carvalho denunciando e anunciando a crise organizativa e ideológica do PT que vem desde 2002.
Aos seis anos do governo Lula e na perspectiva eleitoral da sucessão em 2010, devemos nos preparar para rediscutir, debater, reescrever nossa história e os compromissos do PT para o futuro, de início devemos assegurar que o PT é socialista e nós militantes solidários somos socialistas.
Alterar os métodos de relacionamento interno no Partido, as relações institucionais e políticas de aliança devem superar as negociatas e entreguismo de nossos princípios, fortalecendo desde agora a conquista da hegemonia, afirmando nossos valores e recuperando credibilidade na sociedade. O maior desafio que vejo é como fazer uma leitura correta da avaliação positiva do Presidente Lula, avançando no intelecto e na subjetividade da sociedade civil, para firmar que o Presidente Lula é fruto da história democrática do PT.
Hegemonizar nossas políticas no seio da sociedade brasileira é um exercício que requer uma nova correlação de forças no PT. Devemos avançar nas conquistas e no modelo de desenvolvimento do País, a política de juros do banco central, as relações com diversos setores da economia, como os fabricantes de veículos e máquinas, com os banqueiros, com o agrobusiness e outros, deve ser alterada, estabelecendo novos referenciais econômicos, e não mais a facilidade para atores que só fazem ganhar e enriquecer cada vez mais, seja nas crises, seja nos ciclos abundantes da economia.
No Brasil, como na América Latina e outras partes do mundo, os capitalistas vivem à custa do Estado, ente tão criticado pelas mídias e atores líderes do capital. Os balancetes destes setores aumentam a cada semestre, e eles a cada momento estudam como prejudicar cada vez mais os trabalhadores e a democracia. Demissões aumento de preços, isenção do IPI, são amostras de como a iniciativa privada se comporta frente ao Estado Brasileiro governado pelo PT e pelo Presidente Lula.
Devemos fazer nossa militância organizando o povo, e qual é o povo que devemos organizar e defender? Os excluídos, os pobres, os negros, os índios, as mulheres, a juventude, as crianças. Solidariedade significa amar os outros, não existe solidariedade se não existir paixão dentro de nós. Muitas vezes achamos que o povo é ridículo, pidão, mesquinho, se faz de miserável, deixamos de enxergar o óbvio, de que a pobreza e a miséria são estruturantes, resultado de uma sociedade de classes, da exploração dos ricos sobre os pobres, de que é preciso cada vez mais pobres, para existir cada vez menos ricos mais poderosos.
Nossos governos e o Presidente Lula investiram e tornaram realidade os maiores programas de distribuição de renda do mundo: o Programa Bolsa Família, o Luz para todos, Pró Uni, os programas de moradia popular, o PAC, e tantas outras políticas como o reajuste do salário mínimo. Melhorou a vida de milhares de pessoas que ascenderam à classe média, mas conservou milhões na pobreza, pois o modelo de desenvolvimento capitalista é excludente.
Por tudo isto companheiros (as) devemos reorientar nossa prática, buscar novas fontes para bebermos a sabedoria de nossa utopia, alimentar nossos sonhos da esperança socialista, manter a chama de nossa crença, de que é possível sair do sofrimento e construir a sociedade que irá garantir felicidade com igualdade e justiça para milhões de irmãos e irmãs.
Entre as tarefas colocadas para a militância solidária, está nossa capacidade de mobilizar a sociedade para ter acesso às políticas públicas. Em nossas cidades é possível criar e organizar os núcleos de solidariedade, lutando pelo acesso a casa própria, pelo saneamento básico do PAC, por mais democratização na Bolsa Família, pelo alcance ao Pro Uni. Organizar um amplo movimento de massas que resulte na melhoria da qualidade de vida deve ser nosso objetivo. É claro que as oportunidades não se esgotam aí, pois devemos expor em nossas lutas os malefícios do capitalismo, as contradições das lutas de classe, e para tanto a construção de um mercado da economia solidária, buscando recursos do micro crédito, dinheiro para qualificação profissional e construção de cooperativas, organização de feiras de troca solidária, exposições solidárias, construção de empresas coletivas, mostrando nos bairros e nas colônias que uma nova economia é possível, são tarefas grandiosas e urgentes. Só vai existir um movimento solidariedade se formos capazes de organizar o povo para combater a exploração capitalista com um novo modelo de economia e de desenvolvimento sustentável e solidário.
Por isto que o modelo de desenvolvimento que nos propomos é o sustentável, e aí pensemos na Amazônia, tão destruída e tão decantada, tão estudada e tão pesquisada, principalmente por cientistas internacionais, europeus, americanos, japoneses, etc. Se não bastasse a ganância de madeireiros, de fazendeiros, da derruba e queima de nossas árvores, da morte de igarapés e rios, da usurpação de nossa biotecnologia, do roubo de nossa fauna e flora, da destruição de nossos ecossistemas, e da campanha pela internacionalização da Amazônia, ainda querem transformar nossa Amazônia em território Mundial, como apêndice para fazer o meã culpa deles, eles destruíram suas reservas, seus ecossistemas, seus lençóis de água doce, eles então que assinem compromissos com a recuperação do meio ambiente e com a camada de ozônio.
Para explorar de forma sustentável nossa fauna, flora, nossa hidrografia, nossos minérios, nossas riquezas naturais, eles têm de ter a aprovação do povo brasileiro e Amazônida. Nós e nossos governos devemos elaborar leis de proteção e regulamentação do desenvolvimento na Amazônia. O custo Oxigênio, o custo da água, o custo do ar, devem estar embutidos como valor de agregação à sustentabilidade. O equilíbrio ambiental, a recuperação da degradação, a proibição de qualquer exploração irregular, mecanismos de fiscalização devem indicar a seriedade com que o governo brasileiro e os governos de cada estado amazônico, vão tratar a proteção das riquezas naturais da Amazônia Brasileira.
São muitas nossas tarefas, mas o lugar onde militamos até pouco tempo atrás não nos proporcionou estas reflexões, não nos valorizou para alcançarmos destinos e relacionamentos que nos facilitasse o eco e a ressonância destas questões. Hoje no caminho de nossa construção, cada dirigente, cada liderança, cada militante solidário deve despertar em seu íntimo a certeza de que somos importantes, de que nossos gritos tenham eco em outros lugares.
Aceitamos o convite para participar do campo nacional A MENSAGEM AO PARTIDO, aqui no Pará vamos ser da comissão estadual da Mensagem. Vamos nos relacionar com a tendência DS – Democracia Socialista e outros coletivos da Mensagem. As repercussões desta decisão são imediatas, vamos nos juntar no PED para assumirmos a direção do PT local em diversos municípios, vamos conquistar espaços partidários nos municípios, no Pará e no Brasil.
Na luta, com muita solidariedade.